1. Início
  2. Indústria
  3. Parede de uma das maiores minas de cobre dos Estados Unidos começa a ceder, sensores dão o alerta e trabalhadores escapam antes de avalanche colossal
Faça um comentário 5 min de leitura

Parede de uma das maiores minas de cobre dos Estados Unidos começa a ceder, sensores dão o alerta e trabalhadores escapam antes de avalanche colossal

Imagem de perfil do autor Flavia Marinho
Escrito por Flavia Marinho Publicado em 26/07/2026 às 22:45
Uma parede da mina de cobre de Bingham Canyon, no estado de Utah, nos Estados Unidos, começou a apresentar movimentos anormais antes de sofrer um colapso gigantesco
Uma parede da mina de cobre de Bingham Canyon, no estado de Utah, nos Estados Unidos, começou a apresentar movimentos anormais antes de sofrer um colapso gigantesco
Seja o primeiro a reagir!
Reagir ao artigo
Prefira o CPG no Google

O deslizamento na mina de Bingham Canyon mostrou como radares, inspeções e monitoramento de taludes permitiram retirar trabalhadores antes de uma avalanche colossal de rochas, que destruiu equipamentos, paralisou a produção e causou prejuízo de centenas de milhões de dólares.

Uma parede da mina de cobre de Bingham Canyon, no estado de Utah, nos Estados Unidos, começou a apresentar movimentos anormais antes de sofrer um colapso gigantesco em abril de 2013. Antes do deslizamento, sensores acompanharam a instabilidade e deram tempo para que trabalhadores fossem retirados da área de risco.

A operação foi interrompida antes que a massa de rochas descesse pela cava. Caminhões e escavadeiras foram atingidos, mas ninguém morreu ou ficou ferido, resultado diretamente ligado ao monitoramento da encosta e à retirada antecipada das equipes.

A informação foi publicada por NASA Earth Observatory, plataforma científica de observação da Terra da agência espacial americana. Imagens registradas antes e depois do deslizamento revelam uma encosta inicialmente preservada e, depois, uma extensa faixa de detritos cobrindo bancadas, estradas internas e parte do fundo da mina.

A encosta começou a se mover antes do deslizamento

A parede da mina não desabou sem apresentar sinais. Instrumentos instalados na cava detectaram mudanças na estabilidade da rocha, enquanto inspeções realizadas no local acompanharam a evolução das deformações.

Os movimentos aumentaram ao longo do tempo. Esse comportamento indicava que uma grande parte da encosta estava perdendo sustentação e poderia deslizar sobre as áreas de trabalho localizadas abaixo.

A encosta começou a se mover antes do deslizamento
Reprodução/IA

A equipe responsável decidiu interromper a produção e retirar os trabalhadores. O alerta foi emitido antes do colapso, permitindo esvaziar a região que seria atingida pela avalanche.

Esse tipo de decisão exige rapidez. Paralisar uma mina provoca perdas financeiras, mas manter pessoas em uma área instável pode transformar um problema operacional em uma tragédia humana.

Como o radar percebe movimentos quase invisíveis

O radar usado no monitoramento de taludes envia sinais até a parede da mina e analisa o retorno dessas ondas. Ao comparar leituras realizadas em momentos diferentes, o sistema identifica pequenas mudanças na posição da encosta.

Alguns deslocamentos são tão discretos que não podem ser percebidos apenas por uma pessoa olhando para a parede. O equipamento consegue acompanhar movimentos medidos em milímetros e mostrar quais partes da rocha estão acelerando.

O radar não segura a encosta e não impede o deslizamento. Sua função é fornecer informações para que engenheiros avaliem o perigo e decidam quando máquinas e trabalhadores precisam deixar o local.

Outros instrumentos ajudam nesse acompanhamento. Eles medem deformações, abertura de trincas e mudanças na superfície, enquanto as inspeções verificam sinais visíveis de instabilidade.

O momento do colapso cobriu parte do fundo da mina

Quando a parede finalmente cedeu, uma enorme massa de terra e rocha desceu pelas bancadas da cava. O material atravessou áreas de circulação e alcançou pontos onde equipamentos pesados estavam estacionados.

Caminhões, escavadeiras e vias internas foram atingidos. A produção ficou paralisada e o prejuízo alcançou centenas de milhões de dólares, mas a região já havia sido evacuada.

O momento do colapso cobriu parte do fundo da mina
Reprodução/ IA

NASA Earth Observatory, plataforma científica de observação da Terra da agência espacial americana, registrou que todos os trabalhadores haviam sido retirados e que a produção estava interrompida antes do deslizamento. O episódio foi classificado como um dos maiores deslizamentos não vulcânicos registrados na América do Norte.

As imagens posteriores mostram uma grande cicatriz na parede da cava e um caminho de detritos até a parte inferior da mina. A comparação visual deixa clara a dimensão da mudança provocada pelo colapso.

Por que minas profundas podem formar paredes instáveis

Uma mina a céu aberto é escavada para baixo em grandes níveis. Esses níveis formam degraus largos chamados bancadas, usados para permitir o acesso de caminhões, máquinas e trabalhadores.

Entre uma bancada e outra ficam paredes inclinadas conhecidas como taludes. À medida que a cava avança, essas paredes ficam maiores e precisam sustentar grandes volumes de rocha.

Fraturas naturais, água dentro das rachaduras, alterações na qualidade da rocha e o próprio formato da escavação podem reduzir a estabilidade. A profundidade da mina não causa um colapso sozinha, mas exige controle cada vez mais rigoroso.

Trincas novas, queda de pequenos blocos, deformações e aumento da velocidade do movimento são sinais que merecem atenção. Nenhum deles deve ser analisado isoladamente, pois cada encosta apresenta características próprias.

Grandes cavas e barragens brasileiras também usam monitoramento

Em grandes operações brasileiras, a segurança de cavas também depende de inspeções, estudos do terreno, instrumentos e registros de mudanças nos taludes. A finalidade é reconhecer sinais de instabilidade antes que pessoas e equipamentos fiquem expostos.

Nas barragens de mineração, as regras da Agência Nacional de Mineração, órgão federal que regula e fiscaliza a mineração brasileira, preveem sistemas de monitoramento e acompanhamento dos instrumentos de segurança. Estruturas classificadas em situações específicas precisam contar com acompanhamento automatizado.

Uma cava e uma barragem não apresentam o mesmo tipo de risco. A cava possui paredes formadas pela escavação do terreno, enquanto a barragem é construída para armazenar rejeitos ou água usados na mineração.

A comparação está no método de prevenção. Em ambos os casos, instrumentos, inspeções e profissionais especializados precisam trabalhar juntos para identificar mudanças e orientar decisões de segurança.

O que a mineração aprendeu com Bingham Canyon

O deslizamento mostrou que uma grande parede de rocha pode apresentar sinais antes de perder a estabilidade. Detectar esses sinais, porém, só produz resultado quando a empresa está preparada para interromper a operação.

A tecnologia não substitui a análise humana. O radar fornece dados, mas engenheiros e equipes de segurança precisam interpretar as informações, comparar os movimentos e decidir quando retirar trabalhadores.

Em abril de 2013, a mina de Bingham Canyon sofreu enorme destruição material e teve sua produção interrompida. A retirada antecipada das equipes, porém, evitou que um dos maiores deslizamentos registrados na região também provocasse mortes.

Quando sensores apontam um risco crescente, até onde uma empresa deve aceitar perdas materiais para proteger vidas? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe a publicação.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Flavia Marinho

Flavia Marinho é Engenheira pós-graduada, com vasta experiência na indústria de construção naval onshore e offshore. Nos últimos anos, tem se dedicado a escrever artigos para sites de notícias nas áreas militar, segurança, indústria, petróleo e gás, energia, construção naval, geopolítica, empregos e cursos. Entre em contato com flaviacamil@gmail.com ou WhatsApp +55 21 973996379 para correções, sugestão de pauta, divulgação de vagas de emprego ou proposta de publicidade em nosso portal.

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x