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Pesquisadores da USP avançam na descoberta para transformar CO2 em combustível ou plástico e Brasil pode ser o primeiro a revolucionar a indústria renovável

Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 11/03/2022 às 12:39
USP - pesquisadores - indústria renovável- CO2 - plástico - combustível
Nova aposta dos engenheiros deve baratear o combustivel e gerar mais economia aos consumidores se aprovada – foto: freepik/oil

As pesquisas elaboradas em dois laboratórios da USP estão trabalhando firme em um catalisador de níquel para obter resultados que possam ser aplicados diretamente na indústria renovável ao transformar CO2 em combustível ou até mesmo em plástico     

Os pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) estão trabalhando na transformação de dióxido de carbono (CO2) em combustível ou em plásticos. Mesmo submetido à alta pressão, um novo catalisador feito a base de níquel, zinco e carbono transformou CO2, um dos principais gases do efeito estufa (GEE), em monóxido de carbono (CO). A professora titular do desenvolvimento do projeto, Liane Rossi, está feliz com o avanço no trabalho e falou a respeito dos resultado oriundos de sua pesquisa, que mostraram que ela e sua equipe de pesquisadores estão cada vez mais próximos de produzir concretamente, através de catálise, derivados de petróleo, tais como plásticos e combustíveis. Liane é professora do Instituto de Química da USP e coordenadora de estudo do Fapesp Shell Research Centre for Gas Innovation (RCGI).  

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Catalisador de níquel já é assunto de revista científica internacional, como futuro da indústria renovável

A pesquisa dos cientistas da USP teve destaque em duas publicações estrangeiras, sendo uma delas a revista científica European Journal of Inorganic Chemistry. Na edição de novembro de 2021, a capa da revista trouxe o artigo assinado pelos pesquisadores da USP.

O site ChemistryViews também repercutiu o trabalho da professora Liane. Após diversos estudos, os pesquisadores descobriram que o catalisador feito de níquel obteve um ótimo desempenho após ser submetido a alta temperatura, com exatos 800 graus Celsius, em atmosfera de CO2 e H2 (hidrogênio) ou então em atmosfera de metano ou propano.

Porém, as pesquisas não acabaram, pois infelizmente os pesquisadores da USP ainda não tiveram êxito ao testar o catalisador em condições de alta pressão, entre 20 e 100 bar, para que o mesmo possa tentar se adequar às condições de reação exigidas para o processo posterior à transformação de CO em produtos líquidos.

Experimentos e testes

De acordo com Liane, a combinação no catalisador muda a forma de interação entre as moléculas, podendo ser comparado diretamente ao níquel puro. O catalisador à base de níquel, zinco e carbono foi uma solução desenvolvida inicialmente por Nágila Maluf, doutoranda no IQ-USP, integrante da equipe de pesquisadores coordenada por Liane.

Os experimentos estão acontecendo em dois grupos separados de pesquisa do IQ-USP, sendo uma no Laboratório de Nanomateriais e Catálise e o outro no Laboratório de Carbono Sustentável, que está sendo acompanhado pelo professor Pedro Vidinha, coautor da pesquisa.

O Instituto de Física da USP de São Carlos e o Pacific Northwest National Laboratory (PNNL), dos Estados Unidos, também estão acompanhando a fase de testes nos laboratórios da USP. Todos esses processos vem sendo elaborados em prol da indústria renovável.

Próxima fase da pesquisa

A equipe de pesquisadores de Liane agora está se preparando para dar prosseguimento ao estudo, já tendo em vista a utilização de dois catalisadores diferentes no mesmo reator. Um deles será a base de níquel, zinco e carbono e, o outro, à base de ferro ou cobre.

O segundo catalisador terá a função de favorecer a reação entre as moléculas de CO e H2, com o intuito de produzir álcoois ou hidrocarbonetos (produtos de alto valor agregado).

Valdemar Medeiros

Jornalista em formação, especialista na criação de conteúdos com foco em ações de SEO. Escreve sobre Indústria Automotiva, Energias Renováveis e Ciência e Tecnologia

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