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Ponte Xambioá: estrutura bilionária entre Tocantins e Pará está pronta, mas segue fechada

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 05/04/2025 às 19:02
A Ponte Xambioá, entre Tocantins e Pará, está 95% pronta, mas segue fechada por falta de acessos. Mesmo com custo superior a R$ 233 milhões, a obra ainda depende de indenizações e pavimentação para ser liberada.
A Ponte Xambioá, entre Tocantins e Pará, está 95% pronta, mas segue fechada por falta de acessos. Mesmo com custo superior a R$ 233 milhões, a obra ainda depende de indenizações e pavimentação para ser liberada.

A Ponte Xambioá, obra estratégica da BR-153, está 95% concluída, mas sem previsão real de uso. População continua dependendo de balsas para atravessar o rio Araguaia.

A Ponte Xambioá, que deveria ser um divisor de águas na infraestrutura entre Tocantins e Pará, está tecnicamente pronta. Com 1.728 metros de extensão sobre o rio Araguaia e custo que já ultrapassa R$ 233 milhões, a obra atingiu 95% de conclusão, mas permanece inacessível. Enquanto isso, motoristas e moradores seguem na travessia por balsas, arcando com altos custos e longas esperas.

Prometida para setembro de 2022, a entrega foi adiada várias vezes. Agora, segundo o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), a nova previsão é o segundo semestre de 2025. O motivo? A ponte está de pé, mas os acessos ainda não existem.

Ponte Xambioá e a travessia que nunca chega

A estrutura liga Xambioá (TO) a São Geraldo do Araguaia (PA) e integra a BR-153, rota crucial para o agronegócio e o transporte de cargas do Norte ao Sul do Brasil. A rodovia também serve como escoamento para a produção da região do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), que cresce aceleradamente.

Mas, na prática, nada flui. Caminhoneiros continuam pagando até R$ 294 por travessia via balsa, com atrasos que beiram uma hora. Já moradores desembolsam R$ 25 por automóvel, R$ 5,50 por bicicleta e convivem com o drama diário para estudar, trabalhar ou acessar serviços de saúde do outro lado do rio.

“É uma espera de 30 a 45 minutos, dependendo do nível do rio. Isso impacta toda a economia regional”, afirma o prefeito de Xambioá, Mike Câmara.

Uma ponte moderna travada por erros antigos

A Ponte Xambioá foi construída com engenharia de ponta: balanço sucessivo, concreto de alta performance, aço anticorrosivo e pilares fincados a dezenas de metros abaixo do leito. Tudo para garantir estabilidade, durabilidade e tráfego de veículos pesados.

Só faltou um detalhe: os acessos. O trecho do lado paraense terá 310 metros. Do lado tocantinense, 1.700 metros. Nenhum deles começou a ser construído. A pavimentação, sinalização, iluminação e a laje de transição também não foram executadas. Tudo depende de novas licitações, liberações e, sobretudo, indenizações de terras.

Segundo a prefeitura de Xambioá, muitos moradores ainda não receberam os valores de desapropriação. Enquanto isso, a ponte pronta segue como miragem.

O Brasil que atrasa o próprio progresso

A Ponte Xambioá é exemplo claro de um vício crônico nas obras públicas brasileiras: falta de planejamento. Dados do Tribunal de Contas da União mostram que o país acumula mais de 14 mil obras inacabadas.

“A desapropriação deveria ser a primeira etapa de qualquer obra pública. Começaram pela ponte e esqueceram dos acessos. Um erro primário que gerou um impasse gigantesco”, critica Marcelo Daniel Melo, presidente do Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia.

Agora, a promessa é que os serviços complementares se estendam até julho de 2025. Até lá, a ponte de R$ 233 milhões continua servindo apenas de cartão-postal. Uma estrutura monumental, isolada por decisões minúsculas.

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 5.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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