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Toyota surpreende com novo ônibus urbano a hidrogênio gigante capaz de levar 70 pessoas, rodar mais de 300 Km e abastecer em apenas 10 minutos

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Escrito por Flavia Marinho Publicado em 08/10/2026 às 17:22 Atualizado em 08/10/2026 às 17:40
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Toyota surpreende ao reduzir de 10 para 3 os tanques de ônibus a hidrogênio e fazê-lo rodar mais de 300 km; gigante leva 70 pessoas e abastece em 10 minutos
Toyota surpreende ao reduzir de 10 para 3 os tanques de ônibus a hidrogênio e fazê-lo rodar mais de 300 km; gigante leva 70 pessoas e abastece em 10 minutos
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Toyota Sora reduz de 10 para 3 os tanques de hidrogênio, supera 300 km de autonomia e transporta 70 pessoas. Conheça a tecnologia.

A Toyota conseguiu fazer um ônibus urbano de 70 ocupantes percorrer mais de 300 quilômetros utilizando tanques de hidrogênio com aproximadamente 20% menos capacidade total de armazenamento. O resultado é ainda mais surpreendente quando comparado à geração anterior: o veículo passou de dez reservatórios para apenas três, ganhou cerca de 100 quilômetros de autonomia anunciada e pode ser completamente reabastecido em aproximadamente dez minutos. A novidade foi apresentada oficialmente no Japão, em 5 de outubro de 2026, com o lançamento da segunda geração do Toyota Sora.

O novo ônibus, desenvolvido em parceria com a Isuzu, tem mais de 10,5 metros de comprimento, utiliza dois motores elétricos e dispensa o diesel para se movimentar. Seu combustível é o hidrogênio, convertido em eletricidade por um sistema de células de combustível. Mas o aspecto mais interessante da transformação não está simplesmente na escolha da energia: está na maneira como a engenharia japonesa conseguiu aumentar o alcance do veículo mesmo diminuindo sua capacidade de armazenamento.

New fuel cell route bus "Sora"
New fuel cell route bus “Sora”

Toyota trocou 10 tanques por apenas 3 e conseguiu aumentar a autonomia

Para entender a dimensão da mudança, é preciso comparar o novo Sora com o modelo lançado em 2018.

A primeira geração utilizava dez tanques de hidrogênio, com capacidade interna total de 600 litros. O sistema de propulsão elétrica foi desenvolvido a partir da tecnologia utilizada pela Toyota em seus automóveis movidos a células de combustível, como o Mirai.

No novo Sora, a configuração foi completamente reformulada.

Agora são apenas três tanques de alta pressão, com capacidade total de 471 litros. Embora cada reservatório seja maior, a quantidade total de tanques caiu drasticamente.

O resultado é uma redução de aproximadamente 21,5% na capacidade volumétrica de armazenamento em relação à geração anterior.

Seria natural imaginar que menos capacidade significaria também menos quilômetros percorridos. A Toyota, entretanto, anunciou exatamente o contrário.

Segundo suas medições, a autonomia aumentou aproximadamente 100 quilômetros e agora supera os 300 quilômetros por abastecimento.

A explicação está no aproveitamento mais eficiente da energia. O novo Sora utiliza uma célula de combustível aprimorada, combinada com uma bateria de maior capacidade, para administrar melhor a eletricidade necessária à movimentação do ônibus.

Isso não significa que ele consiga percorrer essa distância em qualquer situação. A própria fabricante esclarece que os números são valores de referência e podem variar conforme a temperatura, as condições do trânsito, a quantidade de passageiros e o funcionamento do ar-condicionado.

Ainda assim, a comparação demonstra um avanço importante: o ganho de autonomia anunciado veio acompanhado de uma redução na capacidade dos tanques, e não de seu aumento.

Como um ônibus consegue andar usando hidrogênio no lugar do diesel?

Apesar de ser abastecido com hidrogênio, o Toyota Sora não funciona como um ônibus convencional com motor a combustão. Seu funcionamento é mais próximo do de um veículo elétrico. A diferença está na origem da eletricidade.

Em um ônibus elétrico convencional, a energia é armazenada em baterias que precisam ser recarregadas. No Sora, parte da eletricidade é produzida durante a operação por uma célula de combustível que utiliza o hidrogênio armazenado nos tanques e o oxigênio presente no ar.

Essa reação eletroquímica produz eletricidade para alimentar o sistema de propulsão. O subproduto liberado localmente é água, sem emissão direta de dióxido de carbono pelo escapamento durante o funcionamento.

O modelo também possui bateria de íons de lítio, que trabalha em conjunto com a célula de combustível.

A energia movimenta dois motores elétricos de indução, cada um com potência máxima de 110 kW. Juntos, eles entregam 220 kW, equivalentes a aproximadamente 299 cv, além de torque combinado de 970 Nm.

Não se trata de potência voltada para velocidade esportiva. Em um veículo destinado a transportar dezenas de pessoas, a principal função desse conjunto é oferecer movimentação estável, aceleração suave e capacidade para enfrentar o trânsito urbano.

A Toyota também desenvolveu uma nova célula de combustível com potência máxima de 113 kW, projetada para aplicações comerciais e instalada de maneira compacta na parte superior do ônibus.

Ônibus de 10,5 metros transporta até 70 pessoas e pode abastecer em dez minutos

O novo Toyota Sora possui 10,545 metros de comprimento, 2,485 metros de largura e 3,440 metros de altura na configuração urbana apresentada pela fabricante.

A capacidade máxima dessa versão é de 70 ocupantes, distribuídos entre 19 passageiros sentados, 50 em pé e o motorista.

Para operadores de transporte público, entretanto, uma das características mais relevantes pode ser o tempo necessário para abastecer o veículo.

Segundo a Toyota, o Sora consegue completar o reabastecimento de hidrogênio em aproximadamente dez minutos, dependendo da capacidade da estação e das condições ambientais.

O modelo também foi preparado para um padrão mais rápido de abastecimento que, quando houver postos compatíveis, poderá reduzir esse tempo aproximadamente pela metade.

Portanto, os cinco minutos são uma possibilidade futura de infraestrutura, não o tempo atualmente garantido em qualquer estação.

A vantagem operacional pretendida é clara: um ônibus capaz de percorrer centenas de quilômetros pode retornar ao serviço após uma parada relativamente curta para abastecimento.

Isso é particularmente relevante em linhas urbanas que precisam manter veículos disponíveis durante boa parte do dia.

O desafio é que estações capazes de armazenar e fornecer hidrogênio em alta pressão ainda não possuem a mesma disponibilidade das instalações convencionais de diesel ou das redes elétricas.

Toyota e Isuzu desenvolveram um ônibus com piso plano, sem degraus internos

Além de modificar a propulsão, a Toyota reformulou a plataforma do Sora. A segunda geração foi desenvolvida em parceria com a Isuzu e utiliza como base uma arquitetura criada originalmente para ônibus urbanos elétricos a bateria.

Uma das principais mudanças está no interior. O piso agora é completamente plano de uma extremidade à outra, eliminando degraus que dificultam o deslocamento de passageiros.

O objetivo é facilitar o acesso de idosos, pessoas com mobilidade reduzida, usuários de cadeiras de rodas e passageiros acompanhados de carrinhos de bebê.

Também está previsto um sistema opcional de fixação de cadeiras de rodas com acionamento simplificado. Segundo a fabricante, esse equipamento poderá ser encomendado a partir de aproximadamente abril de 2027.

O novo modelo conta ainda com quatro configurações, sendo duas destinadas a operações urbanas e duas ao transporte suburbano, com diferentes distribuições dos assentos.

Dessa maneira, a Toyota pretende oferecer um veículo que possa atender a diferentes necessidades das empresas de transporte.

Se o motorista passar mal, o ônibus pode reduzir a velocidade e parar sozinho

Outro recurso do novo Sora chama atenção pela segurança. O veículo possui um sistema que monitora a condição do motorista e pode identificar situações nas quais o condutor não esteja em condições de continuar dirigindo.

Quando uma situação anormal é detectada, o sistema de parada de emergência pode reduzir a velocidade do ônibus e interromper sua movimentação de maneira controlada.

Depois de parar, o veículo aciona automaticamente o freio de estacionamento.

A solução busca reduzir os riscos de acidentes provocados por mal súbito ou incapacidade repentina do motorista.

Há também um monitor de ponto cego frontal, desenvolvido para identificar pedestres e ciclistas que estejam próximos à dianteira do ônibus e alertar o condutor.

Essas tecnologias têm importância especial em veículos urbanos de grande porte, que circulam próximos a calçadas, cruzamentos e pontos de ônibus movimentados.

O Sora também pode fornecer eletricidade a equipamentos externos por meio de uma unidade de alimentação adicional, permitindo sua utilização como fonte emergencial de energia em situações de desastre.

Por que a Toyota continua apostando no hidrogênio enquanto outras fabricantes investem em baterias?

O novo Sora evidencia uma diferença importante na estratégia da indústria automotiva. Diversas fabricantes concentram seus esforços em ônibus elétricos abastecidos diretamente pela rede de energia. A Toyota, por sua vez, continua desenvolvendo também a alternativa das células de combustível.

O hidrogênio oferece a possibilidade de reabastecimento relativamente rápido, especialmente interessante para veículos comerciais que precisam circular por longas jornadas.

Entretanto, isso não significa que essa tecnologia seja automaticamente superior aos ônibus elétricos convencionais.

A produção, a compressão, o transporte e o armazenamento do hidrogênio envolvem custos e consumo de energia. Além disso, a emissão total de gases de efeito estufa depende de como esse hidrogênio é produzido.

Quando ele é obtido a partir de combustíveis fósseis sem medidas eficazes de redução de emissões, o benefício ambiental ao longo da cadeia produtiva pode ser consideravelmente menor do que aquele sugerido pela ausência de poluentes no escapamento.

Já o uso de hidrogênio produzido com eletricidade renovável pode reduzir esse impacto, embora continue sujeito aos desafios de custo e infraestrutura.

Em outras palavras, a discussão não depende apenas de saber qual ônibus consegue percorrer mais quilômetros.

Para as empresas de transporte, também importam o preço do veículo, o custo do combustível, a manutenção e a disponibilidade de instalações de abastecimento.

É justamente nesse cenário que a Toyota tenta tornar o Sora mais competitivo.

O novo ônibus a hidrogênio da Toyota será vendido no Brasil?

O novo Toyota Sora foi lançado oficialmente no Japão em 5 de outubro de 2026.

Até o momento, não existe anúncio oficial de comercialização dessa segunda geração no Brasil. A fabricante também não apresentou, no comunicado internacional de lançamento, um preço de venda para o mercado brasileiro.

O fato de o ônibus utilizar tecnologia desenvolvida pela Toyota e pela Isuzu não significa que exista uma operação de vendas confirmada para cidades brasileiras.

Uma eventual chegada dependeria de decisões comerciais, regulamentação e, principalmente, da disponibilidade de infraestrutura adequada de abastecimento com hidrogênio.

Mesmo assim, o novo Sora apresenta um exemplo relevante de evolução tecnológica no transporte coletivo.

A fabricante conseguiu reduzir de dez para três a quantidade de reservatórios, diminuir a capacidade total de armazenamento de 600 para 471 litros e anunciar mais de 300 quilômetros de autonomia, aproximadamente 100 quilômetros a mais que a geração anterior.

Tudo isso em um veículo capaz de transportar 70 pessoas, com dois motores elétricos, piso completamente plano e sistemas avançados de assistência ao motorista.

Mais do que apenas substituir o diesel, a Toyota tenta demonstrar que a eficiência de um veículo pode melhorar mesmo quando ele passa a carregar menos capacidade de combustível.

Você gostaria de ver ônibus como esse circulando nas cidades brasileiras? Acredita que o hidrogênio pode competir com os ônibus elétricos a bateria e os tradicionais modelos a diesel? Compartilhe sua opinião e acompanhe o CPG para mais histórias sobre veículos extraordinários, tecnologias surpreendentes e novidades que estão transformando o transporte mundial.

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Flavia Marinho

Flavia Marinho é Engenheira pós-graduada, com vasta experiência na indústria de construção naval onshore e offshore. Nos últimos anos, tem se dedicado a escrever artigos para sites de notícias nas áreas militar, segurança, indústria, petróleo e gás, energia, construção naval, geopolítica, empregos e cursos. Entre em contato com flaviacamil@gmail.com ou WhatsApp +55 21 973996379 para correções, sugestão de pauta, divulgação de vagas de emprego ou proposta de publicidade em nosso portal.

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