Porsche Mission S propõe substituir a central multimídia pelo smartphone, em uma solução semelhante à utilizada pelo Fiat Mobi e pelo Dacia Sandero.
A Porsche apresentou o conceito Mission S, que antecipa a possibilidade de uma nova família de supercarros acima do 911. O projeto chama atenção por dispensar a central multimídia convencional e utilizar o celular do motorista para acessar navegação, músicas e serviços conectados. A proposta busca reduzir a presença de telas na cabine, mas recupera uma ideia que já apareceu em veículos populares, como o Fiat Mobi.
No modelo conceitual, a conexão acontece pelo aplicativo My Porsche. O smartphone fica acomodado em um suporte e assume funções que normalmente seriam acessadas pela tela do próprio veículo. Embora a escolha pareça incomum para um supercarro, fabricantes de modelos mais acessíveis já experimentaram alternativas semelhantes, com resultados diferentes.
Fiat Mobi tentou substituir a central multimídia pelo celular
Há aproximadamente uma década, compradores do Fiat Mobi podiam optar por um equipamento chamado Live On. A proposta era oferecer recursos de entretenimento e navegação sem a necessidade de instalar uma central convencional.
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O conjunto incluía um local para fixar o smartphone no painel, conexão USB para recarregar o aparelho, alto-falantes e controles no volante. Para acessar as funcionalidades, o proprietário precisava instalar o aplicativo Live On. Depois disso, podia ouvir rádio, reproduzir músicas por serviços de streaming e utilizar ferramentas de navegação.
O programa também apresentava orientações para uma condução mais econômica, enquanto os comandos físicos do volante permitiam controlar parte dessas funções.

A experiência, entretanto, não teve continuidade. O Live On apresentou problemas de funcionamento, e a Fiat acabou deixando a tecnologia de lado para adotar uma central multimídia tradicional. Naquele período, o Renault Kwid já utilizava esse tipo de equipamento.
Dacia Sandero adotou alternativa que continuou disponível na Europa
Enquanto a tentativa da Fiat teve duração limitada, outra fabricante manteve uma proposta semelhante no mercado europeu. A terceira geração do Dacia Sandero passou a oferecer, em determinadas configurações, uma solução baseada no aplicativo Media Control.
Nesse caso, o telefone é colocado em um suporte localizado na parte superior do painel e funciona como interface para diferentes recursos do automóvel.
Além de reproduzir músicas e permitir o uso de aplicativos de navegação, o Media Control apresenta informações relacionadas ao funcionamento do veículo, desempenhando também o papel de computador de bordo.
Seu visual lembra o das centrais multimídia encontradas em automóveis da Renault comercializados no Brasil. A Dacia introduziu essa alternativa em 2020. Diferentemente do que aconteceu com o Live On, o aplicativo permaneceu disponível nos anos seguintes, indicando uma trajetória mais duradoura para a tecnologia.
O que diferencia a proposta do Porsche Mission S?
A principal diferença está no tipo de automóvel para o qual a solução foi pensada. No Fiat Mobi, o Live On representava uma alternativa mais econômica aos equipamentos de áudio convencionais. Já no Mission S, a escolha faz parte da proposta de um supercarro voltado aos entusiastas, com menor quantidade de telas no interior.
Em vez de concentrar as funções conectadas em uma central própria, a Porsche pretende aproveitá-las por meio do smartphone e do aplicativo My Porsche. O conceito reúne, portanto, duas características: uma cabine com menos telas e a utilização de um dispositivo que o motorista já possui para acessar determinados serviços.

Apesar das semelhanças, não há confirmação de que a fabricante alemã tenha se inspirado diretamente nos sistemas utilizados por Fiat ou Dacia. A presença do suporte para smartphone no Mission S não significa que a tecnologia será necessariamente adotada em futuros supercarros da marca.
A experiência anterior do Fiat Mobi mostra que essa escolha nem sempre funciona como esperado. Por outro lado, a continuidade do Media Control na Europa revela que a mesma proposta pode seguir caminhos diferentes.
