A CFS recebeu US$ 863 milhões de gigantes como Nvidia, Google e fundos ligados a Bill Gates. O dinheiro foca em concluir o SPARC e viabilizar a ARC na Virgínia, com 200 MW já contratados pelo Google para o início dos anos 2030.
A Commonwealth Fusion Systems (CFS), spin-off do MIT, anunciou uma nova captação de US$ 863 milhões. A rodada inclui NVentures (Nvidia), Google, fundos associados a Bill Gates (Breakthrough Energy Ventures e Gates Frontier), além de um consórcio japonês liderado por Mitsui e Mitsubishi. Com isso, o total levantado desde 2018 se aproxima de US$ 3 bilhões. O objetivo declarado é transformar a fusão nuclear de um conceito promissor em empreendimento industrial.
Segundo a empresa, a prioridade imediata é finalizar o SPARC, máquina de demonstração em Massachusetts que pavimenta a rota comercial da tecnologia. Em paralelo, a CFS avança no projeto da primeira usina em escala de rede, a ARC, na Virgínia, onde há forte concentração de data centers e demanda crescente por energia firme e limpa.
O movimento acontece no rastro da pressão energética da IA e da computação em nuvem. Em 30 de junho de 2025, o Google firmou um contrato para adquirir 200 megawatts (MW) da futura ARC, marco inédito para a fusão no mercado de PPAs corporativos, com entrega prevista para o início dos anos 2030.
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Gates, Nvidia e Google colocam dinheiro na CFS porque a Inteligência Artificial está disparando a demanda por eletricidade e as empresas precisam de energia firme, 24 horas por dia e de baixo carbono perto dos data centers. A fusão nuclear promete altíssima densidade energética, menor uso de terra, segurança intrínseca e emissões quase nulas na operação, superando a intermitência de solar e eólica sem depender de grandes baterias.
Por que os US$ 863 milhões mudam o jogo da energia de fusão
A rodada Série B2 reforça a posição da CFS entre as startups de fusão mais capitalizadas do mundo. Além de Nvidia e Google, participaram fundos associados a Bill Gates e um bloco de investidores japoneses, sinalizando ambição global e interesse da cadeia industrial. O pacote eleva o capital total próximo de US$ 3 bilhões, crucial para encurtar prazos de engenharia e suprimentos.
Para o setor de energia limpa, o aporte destaca que players de tecnologia estão dispostos a financiar soluções com alta densidade energética e emissão zero na operação. O apetite tem relação direta com a previsão de que o consumo elétrico de data centers nos EUA mais do que dobre até 2035, pressionando a busca por fontes firmes de baixa emissão.
No curto prazo, o capital serve como ponte entre a fase de demonstração e os primeiros arranjos comerciais. Em termos de credibilidade, a presença de investidores estratégicos e institucionais reduz incertezas sobre a bancabilidade do projeto e ajuda a destravar fornecedores críticos de ímãs supercondutores e sistemas de resfriamento do tokamak.
SPARC: como a CFS quer provar Q>1 em 2027 e abrir caminho comercial
O SPARC é a máquina que deve provar, em 2027, que a fusão pode gerar mais energia do que consome no processo, o famoso Q>1. A CFS classifica esse marco como “comercialmente relevante”, pois valida a física e a engenharia necessárias à geração elétrica em escala. Q>1 em 2027 é o gatilho técnico que o setor aguarda.
O cronograma divulgado prevê primeiro plasma em 2026, seguido de uma campanha de testes que culmina no marco de energia líquida no ano seguinte. Embora metas de fusão sejam desafiadoras, a rota 2026–2027 aparece de forma consistente em materiais públicos e em perfis técnicos do SPARC.
Parte dos US$ 863 milhões será aplicada na conclusão do SPARC e em atividades de engenharia que conectam a máquina de demonstração ao desenho da ARC. Em linguagem simples, o SPARC testa o coração tecnológico que depois escala para a usina comercial.
ARC na Virgínia: 400 MW planejados e 200 MW já vendidos ao Google
A ARC está planejada para o condado de Chesterfield, na Virgínia, polo logístico e de data centers. A usina é desenhada para fornecer cerca de 400 MW de energia firme e zero carbono à rede, com chegada estimada no início dos anos 2030. A escolha do local tem apoio regulatório em progresso e ecos econômicos regionais.
Em 30 de junho de 2025, o Google assinou um PPA de 200 MW com a CFS, metade da capacidade projetada da primeira ARC. Para o mercado, esse contrato funciona como âncora de demanda, aumentando previsibilidade de receita e facilitando negociações com fornecedores e financiadores.
Do lado local, a Comissão de Planejamento de Chesterfield concedeu endosso de permissão em 21 de agosto de 2025, etapa que aproxima o projeto das fases finais de licenciamento e obras. O investimento estimado supera US$ 2,5 bilhões, o que exige cronograma financeiro e industrial muito bem amarrado.
Riscos, custos e os próximos 24 meses que definem o futuro da energia de fusão
Mesmo com o reforço de US$ 863 milhões, a CFS admite que precisará de capital adicional para erguer a ARC, cujo custo é de bilhões de dólares. A rodada atual dá fôlego para finalizar o SPARC e avançar na engenharia de planta, mas a fase de construção comercial exige novas fontes de financiamento.
No plano técnico, a fusão ainda enfrenta desafios de operação contínua do plasma, materiais sob condições extremas e integração térmica em regime comercial. Analistas lembram que transformar marcos científicos em economia de usina é um passo à parte, sujeito a riscos de prazo e custo.
Para acompanhar esse tema, anote os marcos, conclusão mecânica do SPARC, primeiro plasma em 2026, validação de Q>1 em 2027, avanço das licenças na Virgínia e anúncios de fornecedores críticos. Se essas etapas se confirmarem nos prazos, a ARC entra no caminho de entregar energia no início dos anos 2030, com 200 MW já contratados.