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Obcecada por eliminar o desperdício de água, fábrica de SC investe R$ 5 milhões, reduz consumo de 48 mil para apenas 3 mil litros por dia e hoje abastece cerca de 70% do mercado flexográfico da América Latina

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 09/06/2026 às 13:50
Atualizado em 09/06/2026 às 13:55
Assista o vídeoFábrica de SC investe R$ 5 milhões, corta 95% do consumo de água e reforça atuação no mercado flexográfico da América Latina.
Fábrica de SC investe R$ 5 milhões, corta 95% do consumo de água e reforça atuação no mercado flexográfico da América Latina.
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Indústria catarinense reduziu o uso de água na própria operação após modernizar equipamentos, ampliar o reuso e diminuir perdas no processo produtivo. A mudança envolve uma fábrica ligada à cadeia de embalagens flexíveis, usada em alimentos, rótulos, sacos, pacotes e caixas.

Uma indústria de Morro da Fumaça, no Sul de Santa Catarina, reduziu em cerca de 95% o consumo diário de água após investir R$ 5 milhões na modernização de equipamentos e processos internos.

Especializada em soluções para resíduos usados na flexografia, a Reciclo Química passou de aproximadamente 48 mil litros por dia para cerca de 3 mil litros, segundo informações divulgadas pela empresa e por reportagem publicada em junho de 2026.

Com a mudança, a água deixou de ser usada de forma intensiva no processo industrial e passou a atender principalmente demandas domésticas da fábrica, que tem cerca de 40 funcionários.

O resultado foi atribuído pela companhia a melhorias no circuito de reuso, redução de perdas por evaporação e atualização de maquinários, conforme explicou o CEO Alan Fabre.

Investimento reduziu dependência de água na fábrica

Antes do novo aporte, a empresa já operava com reaproveitamento de água, mas a modernização ampliou a eficiência do sistema, de acordo com a Reciclo.

Na prática, a operação passou a depender menos da captação diária e concentrou o consumo em atividades de apoio, como banheiros, limpeza e demais usos internos não ligados diretamente ao processamento industrial.

A redução no consumo foi apresentada pela empresa como parte de uma estratégia ambiental voltada à diminuição de desperdícios na cadeia industrial.

Fábrica de SC investe R$ 5 milhões, corta 95% do consumo de água e reforça atuação no mercado flexográfico da América Latina.
Fábrica de SC investe R$ 5 milhões, corta 95% do consumo de água e reforça atuação no mercado flexográfico da América Latina.

Fabre afirmou que a decisão não partiu apenas de exigências comerciais, mas de uma preocupação mais ampla com o uso racional da água.

“Vem de um apelo da humanidade, não meramente do mercado. Não é uma questão estritamente ligada a uma solicitação de clientes ou a uma exigência. Na realidade, a água é o bem essencial para a vida, todos sabemos disso”, disse o executivo.

A declaração foi usada pela companhia para explicar o investimento feito na fábrica.

Embora o setor industrial esteja submetido a metas ambientais e exigências de eficiência, a Reciclo afirma que a mudança busca tornar a produção menos dependente de recursos naturais e mais alinhada ao reaproveitamento.

Conforme Fabre, a redução ocorreu em várias frentes ao mesmo tempo, incluindo ampliação do reuso, diminuição das perdas de água por evaporação e atualização dos equipamentos usados no funcionamento diário da fábrica.

O que faz a Reciclo em Morro da Fumaça

Fundada em 1990, em Morro da Fumaça, a Reciclo Química atua na recuperação de solventes, processadores e outros resíduos utilizados pela indústria flexográfica.

A empresa é apresentada em publicações do setor como uma das principais recicladoras desse segmento na América Latina e opera em uma cadeia ligada à produção de embalagens, rótulos, sacos, pacotes e caixas.

Usada em embalagens flexíveis, a flexografia é um processo de impressão aplicado em diferentes superfícies e presente em produtos do cotidiano, especialmente no setor de alimentos, em que a embalagem auxilia na preservação durante transporte, armazenagem e distribuição.

Dentro da operação da Reciclo, os processadores fazem parte da preparação dos moldes usados na impressão.

Após o uso por outras indústrias, esses materiais precisam receber destinação adequada para evitar descarte incorreto e permitir o reaproveitamento de insumos, conforme explica a empresa.

“Aqui nós atuamos com os processadores para impressão, que são os moldes, para rótulos, embalagens, sacos, pacotes e caixas. Muitas vezes a gente vê um objeto no dia a dia e nem imagina o que precisa ser feito para que ele esteja naquela condição”, afirmou Fabre.

A companhia também associa o trabalho do setor à conservação de alimentos.

Fábrica de SC investe R$ 5 milhões, corta 95% do consumo de água e reforça atuação no mercado flexográfico da América Latina.
Fábrica de SC investe R$ 5 milhões, corta 95% do consumo de água e reforça atuação no mercado flexográfico da América Latina.

Segundo o CEO, determinados produtos não chegariam a algumas regiões em boas condições se não houvesse embalagens adequadas para proteger o conteúdo durante a circulação.

Reuso de água já fazia parte da operação industrial

Antes do investimento de R$ 5 milhões, a Reciclo já trabalhava com um circuito fechado de reaproveitamento.

Segundo a empresa, o novo pacote de melhorias reduziu a necessidade de água dentro do processo e não apenas ampliou a reutilização do volume já captado.

“O reuso que se tinha foi ampliado e melhorado, nós também fizemos com que as perdas por evaporação fossem diminuídas. Sobretudo, a modernização dos nossos maquinários permitiu que esse consumo fosse bem menor”, destacou o executivo.

A redução de 48 mil para 3 mil litros por dia representa, nos dados divulgados pela companhia, uma mudança no funcionamento de uma indústria que lida com líquidos, solventes e resíduos químicos em sua rotina.

Ao concentrar a água no uso doméstico dos funcionários, a Reciclo afirma ter diminuído o impacto direto da atividade produtiva sobre esse recurso.

Além da pauta hídrica, a atuação da empresa envolve a recuperação de materiais que exigem tratamento especializado.

Em abril de 2026, publicação sobre a companhia informou que, nos últimos 20 anos, a Reciclo reciclou quase 68 milhões de litros de solventes usados pela indústria flexográfica e recebeu 23,4 milhões de quilos de fotopolímeros para descaracterização e transformação em matéria-prima para outros segmentos.

No mesmo período, os processos geraram 12,8 milhões de quilos de borra, subproduto encaminhado a empresas parceiras e usado como insumo por outros setores, como indústrias ligadas à borracha.

A Reciclo também foi descrita na publicação como responsável por mais de 80% da demanda do mercado de reciclagem de solventes e processadores da indústria flexográfica na América Latina.

Da área rural à atuação latino-americana

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A trajetória da empresa começou em um sítio na área rural de Morro da Fumaça.

O negócio foi criado pelo pai de Alan Fabre, que desenvolveu os primeiros equipamentos flexográficos com o sócio da época e segue vinculado à empresa mesmo após mais de três décadas de atividade.

Nos primeiros anos, a estrutura era mais simples e atendia principalmente demandas regionais.

Com o crescimento da indústria de embalagens e a necessidade de destinação adequada para resíduos químicos gerados no processo flexográfico, a empresa ampliou gradualmente sua atuação.

Em 1998, a Reciclo deixou a estrutura inicial e passou a operar em sede própria.

A mudança marcou uma nova fase de ampliação, primeiro com atendimento ao Sul de Santa Catarina e, depois, com avanço para clientes e demandas de outros países da América Latina.

A permanência da família na gestão também faz parte da história da companhia, segundo as informações divulgadas pela empresa.

Enquanto Fabre assumiu a liderança executiva, o fundador segue participando da rotina empresarial 35 anos depois da criação do negócio.

Reciclagem de resíduos químicos na flexografia

A cadeia da flexografia usa materiais que não podem ser tratados como lixo comum.

Solventes, processadores e fotopolímeros exigem processos técnicos para recuperação, descaracterização ou reaproveitamento, já que o descarte inadequado pode representar riscos ambientais.

Nesse cenário, empresas especializadas atuam como elo entre a geração do resíduo e o retorno de parte dos insumos à cadeia produtiva.

O objetivo declarado desse tipo de processo é reduzir a pressão sobre aterros, recuperar materiais com valor industrial e evitar que substâncias químicas sigam para destinos inadequados.

Fabre já afirmou, em publicação sobre a companhia, que a preocupação com a destinação incorreta existia no setor desde o início dos anos 1990.

De acordo com o executivo, o avanço de processos físico-químicos permitiu separar solventes de contaminantes e devolvê-los para reutilização industrial.

A modernização que reduziu o consumo de água integra uma operação que já tinha o reaproveitamento como eixo de negócio, conforme a empresa.

Além de reciclar materiais de clientes, a Reciclo passou a diminuir também o volume de água necessário para manter sua própria produção em funcionamento.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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