Tamara Klink transformou oito meses de isolamento no Ártico em “Bom Dia, Inverno”, chegou ao topo do ranking Nielsen-PublishNews e passou a incentivar empréstimos, trocas e doações do livro.
Em 2026, a navegadora e escritora Tamara Klink, de 29 anos, alcançou um dos resultados mais expressivos de sua trajetória literária ao colocar “Bom Dia, Inverno” entre os livros mais vendidos do Brasil. A obra chegou ao primeiro lugar da lista geral do ranking Nielsen-PublishNews em julho, com 9.560 exemplares comercializados no período.
O sucesso chamou atenção não apenas pelo desempenho do livro, mas pela reação da própria autora. Em vez de pedir que seus leitores continuassem comprando novos exemplares, Tamara publicou um vídeo nas redes sociais com uma orientação incomum: “não comprem mais esse livro”. Para ela, já existem unidades suficientes circulando pelo país e chegou o momento de compartilhá-las.
Bom Dia, Inverno colocou Tamara Klink no topo dos livros mais vendidos do Brasil em 2026
O livro que levou Tamara ao primeiro lugar nacional foi lançado pela Companhia das Letras em 5 de maio de 2026 e possui 256 páginas. A obra reúne as experiências vividas pela navegadora durante uma longa temporada no Ártico e passou a aparecer continuamente nas listas de maior venda poucos meses depois de chegar às livrarias.
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O desempenho mais expressivo ocorreu em julho de 2026. Segundo o ranking Nielsen-PublishNews, Bom Dia, Inverno terminou o período na primeira colocação da lista geral, com 9.560 exemplares vendidos. A própria Tamara afirmou que o livro já estava entre os mais vendidos do Brasil havia três meses e ocupava o topo havia pelo menos dois.
Mais do que celebrar o crescimento das vendas, a autora decidiu usar o resultado para propor outra relação entre leitores e livros. Tamara considera que os milhares de exemplares já comprados podem alcançar novas pessoas sem que seja necessário produzir uma unidade diferente para cada leitor.
Livro nasceu de oito meses em que Tamara viveu sozinha em um pequeno veleiro no Ártico
A história apresentada em Bom Dia, Inverno começou entre outubro de 2023 e maio de 2024, quando Tamara permaneceu aproximadamente oito meses sozinha em um pequeno veleiro no Ártico. Durante parte dessa experiência, a embarcação ficou presa pelo gelo em um fiorde da Groenlândia.
A navegadora enfrentou temperaturas extremamente baixas, longos períodos sem contato humano e semanas marcadas pela escuridão do inverno polar. Em uma das fases mais extremas da viagem, Tamara passou 86 dias sem ver o Sol, condição que transformou completamente sua rotina dentro da embarcação.
A experiência acabou se tornando a base do livro lançado dois anos depois. O relato, porém, não se limita às dificuldades de navegar e permanecer sozinha em uma das regiões mais frias do planeta. Tamara também utiliza a jornada para refletir sobre liberdade, solidão, consumo, mudanças climáticas e diferentes formas de viver.

Isolamento na Groenlândia virou reflexão sobre consumo, liberdade e mudanças climáticas
A proposta de “Bom Dia, Inverno” ultrapassa a narrativa tradicional de uma expedição marítima. Ao contar como viveu durante meses em um barco cercado pelo gelo, Tamara apresenta questionamentos sobre a quantidade de recursos necessários para viver, a relação das pessoas com os objetos e o impacto das escolhas humanas.
Essas reflexões ajudam a explicar o posicionamento adotado pela autora depois do sucesso comercial. Tamara considera contraditório defender uma relação mais consciente com o consumo e, ao mesmo tempo, estimular compras indefinidas de um livro que já está presente em milhares de casas.
Foi essa percepção que levou a navegadora a pedir publicamente que novos leitores procurem exemplares já existentes. Para ela, a circulação de um único livro entre diferentes pessoas pode ampliar o alcance da obra sem transformar cada leitura em uma nova compra.
Tamara Klink pediu que leitores emprestem, doem e façam os livros circularem
O pedido publicado nas redes sociais foi direto. Tamara incentivou quem já possui “Bom Dia, Inverno” a emprestar o livro para familiares, amigos, colegas de trabalho ou qualquer outra pessoa interessada na leitura. A autora também sugeriu doações e trocas como formas de ampliar o acesso.
A ideia parte da visão de que um livro não precisa permanecer parado em uma estante depois de terminar sua função para o primeiro leitor. Na avaliação da escritora, fazer o mesmo exemplar circular permite que mais pessoas tenham contato com a história e atribuam novas experiências ao objeto.
Tamara chegou a destacar que marcas de uso, anotações e sinais deixados pelos leitores não diminuem necessariamente o valor de um livro. Pelo contrário, para ela, essas características podem representar as diferentes pessoas que tiveram contato com aquela obra ao longo do tempo.
Produção de livros também motivou pedido para reduzir compra de novos exemplares
A preocupação ambiental aparece como outro ponto central da mensagem de Tamara. A autora lembra que cada livro físico depende de papel, energia e outros recursos naturais para ser produzido, transportado e colocado à disposição dos leitores.
Por essa razão, ela considera triste que um exemplar seja lido apenas uma vez e depois permaneça esquecido. Na visão da navegadora, quanto mais vezes o mesmo livro for utilizado, maior será o aproveitamento dos recursos empregados em sua produção.
A proposta apresentada por Tamara não significa interromper completamente a circulação comercial da obra. O objetivo declarado é aproveitar melhor os milhares de exemplares que já existem e estimular leitores a pensar no compartilhamento como parte da experiência de leitura.
Bibliotecas também passaram a fazer parte da campanha de Tamara Klink
Tamara também direcionou sua mensagem às bibliotecas. A escritora pediu que seguidores indiquem instituições que ainda não tenham “Bom Dia, Inverno” em seus acervos, permitindo que exemplares sejam encaminhados para locais onde várias pessoas possam utilizá-los.
A proposta reforça a ideia de que uma mesma unidade pode alcançar um número muito maior de leitores quando permanece em circulação. Bibliotecas, familiares, colegas e amigos aparecem como caminhos possíveis para prolongar a vida útil de cada exemplar.
O pedido feito pela autora ganhou ainda mais repercussão justamente por ter surgido quando o livro ocupava o topo das vendas. Em vez de aproveitar a visibilidade para estimular novas compras, Tamara decidiu transformar o sucesso comercial em uma discussão sobre acesso, consumo e compartilhamento.
Sucesso de Bom Dia, Inverno levou Tamara Klink a defender uma nova relação com os livros
A trajetória de “Bom Dia, Inverno” ganhou uma característica pouco comum no mercado editorial brasileiro. Depois de alcançar a primeira colocação nacional e vender 9.560 exemplares somente em julho de 2026, o próprio sucesso passou a ser usado pela autora como argumento para reduzir novas compras.
Para Tamara, livros existem principalmente para serem lidos, compartilhados e transformados em experiências na imaginação de diferentes pessoas. Um exemplar que passa por várias mãos, portanto, consegue cumprir esse papel durante muito mais tempo.
A história passou a reunir dois movimentos distintos. Primeiro, Tamara transformou oito meses de isolamento no Ártico em um dos maiores sucessos editoriais de sua carreira. Depois, decidiu usar a própria popularidade do livro para pedir que leitores parem de acumular exemplares e comecem a fazê-los circular.
