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Surto de produção de petróleo no Brasil desperta desejo de Bolsonaro em entrar na OPEP, mas isso seria um bom negócio?

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Escrito por Paulo Nogueira Publicado em 29/11/2019 às 09:42 Atualizado em 29/11/2019 às 10:41

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Em um fórum de outubro na Arábia Saudita, o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, sugeriu que gostaria de ver o Brasil se juntar à OPEP. Se um casamento desse tipo se concretizar, a OPEP será a vencedora e o Brasil o perdedor de longe, disse o grupo de inteligência energética Rystad Energy.

O Brasil experimentou um tremendo surto na produção de petróleo, impulsionado pelo desenvolvimento de seus recursos no pré-sal. No entanto, levar a produção de petróleo do Brasil ao seu nível atual certamente não foi barato. A Petrobras pagou mais de 78% da conta de US $ 396 bilhões do Brasil em exploração (excluindo custos de poços secos), desenvolvimento e operações de 2010 a 2018. Isso, em 2014, fez da Petrobras a empresa de E&P listada mais endividada do mundo. A Petrobras contaria com as receitas de sua produção crescente para ajudar a escalar sua montanha de dívidas.

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Segundo a Rystad, os cortes de produção exigidos pela OPEP em seus projetos ameaçariam as tentativas da Petrobras de reduzir a engrenagem. A Petrobras não precisa da OPEP – precisa reduzir sua dívida ainda substancial.

Os participantes estabelecidos com atividades no Brasil não precisam da OPEP – eles buscam retornos sobre investimentos já consideráveis, disse Rystad. Os novos participantes que mordiscam os clusters de desinvestimento da Petrobras não precisam da OPEP – eles querem estabilizar e até aumentar a produção em suas aquisições.

O setor de serviços de campos petrolíferos não precisa da OPEP – ela preferiria aumentar os níveis de produção para garantir mais negócios.

O Brasil foi convidado a se juntar à OPEP anteriormente também; então o governo afirmou que, de acordo com a lei brasileira, não pode interferir nas operações de produção. Então, mesmo o governo brasileiro realmente não precisa da OPEP. Ninguém no Brasil parece interessado na dieta da OPEP, concluiu Rystad.

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Paulo Nogueira

Técnico em Elétrica desde 2008, formado pelo Instituto Federal Fluminense (IFF), antigo CEFET, uma das mais tradicionais instituições de ensino técnico do Brasil. Atuou por diversos anos nas áreas de petróleo e gás offshore, energia e construção, experiência que hoje aplica na produção de conteúdo especializado sobre o setor energético. Com mais de 8 mil publicações em revistas e portais online, dedica-se à cobertura do mercado de trabalho, petróleo e gás, energia, economia, renováveis e empreendedorismo. Para dúvidas, sugestões ou correções, entre em contato pelo e-mail paulohsnogueira@gmail.com. Este canal não recebe currículos.

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