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Submarino alemão foi colocado sobre 144 pneus, percorreu cerca de 300 metros sobre terra e depois desceu quatro andares durante uma operação de dois dias para terminar preservado dentro de um museu em Chicago, décadas depois de atravessar 3.000 milhas e 28 eclusas até chegar à cidade

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Escrito por Carla Teles Publicado em 08/08/2026 às 13:25
Submarino alemão foi colocado sobre 144 pneus, percorreu cerca de 300 metros sobre terra e depois desceu quatro andares durante uma operação de dois dias para terminar preservado (4)
Em Chicago, submarino alemão U-505 foi movido sobre 144 pneus antes de descer quatro andares para sua nova galeria no museu. Imagem: Wikimedia
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O submarino alemão U-505 foi movimentado em abril de 2004 sobre 18 conjuntos de dollies com 144 pneus, percorreu cerca de 300 metros até uma nova galeria em Chicago e depois desceu quatro andares em dois dias completos, décadas após ter sido rebocado por 3.000 milhas até a cidade histórica.

O submarino alemão U-505 já estava havia décadas em Chicago quando precisou enfrentar uma nova operação logística de grandes proporções. Em abril de 2004, a embarcação foi apoiada sobre 18 conjuntos móveis equipados com oito pneus cada, totalizando 144 pneus, e percorreu aproximadamente 1.000 pés, cerca de 305 metros, antes de ser posicionada sobre estruturas que permitiriam sua descida para uma galeria construída quatro andares abaixo.

Os dados constam nas páginas oficiais de conservação, relocação e primeira exposição do U-505 mantidas pelo Kenneth C. Griffin Museum of Science and Industry, consultadas em 8 de agosto de 2026; as páginas não exibem uma data individual de publicação. O museu registra que a movimentação de 2004 ocorreu cerca de meio século depois da primeira viagem monumental da embarcação até Chicago, quando o U-505 percorreu 3.000 milhas rebocado desde Portsmouth, passou por 28 eclusas e atravessou quatro dos cinco Grandes Lagos.

Exposição ao ar livre tornou necessária uma nova solução

Em Chicago, submarino alemão U-505 foi movido sobre 144 pneus antes de descer quatro andares para sua nova galeria no museu.
Imagem: Griffin Museum of Science +Industry

Quando chegou a Chicago em 1954, o U-505 foi instalado como peça permanente do museu e permaneceu durante décadas exposto às condições climáticas da cidade. Segundo a instituição, um submarino alemão daquele período havia sido projetado para uma vida operacional muito menor, enquanto o exemplar preservado enfrentou cerca de 50 anos de chuva, neve, mudanças de temperatura e outras formas de desgaste ao ar livre.

Em 1997, o museu iniciou seu maior projeto de conservação de exposição até então. A meta não era simplesmente restaurar o casco, mas transferir a embarcação para um ambiente interno com controle climático, evitando que a deterioração chegasse ao ponto de comprometer a segurança das visitas. O trabalho necessário para garantir a integridade estrutural levou mais de dois anos.

Casco passou por reparos antes de voltar a se mover

Em Chicago, submarino alemão U-505 foi movido sobre 144 pneus antes de descer quatro andares para sua nova galeria no museu.
Imagem: Griffin Museum of Science +Industry

Uma equipe trabalhou durante meses soldando, limpando, reparando e repintando o U-505. Peças estruturais foram refeitas com auxílio de desenhos originais recuperados na Alemanha e de componentes deteriorados usados como referência, enquanto reforços foram instalados especialmente nos pontos que receberiam macacos hidráulicos e apoios durante a movimentação.

A preparação era indispensável porque o submarino alemão teria de suportar novamente forças para as quais uma peça histórica de décadas não poderia ser considerada automaticamente preparada. O deslocamento envolveria transferência de peso, passagem por terreno irregular, suspensão sobre grandes vigas e, finalmente, uma descida vertical até o piso de sua nova casa.

Dezoito conjuntos móveis colocaram 144 pneus sob o U-505

Em Chicago, submarino alemão U-505 foi movido sobre 144 pneus antes de descer quatro andares para sua nova galeria no museu.
Imagem: Wikimedia Commons

Para executar a mudança, o museu contratou a NORSAR Inc., empresa apresentada pela instituição como experiente no transporte de grandes objetos navais. A solução escolhida colocou a embarcação sobre 18 conjuntos de dollies, cada um equipado com oito pneus, o que corresponde a um total de 144 pneus sustentando e distribuindo a carga durante parte da viagem terrestre.

Cada conjunto possuía sistemas hidráulicos ajustáveis individualmente. Isso permitia adaptar a distribuição do peso quando o terreno apresentava irregularidades e controlar separadamente os módulos durante a condução. Em vez dos trilhos e roletes empregados quando o U-505 chegou ao museu em 1954, a segunda grande mudança usou dezenas de pneus e controle hidráulico.

Submarino percorreu cerca de 300 metros por terra

Em Chicago, submarino alemão U-505 foi movido sobre 144 pneus antes de descer quatro andares para sua nova galeria no museu.
Imagem: Wikimedia Commons

Durante vários dias de abril de 2004, a equipe conduziu o submarino alemão por aproximadamente 1.000 pés, equivalentes a cerca de 305 metros. O destino era uma nova área de exposição com aproximadamente 75 pés de largura, 300 pés de comprimento e 42 pés de profundidade, construída para receber a embarcação em ambiente fechado.

A distância era pequena diante das milhares de milhas percorridas meio século antes, mas a dificuldade era de outro tipo. Era necessário deslocar uma peça histórica gigantesca com precisão suficiente para alinhá-la à abertura da nova galeria, preservando tanto o casco quanto as estruturas que haviam acabado de passar por anos de restauração e reforço.

Quatro enormes vigas receberam a embarcação

Em Chicago, submarino alemão U-505 foi movido sobre 144 pneus antes de descer quatro andares para sua nova galeria no museu.
Imagem: Wikimedia Commons

Ao alcançar a nova galeria, o U-505 foi erguido e apoiado sobre placas de Teflon, utilizadas para diminuir o atrito. A embarcação então precisou avançar sobre quatro grandes vigas de aço posicionadas sobre o espaço profundo onde ficaria a exposição definitiva.

Essa etapa marcou a passagem entre o deslocamento horizontal e o momento mais delicado da operação. Depois de percorrer o terreno sobre 144 pneus, o submarino precisaria deixar de avançar sobre rodas e começar a descer controladamente por uma distância equivalente à altura de quatro andares.

Descida equivalente a quatro andares levou dois dias

Grandes macacos hidráulicos foram usados para receber a embarcação e iniciar o rebaixamento até o piso inferior. De acordo com o museu, o submarino alemão desceu o equivalente a quatro andares em uma operação que levou dois dias, até finalmente alcançar a posição projetada dentro da nova galeria.

O processo terminou com o U-505 instalado precisamente no espaço de exposição. A operação combinou 18 conjuntos de dollies, 144 pneus, placas de baixo atrito, quatro grandes vigas de aço e sistemas hidráulicos para conduzir uma embarcação histórica por cerca de 300 metros e depois baixá-la quatro pavimentos.

Meio século antes, desafio havia começado com 3.000 milhas

A mudança de 2004 repetia, em escala diferente, um problema que Chicago já havia enfrentado em 1954. Em 15 de maio daquele ano, um rebocador partiu de Portsmouth, em New Hampshire, levando o U-505 em uma viagem de aproximadamente 3.000 milhas. O percurso passou por 28 eclusas e por quatro dos cinco Grandes Lagos antes de chegar a Chicago em 26 de junho.

Quando alcançou o Lago Michigan, ainda restavam aproximadamente 800 pés, cerca de 244 metros, até o museu. Engenheiros desenvolveram um sistema de trilhos e roletes para tirar o submarino da água e movê-lo por terra. Na noite de 2 de setembro de 1954, Chicago fechou a Lake Shore Drive para que a embarcação pudesse cruzar a avenida, e o restante da viagem terrestre demorou aproximadamente mais uma semana.

Chicago arrecadou dinheiro para evitar a destruição do submarino

A presença do U-505 no museu só ocorreu porque seu destino foi alterado depois da Segunda Guerra Mundial. Em 1946, após retirar da embarcação as informações e tecnologias que considerava necessárias, a Marinha dos Estados Unidos planejava utilizá-la como alvo. O almirante aposentado Daniel V. Gallery, natural de Chicago, passou então a buscar uma forma de preservar o submarino em sua cidade.

Em 1953, Gallery e o então presidente do museu, Lenox Lohr, conseguiram a transferência da embarcação. A Marinha, porém, não assumiria as despesas. O museu, a cidade e grupos privados reuniram aproximadamente US$ 250 mil para reparar, transportar e instalar o U-505, dando início à primeira das duas enormes operações logísticas que definiriam sua história como peça de exposição.

Em 1954, U-505 virou exposição permanente em Chicago

O U-505 foi dedicado oficialmente como memorial de guerra e exposição permanente em 25 de setembro de 1954. Em 1989, tornou-se também um National Historic Landmark. O Griffin Museum informa que a embarcação continua sendo atualmente o único U-boat do tipo IX-C existente.

Essa preservação explica por que tantas décadas depois foi necessário investir novamente em engenharia pesada para protegê-lo. O submarino alemão que escapou da destruição após a guerra não poderia simplesmente ser abandonado ao desgaste climático quando sua estrutura começou a exigir uma solução definitiva, levando ao projeto de conservação e relocação iniciado em 1997.

144 pneus encerraram uma viagem iniciada décadas antes

A operação de 2004 colocou uma embarcação militar histórica sobre 144 pneus, conduziu o U-505 por cerca de 300 metros, transferiu o casco para grandes vigas e realizou uma descida equivalente a quatro andares durante dois dias. O resultado foi a instalação do submarino alemão dentro de uma galeria climatizada, encerrando décadas de exposição ao tempo em Chicago.

A trajetória fica ainda mais incomum quando as duas mudanças são colocadas lado a lado: em 1954 foram 3.000 milhas, 28 eclusas, quatro Grandes Lagos, uma avenida fechada e trilhos com roletes; meio século depois vieram 144 pneus e uma descida de quatro pavimentos. Para você, qual operação parece mais impressionante: levar o U-505 até Chicago ou colocá-lo definitivamente dentro do museu? Conte sua opinião nos comentários.

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Carla Teles

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