A subida da Serra de São Vicente virou um funil de quatro dias na BR-364, com uma única faixa liberada, sinal alternado nos dois sentidos e duas paradas totais por dia, justamente no corredor por onde a produção de Mato Grosso sai do estado por asfalto
A operação é da concessionária Nova Rota do Oeste e acontece na Serra de São Vicente, no trecho da BR-364 que liga Rondonópolis a Cuiabá.
Quem sobe a serra carregado sabe o que uma faixa única significa. Não é só perder tempo, é perder a janela inteira do dia de viagem.
Segundo a concessionária, o trabalho é de poda de árvores e retirada de vegetação, para reduzir o risco de queda de árvore sobre a pista.
-
Produtor rural que escoa a safra pela BR-464 entre Delfinópolis e Sacramento encara 200 quilômetros a mais e uma travessia de balsa se a ponte do Ribeirão Forquilha fechar de vez, depois de o laudo apontar agravamento nos apoios das vigas
-
Motoristas da BR-277 ganham mais 4,5 quilômetros de terceira faixa entre Curitiba e o litoral, e trecho ampliado em São José dos Pinhais chega a 32 quilômetros
-
Motoristas de carros elétricos podem ganhar novos pontos em postos ALE após parceria com rede de 145 conectores, 290 mil recargas e 35 mil usuários
-
Trabalhadores da manutenção aeronáutica ganham cerca de 200 posições com a chegada dos Embraer E2 à Latam, que estreia em novembro e poderá operar até 74 jatos
A concessionária montou uma operação Pare e Siga de quatro dias na serra
O esquema é o clássico Pare e Siga: uma faixa liberada, os dois sentidos revezando, e alguém controlando quem passa e quem espera.
São quatro dias no total, entre 8 e 11 de setembro de 2026, divididos em dois blocos de dois dias, cada um em um sentido.
Conforme o G1 Mato Grosso, a programação foi divulgada antes do início, no aviso sobre a interdição parcial da Serra de São Vicente publicado pelo portal.
Nos dias 8 e 9 o bloqueio pega o sentido norte, entre os km 343 e 352
Nos dias 8 e 9 de setembro, a restrição fica no sentido norte, do km 343 ao km 352 da BR-364, o que dá 9 quilômetros.
Nove quilômetros parecem pouco no mapa. Em serra, com caminhão pesado e rampa longa, viram um trecho que o motorista atravessa devagar mesmo sem obra.
De acordo com a concessionária, o bloqueio não é contínuo: durante a janela de meia pista o trânsito segue passando, só que em comboios alternados.
O sentido norte aponta para Cuiabá, portanto pega quem segue de Rondonópolis rumo à capital com a carreta carregada e horário para cumprir.

Nos dias 10 e 11 a obra troca de lado e vai para a variante da serra
Nos dias 10 e 11 de setembro, a operação muda para o sentido sul, do km 0 ao km 11 da variante da Serra de São Vicente.
São 11 quilômetros nesse segundo bloco, dois a mais que no primeiro, e a quilometragem recomeça do zero porque a variante tem numeração própria.
Dessa forma, quem desce para Rondonópolis nos dois últimos dias enfrenta o mesmo esquema de espera, só que no outro lado da serra.
O fluxo alterna a cada 30 minutos, um sentido de cada vez
O intervalo é de 30 minutos para cada sentido. Portanto, quem chega logo depois do sinal fechar tem meia hora de espera pela frente.
Meia hora parada não é sempre meia hora. Se a fila acumula mais veículos do que cabe em uma janela, parte do comboio espera o ciclo seguinte.
É aí que o gargalo aparece. A fila não anda no ritmo do relógio, anda no ritmo do veículo mais lento que entrou no trecho.
A pista fecha inteira às 7h30 e só reabre em meia faixa às 8h30
A rotina diária começa cedo. Às 7h30 o trecho fecha por completo, para que as equipes instalem a sinalização do dia.
Enquanto a sinalização é montada, ninguém passa. Uma hora inteira de estrada fechada logo no começo da manhã pesa em qualquer programação de entrega.
Uma hora depois, às 8h30, meia pista é liberada e o Pare e Siga entra em operação, com os dois sentidos dividindo a mesma faixa.
Quem sai de Rondonópolis de madrugada pode chegar na serra bem na hora do fechamento total, e aí não existe alternativa senão esperar a hora passar.

Às 16h30 o trecho para outra vez e a liberação total sai às 17h
No fim da tarde a cena se repete. Às 16h30 há nova interdição total, e a liberação completa só acontece às 17h.
São dois fechamentos totais por dia, um no começo e outro no fim do expediente da equipe, cada um cravado em horário que a maioria não consulta.
Depois das 17h a pista volta ao normal, o que dá alívio para quem viaja à noite e nenhum alívio para quem precisa rodar de dia.
São 9h30 por dia de trânsito espremido em uma faixa só
Somando tudo, a janela diária de operação restrita é de 9h30, contando do primeiro fechamento até a liberação total do fim da tarde.
Nove horas e meia cobrem exatamente o miolo do dia produtivo, ou seja, o período que quase todo mundo escolhe para viajar.
Multiplicado por quatro dias, o efeito soma. Contudo, não há número divulgado de veículos afetados nem estimativa de tempo perdido por caminhão.
O motivo declarado é poda de árvores e retirada de vegetação
A justificativa da Nova Rota do Oeste é preventiva: podar árvores e retirar vegetação para diminuir o risco de queda de árvore sobre a pista.
Faz sentido em serra, onde o barranco costuma ficar colado na faixa e uma árvore que cede não tem para onde cair senão na estrada.
Além disso, não foram divulgados o número de árvores podadas nem a extensão da vegetação retirada, então dá para medir o transtorno, não o serviço.

Meia pista em serra não vira meia velocidade, vira fila parada
Em pista dupla, o caminhão lento é ultrapassado e a fila se desfaz sozinha. Em faixa única, ele passa a ditar a velocidade de todo mundo atrás.
Por isso meia pista em serra pesa mais do que meia pista em reta. A rampa já cobra torque, e a fila cobra o resto.
Fico imaginando o motorista que parou meia hora, subiu atrás de um comboio inteiro e chegou ao topo com o horário de descarga já perdido.
A BR-364 é a saída rodoviária do estado e a serra fica no meio dela
A BR-364 concentra o fluxo rodoviário que sai de Mato Grosso, e a Serra de São Vicente está bem no meio do caminho entre Rondonópolis e Cuiabá.
É difícil não ver por que qualquer restrição ali vira assunto de estado inteiro, mesmo quando dura só quatro dias e tem hora marcada para acabar.
Olhando assim, é o tipo de serviço que a vegetação obriga a repetir, mas nada foi anunciado além dessas quatro datas.
A operação termina em 11 de setembro. Até lá, quem sobe ou desce a serra precisa somar meia hora de espera à conta de cada viagem.
Quanto tempo você já perdeu numa fila de Pare e Siga que ninguém avisou antes de você entrar na serra?
