Infraestrutura do Sergipe Águas Profundas deve começar em 2027 e atenderá duas plataformas da Petrobras, com capacidade para processar 22 milhões de metros cúbicos de gás natural diariamente
A Petrobras prepara para 2027 o início da implantação da infraestrutura de escoamento do projeto Sergipe Águas Profundas (SEAP), empreendimento que poderá transformar Sergipe em um dos maiores polos produtores de petróleo e gás natural do Brasil.
O cronograma foi apresentado na quarta-feira, 29 de julho de 2026, pela diretora executiva de Exploração e Produção da Petrobras, Sylvia Anjos, durante a abertura da quinta edição do Sergipe Oil & Gas, realizada em Aracaju.
A estrutura deverá atender às plataformas P-81 e P-87, destinadas respectivamente aos módulos SEAP I e SEAP II. Juntas, as unidades terão capacidade para produzir 240 mil barris de petróleo por dia e processar 22 milhões de metros cúbicos de gás natural diariamente.
-
Após ataques, Irã perde 230 milhões de metros cúbicos de capacidade de produção de gás, reduz combustível para refinarias e usinas, pede economia de energia à população e tenta preservar empregos, enquanto danos da guerra aprofundam uma crise capaz de atingir indústrias, casas e o abastecimento de bens essenciais nos próximos meses
-
Novos estudos apontam que um eventual vazamento na Foz do Amazonas poderia atingir áreas protegidas e países vizinhos como a Guiana Francesa, Suriname e Guiana
-
US$ 6,2 bilhões no meio do mar: gigante aprova megaobra de gasoduto com 14 poços sobre um dos campos de petróleo mais antigos dos Emirados
-
Depois de 25 anos bombeando petróleo na Bacia de Campos, a plataforma P-32 foi cortada no maçarico bloco por bloco dentro do maior dique seco da América Latina, e suas mais de 40 mil toneladas viraram aço de novo no forno da Gerdau em Charqueadas
Além disso, aproximadamente 18 milhões de metros cúbicos de gás por dia poderão ser transportados até o litoral sergipano. O volume corresponde a cerca de 20% da atual produção nacional de gás natural.
Gasoduto da Petrobras terá 134 quilômetros entre o mar e a costa de Sergipe
O projeto prevê a construção de um gasoduto com 134 quilômetros de extensão, sendo 111 quilômetros instalados no ambiente marítimo e outros 23 quilômetros em terra.
A infraestrutura será responsável por transportar até a costa parte do gás produzido pelas duas plataformas. Dessa maneira, o combustível poderá ser incorporado ao sistema brasileiro de abastecimento.
O desenvolvimento também contempla a interligação de 32 poços, além da instalação de equipamentos submarinos e estruturas responsáveis pela coleta e pelo transporte da produção offshore.
Segundo Sylvia Anjos, a companhia já trabalha nas etapas de contratação. A executiva explicou que a infraestrutura deve começar a avançar a partir de 2027, para que esteja concluída quando as plataformas chegarem.
A licitação para o fornecimento de árvores de natal molhadas, equipamentos instalados nos poços submarinos para controlar o fluxo de petróleo e gás, já está em andamento. Outros processos de contratação devem ser abertos ainda em 2026.
“A questão da infraestrutura já começa provavelmente no ano que vem. A gente está em toda a parte de contratação”, afirmou a diretora, segundo o Movimento Econômico.
P-81 e P-87 poderão produzir juntas 240 mil barris por dia
O Sergipe Águas Profundas será dividido em dois módulos de produção. O SEAP I utilizará a plataforma P-81, enquanto o SEAP II contará com a P-87.
Cada FPSO terá capacidade aproximada para produzir 120 mil barris de petróleo por dia. Somadas, portanto, as duas plataformas poderão alcançar 240 mil barris diários.
Os FPSOs são unidades flutuantes capazes de produzir, processar, armazenar e transferir petróleo extraído em águas profundas. Esse modelo é amplamente empregado pela Petrobras no pré-sal e em outras áreas da costa brasileira.
As duas plataformas serão fornecidas pela SBM Offshore por meio do modelo BOT, sigla para Build, Operate and Transfer. Nesse formato, a empresa constrói e opera as unidades durante um período determinado antes de transferi-las para a Petrobras.
A SBM Offshore deverá operar os FPSOs por aproximadamente seis anos e meio. Depois desse período, as estruturas serão entregues à estatal brasileira.
Investimentos nos dois módulos ultrapassam R$ 60 bilhões
Os investimentos previstos nos módulos SEAP I e SEAP II superam R$ 60 bilhões. A estimativa considera as plataformas, os poços, os equipamentos submarinos e a infraestrutura necessária para escoar a produção.
A decisão final de investimento do SEAP II foi aprovada em dezembro de 2025. Posteriormente, em abril de 2026, ocorreu a aprovação do SEAP I.
Considerando também a retirada das estruturas antigas em Sergipe, o volume total de recursos mobilizados pela Petrobras no estado poderá se aproximar de R$ 70 bilhões.
Cada plataforma deverá operar por mais de 25 anos e poderá ser conectada a um conjunto de 10 a 20 poços. As unidades trabalharão em regiões com lâminas d’água próximas de 2 mil metros.
Alguns poços poderão alcançar aproximadamente 7 mil metros de profundidade. Além disso, cada FPSO deverá contar com capacidade própria de geração de energia próxima de 100 megawatts.
Produção de petróleo está prevista para 2030
Apesar do avanço da infraestrutura previsto para 2027, a extração comercial de petróleo não começará imediatamente.
O cronograma indica que a produção de óleo deverá começar em 2030. Por sua vez, o transporte de gás natural até a costa está previsto para iniciar em 2031.
Ao longo de sua vida produtiva, o Sergipe Águas Profundas poderá extrair mais de 1 bilhão de barris de óleo equivalente, considerando petróleo e gás natural.
Atualmente, Sergipe possui uma produção média próxima de 12,4 mil barris de óleo equivalente por dia. O estado encerrou 2025 como o nono maior produtor brasileiro, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis.
Com o SEAP em operação, a capacidade instalada offshore poderá ser quase vinte vezes superior ao atual nível produtivo sergipano.
Novo gás poderá reduzir dependência brasileira de importações
A Petrobras considera o gás natural produzido no SEAP estratégico para ampliar a oferta nacional e reduzir a dependência de combustível importado.
Dos 22 milhões de metros cúbicos processados diariamente pelas plataformas, cerca de 18 milhões de metros cúbicos poderão chegar ao mercado por meio do novo gasoduto.
Durante a apresentação, Sylvia Anjos defendeu que o aumento da produção nacional pode ajudar a ampliar a concorrência e reduzir os custos do gás no Brasil.
“Vai contribuir não só para o gás do país, mas também para reduzir o preço. Só se reduz preço com aumento da oferta. Hoje nós somos importadores”, declarou a executiva.
O projeto também pode ampliar a participação do Nordeste no abastecimento brasileiro. Estimativas anteriores da Petrobras indicam que a região poderá passar dos atuais 16% para aproximadamente 31% da oferta nacional de gás até 2035.
Contratações abrem espaço para fornecedores e trabalhadores
A implantação do gasoduto, dos sistemas submarinos e das plataformas deve criar oportunidades para empresas de engenharia, construção, logística e serviços offshore.
Entre as atividades potencialmente demandadas estão fabricação de equipamentos, montagem de estruturas, instalação de dutos, apoio marítimo, inspeção, manutenção e segurança operacional.
Também deverão existir oportunidades nas áreas de hotelaria offshore, movimentação de cargas, transporte, alimentação, qualificação profissional e suporte portuário.
Entretanto, a Petrobras ainda não divulgou uma quantidade oficial de empregos diretamente vinculados à construção do gasoduto e das duas plataformas. Por isso, qualquer estimativa de vagas para essa etapa deve ser tratada como projeção, e não como número confirmado.
Paralelamente, a companhia conduz o descomissionamento de 26 antigas unidades de produção na Bacia de Sergipe-Alagoas. Esse programa envolve a desconexão de 169 poços e pode gerar aproximadamente 2 mil postos de trabalho, conforme informações apresentadas anteriormente pela estatal.
Sergipe passa a ocupar posição estratégica no setor offshore
O Sergipe Águas Profundas representa o maior investimento da Petrobras fora do pré-sal e marca a abertura de uma nova fronteira produtiva no Nordeste.
Além do volume de petróleo, o diferencial do projeto está na grande produção de gás natural e na construção de uma rota própria para levar esse combustível ao continente.
Assim, a partir de 2027, as primeiras obras e contratações relacionadas à infraestrutura deverão indicar como o investimento será distribuído entre fornecedores nacionais e internacionais.
A Petrobras também participa do Sergipe Oil & Gas 2026, realizado entre 29 e 31 de julho, com debates sobre o SEAP, fornecedores, gás natural, segurança operacional e descomissionamento.
Caso o cronograma seja mantido, a chegada das plataformas em 2030 poderá colocar Sergipe entre os principais polos brasileiros de petróleo e gás, ampliando a produção nacional e a oferta de gás para indústrias, termelétricas e distribuidoras.
