1. Início
  2. Logística e Transporte
  3. Caminhoneiro que sobe a Serra de São Vicente entre Rondonópolis e Cuiabá roda em meia pista até sexta-feira, com fluxo alternado a cada 30 minutos e dois fechamentos totais por dia entre os km 343 e 352 da BR-364
MT
Faça um comentário 5 min de leitura

Caminhoneiro que sobe a Serra de São Vicente entre Rondonópolis e Cuiabá roda em meia pista até sexta-feira, com fluxo alternado a cada 30 minutos e dois fechamentos totais por dia entre os km 343 e 352 da BR-364

Imagem de perfil do autor Douglas Avila
Escrito por Douglas Avila Publicado em 10/09/2026 às 21:04 Atualizado em 10/09/2026 às 21:31
Caminhão subindo rodovia entre morros com vegetação
  • Reação
1 pessoa reagiu a isso.
Reagir ao artigo
Prefira o CPG no Google

A subida da Serra de São Vicente virou um funil de quatro dias na BR-364, com uma única faixa liberada, sinal alternado nos dois sentidos e duas paradas totais por dia, justamente no corredor por onde a produção de Mato Grosso sai do estado por asfalto

A operação é da concessionária Nova Rota do Oeste e acontece na Serra de São Vicente, no trecho da BR-364 que liga Rondonópolis a Cuiabá.

Quem sobe a serra carregado sabe o que uma faixa única significa. Não é só perder tempo, é perder a janela inteira do dia de viagem.

Segundo a concessionária, o trabalho é de poda de árvores e retirada de vegetação, para reduzir o risco de queda de árvore sobre a pista.

A concessionária montou uma operação Pare e Siga de quatro dias na serra

O esquema é o clássico Pare e Siga: uma faixa liberada, os dois sentidos revezando, e alguém controlando quem passa e quem espera.

São quatro dias no total, entre 8 e 11 de setembro de 2026, divididos em dois blocos de dois dias, cada um em um sentido.

Conforme o G1 Mato Grosso, a programação foi divulgada antes do início, no aviso sobre a interdição parcial da Serra de São Vicente publicado pelo portal.

Nos dias 8 e 9 o bloqueio pega o sentido norte, entre os km 343 e 352

Nos dias 8 e 9 de setembro, a restrição fica no sentido norte, do km 343 ao km 352 da BR-364, o que dá 9 quilômetros.

Nove quilômetros parecem pouco no mapa. Em serra, com caminhão pesado e rampa longa, viram um trecho que o motorista atravessa devagar mesmo sem obra.

De acordo com a concessionária, o bloqueio não é contínuo: durante a janela de meia pista o trânsito segue passando, só que em comboios alternados.

O sentido norte aponta para Cuiabá, portanto pega quem segue de Rondonópolis rumo à capital com a carreta carregada e horário para cumprir.

Sinalização de obra com setas em curva de rodovia

Nos dias 10 e 11 a obra troca de lado e vai para a variante da serra

Nos dias 10 e 11 de setembro, a operação muda para o sentido sul, do km 0 ao km 11 da variante da Serra de São Vicente.

São 11 quilômetros nesse segundo bloco, dois a mais que no primeiro, e a quilometragem recomeça do zero porque a variante tem numeração própria.

Dessa forma, quem desce para Rondonópolis nos dois últimos dias enfrenta o mesmo esquema de espera, só que no outro lado da serra.

O fluxo alterna a cada 30 minutos, um sentido de cada vez

O intervalo é de 30 minutos para cada sentido. Portanto, quem chega logo depois do sinal fechar tem meia hora de espera pela frente.

Meia hora parada não é sempre meia hora. Se a fila acumula mais veículos do que cabe em uma janela, parte do comboio espera o ciclo seguinte.

É aí que o gargalo aparece. A fila não anda no ritmo do relógio, anda no ritmo do veículo mais lento que entrou no trecho.

A pista fecha inteira às 7h30 e só reabre em meia faixa às 8h30

A rotina diária começa cedo. Às 7h30 o trecho fecha por completo, para que as equipes instalem a sinalização do dia.

Enquanto a sinalização é montada, ninguém passa. Uma hora inteira de estrada fechada logo no começo da manhã pesa em qualquer programação de entrega.

Uma hora depois, às 8h30, meia pista é liberada e o Pare e Siga entra em operação, com os dois sentidos dividindo a mesma faixa.

Quem sai de Rondonópolis de madrugada pode chegar na serra bem na hora do fechamento total, e aí não existe alternativa senão esperar a hora passar.

Rodovia federal com placa de ponte e pista dupla

Às 16h30 o trecho para outra vez e a liberação total sai às 17h

No fim da tarde a cena se repete. Às 16h30 há nova interdição total, e a liberação completa só acontece às 17h.

São dois fechamentos totais por dia, um no começo e outro no fim do expediente da equipe, cada um cravado em horário que a maioria não consulta.

Depois das 17h a pista volta ao normal, o que dá alívio para quem viaja à noite e nenhum alívio para quem precisa rodar de dia.

São 9h30 por dia de trânsito espremido em uma faixa só

Somando tudo, a janela diária de operação restrita é de 9h30, contando do primeiro fechamento até a liberação total do fim da tarde.

Nove horas e meia cobrem exatamente o miolo do dia produtivo, ou seja, o período que quase todo mundo escolhe para viajar.

Multiplicado por quatro dias, o efeito soma. Contudo, não há número divulgado de veículos afetados nem estimativa de tempo perdido por caminhão.

O motivo declarado é poda de árvores e retirada de vegetação

A justificativa da Nova Rota do Oeste é preventiva: podar árvores e retirar vegetação para diminuir o risco de queda de árvore sobre a pista.

Faz sentido em serra, onde o barranco costuma ficar colado na faixa e uma árvore que cede não tem para onde cair senão na estrada.

Além disso, não foram divulgados o número de árvores podadas nem a extensão da vegetação retirada, então dá para medir o transtorno, não o serviço.

Rodovia federal em trecho reto com vegetação nas margens

Meia pista em serra não vira meia velocidade, vira fila parada

Em pista dupla, o caminhão lento é ultrapassado e a fila se desfaz sozinha. Em faixa única, ele passa a ditar a velocidade de todo mundo atrás.

Por isso meia pista em serra pesa mais do que meia pista em reta. A rampa já cobra torque, e a fila cobra o resto.

Fico imaginando o motorista que parou meia hora, subiu atrás de um comboio inteiro e chegou ao topo com o horário de descarga já perdido.

A BR-364 é a saída rodoviária do estado e a serra fica no meio dela

A BR-364 concentra o fluxo rodoviário que sai de Mato Grosso, e a Serra de São Vicente está bem no meio do caminho entre Rondonópolis e Cuiabá.

É difícil não ver por que qualquer restrição ali vira assunto de estado inteiro, mesmo quando dura só quatro dias e tem hora marcada para acabar.

Olhando assim, é o tipo de serviço que a vegetação obriga a repetir, mas nada foi anunciado além dessas quatro datas.

A operação termina em 11 de setembro. Até lá, quem sobe ou desce a serra precisa somar meia hora de espera à conta de cada viagem.

Quanto tempo você já perdeu numa fila de Pare e Siga que ninguém avisou antes de você entrar na serra?

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Tags
Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x