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Rajada de até 160 km/h solta guindaste gigante no Porto de Guam, que percorre 300 metros e atinge equipamentos no cais

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Escrito por Flavia Marinho Publicado em 07/10/2026 às 20:40 Atualizado em 07/10/2026 às 20:50
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Uma forte rajada transformou uma operação rotineira no Porto de Guam em um acidente de grandes proporções. O guindaste portuário número 6 saiu dos trilhos, percorreu aproximadamente 1.000 pés, cerca de 305 metros, e atingiu outros dois equipamentos instalados no cais.

O incidente ocorreu por volta das 21h30 de uma sexta-feira, durante a passagem de uma intensa linha de instabilidade pela região de Piti. Apesar do tamanho das estruturas envolvidas e da distância percorrida pelo guindaste, ninguém ficou ferido.

Um guindaste gigante saiu dos trilhos no Porto de Guam, percorreu cerca de 300 metros e atingiu outros dois equipamentos durante uma forte rajada. Não houve feridos, mas o acidente afetou estruturas essenciais do terminal.

O equipamento envolvido é um guindaste do tipo ship-to-shore, estrutura utilizada para transferir contêineres entre os navios e o terminal. Identificado como guindaste 6, ele perdeu sua posição original e avançou pelo cais até colidir com os guindastes 5 e 4.

O impacto provocou novos deslocamentos na linha de equipamentos. Pelo menos uma roda do guindaste 5 também saiu do trilho. O guindaste 4 permaneceu inicialmente sobre o sistema ferroviário do cais, mas precisou passar por inspeções antes de voltar à operação.

Imagens divulgadas após o acidente mostram os três equipamentos concentrados em um trecho do terminal, evidenciando a dimensão incomum do deslocamento. A área foi isolada para permitir a avaliação dos trilhos, das rodas, das estruturas metálicas e dos sistemas de frenagem e ancoragem.

A causa técnica ainda depende de investigação. Por isso, não é possível afirmar que o acidente tenha sido provocado por falha mecânica, erro operacional ou deficiência nos procedimentos de segurança. O que está confirmado é que uma rajada intensa contribuiu diretamente para o movimento do equipamento.

Guindastes do Porto de Guam ficaram danificados após uma forte rajada deslocar o equipamento número 6 por cerca de 300 metros e provocar a colisão. Reprodução/KUAM.
Guindastes do Porto de Guam ficaram danificados após uma forte rajada deslocar o equipamento número 6 por cerca de 300 metros e provocar a colisão. Reprodução/KUAM.

Sensores indicaram vento próximo de 160 km/h, mas estações oficiais registraram valores menores

A Autoridade Portuária de Guam informou que sensores instalados nos equipamentos apontaram vento próximo de 100 milhas por hora, equivalente a aproximadamente 161 km/h. Essa medição explica a referência a uma rajada de até 160 km/h, mas não foi confirmada como registro meteorológico oficial.

O Serviço Nacional de Meteorologia dos Estados Unidos informou que as estações oficiais mais próximas registraram rajadas entre 61 e 63 milhas por hora, aproximadamente 98 a 101 km/h. Um meteorologista também identificou uma leitura de 83 milhas por hora, ou cerca de 134 km/h, em um dos guindastes.

A diferença entre os números pode estar relacionada à localização e à altura dos sensores, ao intervalo usado para registrar as rajadas e ao caráter localizado da instabilidade. Guindastes portuários também possuem grande superfície exposta ao vento, o que aumenta a força exercida sobre a estrutura.

O órgão meteorológico confirmou a passagem de uma forte linha de instabilidade e reconheceu o vento como fator do acidente. Entretanto, não validou oficialmente o pico de 100 milhas por hora informado pelo porto.

Também não há confirmação de que um tufão tenha atingido o terminal. A caracterização disponível é de uma poderosa rajada associada a uma instabilidade atmosférica.

Porto manteve parte da movimentação enquanto equipes recolocavam os guindastes nos trilhos

A perda temporária de três guindastes criou um desafio imediato para o terminal, responsável pela entrada de grande parte das mercadorias consumidas em Guam. Mesmo assim, o porto conseguiu manter parte das operações, especialmente por meio de navios ro-ro.

Nesse tipo de embarcação, veículos, máquinas e outras cargas entram e saem por rampas, reduzindo a dependência dos guindastes de contêineres. Essa alternativa ajudou a limitar os efeitos do acidente sobre o abastecimento da ilha.

O guindaste 4 foi o primeiro a retornar ao serviço, em 5 de outubro. No dia seguinte, a administração portuária informou que os guindastes 5 e 6 também haviam sido recolocados no sistema de trilhos.

Voltar aos trilhos, porém, não significa liberação automática para operar. Os equipamentos ainda precisavam passar por reparos, testes técnicos, inspeções e recertificação antes da retomada normal dos trabalhos.

Equipes especializadas, engenheiros e representantes das seguradoras foram mobilizados para avaliar a extensão dos danos. A apuração também deverá analisar os dados armazenados pelos sensores e o funcionamento dos sistemas destinados a impedir o deslocamento dos guindastes durante ventos fortes.

Acidente envolveu guindastes com mais de quatro décadas de operação

Os três guindastes foram fabricados pela Hitachi e entraram em serviço entre 1983 e 1984. Portanto, já acumulavam mais de 40 anos de operação quando o acidente aconteceu.

A idade dos equipamentos não pode ser apontada como causa sem uma conclusão técnica. Entretanto, a modernização do terminal já era discutida antes do episódio. A administração portuária planeja substituir os guindastes antigos por estruturas capazes de atender navios maiores e cumprir padrões atuais de segurança e eficiência.

O projeto de renovação conta com uma concessão federal de US$ 60 milhões e aproximadamente US$ 15 milhões em recursos do próprio porto. O investimento combinado chega a cerca de US$ 75 milhões.

O acidente acrescentou um componente concreto ao debate sobre a modernização: uma única rajada conseguiu comprometer simultaneamente três equipamentos essenciais da mesma linha de operação.

Porto de Guam tem importância comercial e militar no Pacífico

Guam é um território norte-americano situado em uma posição estratégica do Pacífico. Como a ilha depende intensamente do transporte marítimo, qualquer interrupção prolongada no terminal pode afetar o abastecimento de alimentos, combustíveis, veículos, materiais de construção e outros produtos essenciais.

O porto também tem papel relevante na logística militar dos Estados Unidos. Materiais oficiais da administração portuária indicam que aproximadamente 30% das cargas movimentadas estão relacionadas a atividades militares.

Essa combinação de funções comerciais e estratégicas aumenta a pressão para que os guindastes sejam recuperados com rapidez, mas também exige que a retomada seja precedida pelas verificações de segurança necessárias.

A recolocação dos três equipamentos nos trilhos evitou uma paralisação prolongada. Ainda assim, o acidente deixa uma questão importante para portos que operam estruturas antigas e de grande porte: como preparar equipamentos, sistemas de ancoragem e procedimentos operacionais para rajadas localizadas que podem superar as previsões gerais.

Enquanto a investigação continua, o fato central permanece impressionante: um guindaste gigante saiu dos trilhos, percorreu cerca de 300 metros pelo cais e atingiu outros dois equipamentos sem deixar feridos. Em poucos minutos, uma rajada expôs a vulnerabilidade de uma infraestrutura fundamental para o abastecimento e para a estratégia militar no Pacífico.

Meta description e resumo:

Um guindaste gigante saiu dos trilhos no Porto de Guam, percorreu cerca de 300 metros e atingiu outros dois equipamentos durante uma forte rajada. Não houve feridos, mas o acidente afetou estruturas essenciais do terminal.

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Flavia Marinho

Flavia Marinho é Engenheira pós-graduada, com vasta experiência na indústria de construção naval onshore e offshore. Nos últimos anos, tem se dedicado a escrever artigos para sites de notícias nas áreas militar, segurança, indústria, petróleo e gás, energia, construção naval, geopolítica, empregos e cursos. Entre em contato com flaviacamil@gmail.com ou WhatsApp +55 21 973996379 para correções, sugestão de pauta, divulgação de vagas de emprego ou proposta de publicidade em nosso portal.

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