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Restauradores sobem em andaime na igreja mais antiga de Boston, removem sete camadas de tinta branca e revelam anjos pintados por volta de 1730, escondidos havia mais de um século nos arcos do templo ligado a Paul Revere e ao início da Revolução Americana

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Escrito por Alisson Ficher Publicado em 26/07/2026 às 23:51
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Restauradores removem sete camadas de tinta e revelam 20 anjos coloniais escondidos há mais de um século em igreja histórica de Boston.
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Restauração minuciosa na igreja mais antiga de Boston retirou sete camadas de tinta branca e trouxe de volta 20 anjos coloniais pintados no século XVIII, revelando detalhes preservados nos arcos de um templo ligado a Paul Revere e ao início da Revolução Americana.

Uma restauração realizada nos arcos internos da Old North Church, edifício religioso mais antigo ainda preservado em Boston, revelou 20 anjos coloniais que permaneceram escondidos sob sucessivas camadas de tinta branca durante mais de um século.

Pintadas por John Gibbs por volta de 1730, as figuras reapareceram durante um trabalho minucioso conduzido sobre andaimes, poucos metros acima das galerias do templo associado a Paul Revere e aos acontecimentos que antecederam a Revolução Americana.

Sete camadas de tinta cobriam os anjos coloniais

Segundo a Associated Press, os conservadores Gianfranco Pocobene e Corrine Long precisaram retirar sete camadas de tinta sem atingir a superfície original, combinando testes prévios, aplicação controlada de gel solvente e movimentos manuais de alta precisão.

Depois que o produto amolecia as coberturas acumuladas, raspadores plásticos e hastes de algodão eram usados para remover cada trecho, permitindo que rostos, asas, cores e diferentes posições voltassem a surgir gradualmente nos arcos das galerias.

Embora integrem uma sequência decorativa contínua, os anjos apresentam características próprias, sem a repetição rígida de um único modelo, pois expressões, inclinações, gestos e detalhes distintos criam movimento visual ao redor do interior da igreja.

Cobertas durante uma reforma realizada em 1912, as pinturas desapareceram atrás de uma aparência mais austera e predominantemente branca, que alterou o ambiente colorido conhecido pelos primeiros frequentadores e afastou a decoração colonial da vista pública por várias gerações.

Registros históricos indicavam a existência das pinturas

Restauradores removem sete camadas de tinta e revelam 20 anjos coloniais escondidos há mais de um século em igreja histórica de Boston.
Restauradores removem sete camadas de tinta e revelam 20 anjos coloniais escondidos há mais de um século em igreja histórica de Boston.

A existência das imagens, porém, não havia sido totalmente apagada dos registros históricos, já que documentos preservados pela igreja incluíam um contrato relacionado ao trabalho de John Gibbs, artista ligado à congregação e responsável pela ornamentação dos arcos.

Somente após uma análise das camadas de pintura, concluída em 2017, pesquisadores confirmaram que os anjos continuavam sob a cobertura branca, embora o estado real das obras permanecesse desconhecido até o início da remoção direta.

Antes de avançar sobre áreas maiores, a equipe testou quanto tempo o gel poderia permanecer em contato com cada superfície e quais instrumentos retirariam a tinta posterior sem arrancar o material original produzido no século XVIII.

Uma vez expostas, as pinturas receberam limpeza delicada e uma camada isolante de verniz, recurso que separou os trechos históricos dos retoques aplicados nas regiões com perdas, fissuras, bolhas, desgaste ou problemas de aderência no reboco.

Conservação exigiu cuidados diferentes em cada área

Como nem todas as áreas apresentavam o mesmo estado de conservação, os restauradores precisaram estabilizar primeiro os pontos fragilizados, evitando que a retirada das camadas brancas provocasse novos desprendimentos ou ampliasse danos já existentes na superfície.

Em outras regiões, detalhes e cores permaneceram suficientemente preservados para revelar a habilidade empregada na decoração, sobretudo nos rostos, nas asas e nos elementos ornamentais que acompanham as figuras ao longo das galerias da igreja.

Além dos anjos, a composição inclui festões decorativos posicionados entre as figuras, alguns pintados sobre tábuas de madeira incorporadas à moldura, enquanto os personagens principais aparecem diretamente sobre o reboco dos arcos internos do templo.

Essa combinação elevou a complexidade do trabalho, porque madeira, gesso, tinta e verniz reagem de maneiras diferentes ao solvente, à umidade e ao contato das ferramentas, exigindo ajustes constantes durante cada etapa da intervenção local.

Cores recuperadas mudaram o interior da Old North Church

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Ao devolver tons arenito e azul-esverdeado aos arcos, a restauração modificou profundamente a leitura visual da Old North Church em seu conjunto, cujo interior havia sido dominado durante décadas por paredes e elementos arquitetônicos predominantemente brancos.

A recuperação aproximou o espaço de sua ornamentação colonial original, permitindo que visitantes observassem uma aparência mais próxima daquela conhecida pelos primeiros frequentadores, antes que a reforma do início do século XX escondesse completamente as figuras.

Erguida para atender a comunidade anglicana de Boston, a igreja realizou seu primeiro culto em 1723 e atravessou mudanças religiosas, urbanas e políticas sem deixar de funcionar como local de culto e referência histórica da cidade.

Apesar de preservar bancos fechados, galerias, órgão e torre ligados a diferentes fases do edifício, foi uma ação ocorrida no campanário em 1775 que transformou o templo em símbolo nacional dos Estados Unidos e referência histórica internacional.

Lanternas ligaram a igreja à história de Paul Revere

Na noite em que tropas britânicas deixaram Boston em direção a Concord, duas lanternas foram exibidas na torre como sinal codificado de que os soldados seguiriam pelo rio Charles, alertando a rede colonial organizada na região.

Paul Revere, que havia trabalhado como sineiro da igreja na adolescência, participou do sistema de aviso que mobilizou mensageiros antes dos confrontos de Lexington e Concord, considerados os primeiros combates da Guerra de Independência dos Estados Unidos.

A associação com Revere transformou a Old North Church em uma das paradas mais conhecidas do Freedom Trail, percurso histórico de Boston que reúne locais relacionados à formação política, à independência e à memória pública do país.

Durante muito tempo, a narrativa das lanternas concentrou grande parte da atenção pública, enquanto aspectos artísticos e sociais do edifício permaneceram menos visíveis, cenário que começou a mudar com a recuperação das pinturas escondidas nos arcos.

Reforma de 1912 apagou a decoração colonial

John Gibbs produziu as figuras quando a igreja ainda estava em seus primeiros anos de funcionamento, distribuindo os anjos como parte da própria arquitetura, em diálogo com o ritmo das galerias e com outros elementos ornamentais.

Quando receberam tinta branca no início do século XX, as imagens não foram removidas fisicamente, circunstância que permitiu sua sobrevivência sob a nova cobertura, embora também tenha apagado sua presença do cotidiano do templo por 113 anos.

A escolha de esconder a decoração refletiu uma tentativa de aproximar o interior de uma estética religiosa mais simples, ligada às igrejas puritanas da região, e diferente da tradição anglicana da congregação que construiu o edifício.

Inicialmente, o projeto previa expor apenas parte do conjunto, pois retirar todas as camadas acumuladas exigia tempo, precisão e controle de custos, mas os testes mostraram que a equipe poderia avançar sem ultrapassar o orçamento planejado.

Todos os 20 anjos voltaram aos arcos da igreja

Durante a intervenção, os andaimes ocuparam diferentes trechos da igreja e foram retirados temporariamente para permitir cultos e atividades, enquanto a última etapa alcançou as figuras próximas ao órgão, onde rachaduras e perdas exigiram tratamento mais lento.

Mesmo nos pontos mais comprometidos, partes centrais, como rostos e expressões, permaneceram reconhecíveis, permitindo que todos os 20 anjos voltassem a ser apresentados nos arcos que circundam as galerias internas do santuário histórico diante dos visitantes.

Quantas outras pinturas históricas ainda podem permanecer preservadas sob camadas de tinta em igrejas, palácios e edifícios antigos, esperando que uma restauração cuidadosa revele detalhes esquecidos sem destruir os materiais originais que sobreviveram durante séculos?

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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