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Sem dinheiro para comprar instrumento na escola de música, jovem de Brasília passa a fabricar tambores com sucata e hoje fatura R$ 20 mil por mês vendendo até para a Europa

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Escrito por Carla Teles Publicado em 11/09/2026 às 11:13 Atualizado em 11/09/2026 às 11:21
Sem dinheiro para comprar instrumento na escola de música, jovem de Brasília passa a fabricar tambores com sucata e hoje fatura R$ 20 mil por mês vendendo até para a Europa (1)
Sem dinheiro para comprar instrumentos, o percussionista Felipe Fiúza passou a fabricá-los com sucata. Hoje, o Atabalde, feito de bombona plástica e PET, rende cerca de R$ 20 mil por mês. Imagem: @tambordesobra
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O músico e percussionista Felipe Fiúza, de Brasília, criou o Atabalde, tambor feito com bombona plástica e membrana de PET, depois de não conseguir comprar os instrumentos necessários para estudar na Escola de Música de Brasília.

O percussionista Felipe Fiúza, de Brasília, transformou a dificuldade de comprar instrumentos musicais em um negócio que hoje fatura cerca de R$ 20 mil por mês, fabricando tambores e instrumentos de percussão a partir de materiais reciclados.

A principal criação de Felipe é o Atabalde, tambor inspirado no atabaque tradicional, feito com uma bombona plástica e membrana de material PET. O produto tem tíquete médio de R$ 350 e já chegou a clientes de vários estados brasileiros e da Europa.

A dificuldade que deu origem ao negócio

Sem dinheiro para comprar instrumentos, o percussionista Felipe Fiúza passou a fabricá-los com sucata. Hoje, o Atabalde, feito de bombona plástica e PET, rende cerca de R$ 20 mil por mês.
Sem dinheiro para comprar instrumentos, o percussionista Felipe Fiúza passou a fabricá-los com sucata. Hoje, o Atabalde, feito de bombona plástica e PET, rende cerca de R$ 20 mil por mês.

A relação de Felipe Fiúza com a música começou ainda na infância. Filho de músico, ele cresceu cercado pelo universo da percussão e, para aprofundar os estudos, ingressou na Escola de Música de Brasília.

Foi ali que encontrou o primeiro obstáculo sério da carreira: a marimba, instrumento considerado essencial para sua formação como percussionista, tinha um preço fora do alcance da sua realidade financeira na época. Sem o instrumento, o aprendizado ficava travado, e foi esse impasse, comum a muitos estudantes de música no Brasil, que deu início a tudo o que viria depois.

De marimba caseira a fabricante para os colegas

Sem recursos para comprar o equipamento pronto, Felipe decidiu construir a própria marimba. O projeto deu certo, e o resultado chamou a atenção de colegas de escola que enfrentavam a mesma dificuldade para conseguir seus instrumentos. Assim, o que começou como solução pessoal virou também uma pequena produção sob encomenda: Felipe passou a montar marimbas para outros alunos da Escola de Música de Brasília.

Esse primeiro trabalho despertou nele o interesse pela fabricação de instrumentos musicais e abriu caminho para o empreendedorismo. Com o tempo, ele ampliou a atuação para oficinas, escolas e projetos sociais, espaços onde percebeu que a falta de instrumentos era um problema recorrente, não um caso isolado. Foi diante dessa carência em várias instituições que Felipe começou a desenvolver alternativas usando materiais reaproveitados e peças encontradas em ferro-velhos.

Da sucata ao instrumento: como nasce o Atabalde

Corrimãos de ônibus, alarmes de incêndio, garrafas PET e outros objetos descartados passaram a ganhar nova função nas mãos de Felipe. A principal criação surgida desse processo é o Atabalde, um tambor inspirado no atabaque tradicional, mas construído com uma lógica completamente diferente: o corpo é feito de uma bombona plástica, e a membrana é produzida a partir de material PET.

O resultado é um atabaque sustentável, mais leve que os modelos convencionais, resistente à água e com menor necessidade de manutenção, já que dispensa a pele animal e a madeira usadas nos instrumentos tradicionais. Segundo Felipe, o Atabalde nasceu de uma necessidade prática de palco: ele queria inserir um instrumento diferente em suas próprias apresentações, e não encontrou no mercado nada que atendesse a essa ideia com o orçamento que tinha disponível.

Quem compra e quanto o negócio já fatura

Hoje, o Atabalde tem tíquete médio de cerca de R$ 350 e atende um público bastante específico: percussionistas, capoeiristas, praticantes de religiões de matriz africana, estudantes de música e entusiastas da percussão em geral. As vendas acontecem majoritariamente pela internet, e já alcançaram clientes fora do Brasil, incluindo compradores na Europa.

O crescimento da demanda transformou a fabricação dos instrumentos reciclados em uma fonte de renda relevante para Felipe. Segundo ele, o negócio já rende mais do que parte dos trabalhos que realiza como músico, uma inversão que mostra como a solução criada para resolver um problema pessoal se tornou, com o tempo, uma atividade tão ou mais importante que a própria carreira artística que a originou.

Os próximos passos do negócio

Com a demanda em alta, os planos de Felipe incluem ampliar a oficina, contratar funcionários e aumentar a produção dos instrumentos. Para ele, a lógica por trás de todo o negócio é simples: a criatividade está diretamente ligada à necessidade, e foi justamente a busca por soluções acessíveis para estudar e ensinar música que deu origem ao empreendimento.

“Uma necessidade, uma ideia criativa, virou um empreendedorismo”, resume o músico. Hoje, além de construir instrumentos, ele vê no negócio uma forma de ampliar o acesso à música e incentivar outras pessoas a enxergar potencial criativo em materiais que normalmente seriam descartados.

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Carla Teles

Produzo conteúdos diários sobre economia, curiosidades, setor automotivo, tecnologia, inovação, construção e setor de petróleo e gás, com foco no que realmente importa para o mercado brasileiro. Aqui, você encontra oportunidades de trabalho atualizadas e as principais movimentações da indústria. Tem uma sugestão de pauta ou quer divulgar sua vaga? Fale comigo: carlatdl016@gmail.com

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