O músico e percussionista Felipe Fiúza, de Brasília, criou o Atabalde, tambor feito com bombona plástica e membrana de PET, depois de não conseguir comprar os instrumentos necessários para estudar na Escola de Música de Brasília.
O percussionista Felipe Fiúza, de Brasília, transformou a dificuldade de comprar instrumentos musicais em um negócio que hoje fatura cerca de R$ 20 mil por mês, fabricando tambores e instrumentos de percussão a partir de materiais reciclados.
A principal criação de Felipe é o Atabalde, tambor inspirado no atabaque tradicional, feito com uma bombona plástica e membrana de material PET. O produto tem tíquete médio de R$ 350 e já chegou a clientes de vários estados brasileiros e da Europa.
A dificuldade que deu origem ao negócio

A relação de Felipe Fiúza com a música começou ainda na infância. Filho de músico, ele cresceu cercado pelo universo da percussão e, para aprofundar os estudos, ingressou na Escola de Música de Brasília.
-
Pesquisadores agrícolas terão R$ 45 milhões em financiamento para acelerar biossoluções e ampliar planta piloto de fermentação no Brasil
-
Justiça do Trabalho decide que supermercados de Goiás podem continuar abrindo depois das 11h aos domingos e feriados, e derruba a regra que mandava fechar às 11h quem não fosse filiado ao sindicato patronal nem estivesse em dia com as contribuições
-
Esse americano trabalhou como motorista de aplicativo por 50 horas para ver quanto dinheiro conseguia ganhar nesse período
-
Uma loja fechando por dia: entre julho de 2025 e maio de 2026 uma loja de 1,99 apagou pelo menos 350 endereços, depois de já ter encerrado 970 em 2024, e cada ponto fechado levou junto de 15 a 20 empregos em pequenas cidades americanas
Foi ali que encontrou o primeiro obstáculo sério da carreira: a marimba, instrumento considerado essencial para sua formação como percussionista, tinha um preço fora do alcance da sua realidade financeira na época. Sem o instrumento, o aprendizado ficava travado, e foi esse impasse, comum a muitos estudantes de música no Brasil, que deu início a tudo o que viria depois.
De marimba caseira a fabricante para os colegas
Sem recursos para comprar o equipamento pronto, Felipe decidiu construir a própria marimba. O projeto deu certo, e o resultado chamou a atenção de colegas de escola que enfrentavam a mesma dificuldade para conseguir seus instrumentos. Assim, o que começou como solução pessoal virou também uma pequena produção sob encomenda: Felipe passou a montar marimbas para outros alunos da Escola de Música de Brasília.
Esse primeiro trabalho despertou nele o interesse pela fabricação de instrumentos musicais e abriu caminho para o empreendedorismo. Com o tempo, ele ampliou a atuação para oficinas, escolas e projetos sociais, espaços onde percebeu que a falta de instrumentos era um problema recorrente, não um caso isolado. Foi diante dessa carência em várias instituições que Felipe começou a desenvolver alternativas usando materiais reaproveitados e peças encontradas em ferro-velhos.
Da sucata ao instrumento: como nasce o Atabalde
Corrimãos de ônibus, alarmes de incêndio, garrafas PET e outros objetos descartados passaram a ganhar nova função nas mãos de Felipe. A principal criação surgida desse processo é o Atabalde, um tambor inspirado no atabaque tradicional, mas construído com uma lógica completamente diferente: o corpo é feito de uma bombona plástica, e a membrana é produzida a partir de material PET.
O resultado é um atabaque sustentável, mais leve que os modelos convencionais, resistente à água e com menor necessidade de manutenção, já que dispensa a pele animal e a madeira usadas nos instrumentos tradicionais. Segundo Felipe, o Atabalde nasceu de uma necessidade prática de palco: ele queria inserir um instrumento diferente em suas próprias apresentações, e não encontrou no mercado nada que atendesse a essa ideia com o orçamento que tinha disponível.
Quem compra e quanto o negócio já fatura
Hoje, o Atabalde tem tíquete médio de cerca de R$ 350 e atende um público bastante específico: percussionistas, capoeiristas, praticantes de religiões de matriz africana, estudantes de música e entusiastas da percussão em geral. As vendas acontecem majoritariamente pela internet, e já alcançaram clientes fora do Brasil, incluindo compradores na Europa.
O crescimento da demanda transformou a fabricação dos instrumentos reciclados em uma fonte de renda relevante para Felipe. Segundo ele, o negócio já rende mais do que parte dos trabalhos que realiza como músico, uma inversão que mostra como a solução criada para resolver um problema pessoal se tornou, com o tempo, uma atividade tão ou mais importante que a própria carreira artística que a originou.
Os próximos passos do negócio
Com a demanda em alta, os planos de Felipe incluem ampliar a oficina, contratar funcionários e aumentar a produção dos instrumentos. Para ele, a lógica por trás de todo o negócio é simples: a criatividade está diretamente ligada à necessidade, e foi justamente a busca por soluções acessíveis para estudar e ensinar música que deu origem ao empreendimento.
“Uma necessidade, uma ideia criativa, virou um empreendedorismo”, resume o músico. Hoje, além de construir instrumentos, ele vê no negócio uma forma de ampliar o acesso à música e incentivar outras pessoas a enxergar potencial criativo em materiais que normalmente seriam descartados.
