Indústria catarinense reduziu o uso de água na própria operação após modernizar equipamentos, ampliar o reuso e diminuir perdas no processo produtivo. A mudança envolve uma fábrica ligada à cadeia de embalagens flexíveis, usada em alimentos, rótulos, sacos, pacotes e caixas.
Uma indústria de Morro da Fumaça, no Sul de Santa Catarina, reduziu em cerca de 95% o consumo diário de água após investir R$ 5 milhões na modernização de equipamentos e processos internos.
Especializada em soluções para resíduos usados na flexografia, a Reciclo Química passou de aproximadamente 48 mil litros por dia para cerca de 3 mil litros, segundo informações divulgadas pela empresa e por reportagem publicada em junho de 2026.
Com a mudança, a água deixou de ser usada de forma intensiva no processo industrial e passou a atender principalmente demandas domésticas da fábrica, que tem cerca de 40 funcionários.
-
Justiça brasileira descobre comandos escondidos em processos e acende sinal vermelho sobre o uso de inteligência artificial na análise de ações judiciais
-
Redes sociais terão novas obrigações no Brasil, e denúncias sobre crimes contra crianças na internet podem ganhar caminho mais rápido até a Polícia Federal
-
Mancha fria no Atlântico Norte ao sul da Groenlândia resfria há mais de um século na contramão do aquecimento global e novo estudo aponta o enfraquecimento das correntes oceânicas como causa mais provável
-
Sistema Solar pode ter perdido 2 planetas gigantes e novas simulações agora levantam um problema ainda maior envolvendo as luas de Urano, que talvez não tenham sobrevivido intactas ao caos gravitacional do passado
O resultado foi atribuído pela companhia a melhorias no circuito de reuso, redução de perdas por evaporação e atualização de maquinários, conforme explicou o CEO Alan Fabre.
Investimento reduziu dependência de água na fábrica
Antes do novo aporte, a empresa já operava com reaproveitamento de água, mas a modernização ampliou a eficiência do sistema, de acordo com a Reciclo.
Na prática, a operação passou a depender menos da captação diária e concentrou o consumo em atividades de apoio, como banheiros, limpeza e demais usos internos não ligados diretamente ao processamento industrial.
A redução no consumo foi apresentada pela empresa como parte de uma estratégia ambiental voltada à diminuição de desperdícios na cadeia industrial.

Fabre afirmou que a decisão não partiu apenas de exigências comerciais, mas de uma preocupação mais ampla com o uso racional da água.
“Vem de um apelo da humanidade, não meramente do mercado. Não é uma questão estritamente ligada a uma solicitação de clientes ou a uma exigência. Na realidade, a água é o bem essencial para a vida, todos sabemos disso”, disse o executivo.
A declaração foi usada pela companhia para explicar o investimento feito na fábrica.
Embora o setor industrial esteja submetido a metas ambientais e exigências de eficiência, a Reciclo afirma que a mudança busca tornar a produção menos dependente de recursos naturais e mais alinhada ao reaproveitamento.
Conforme Fabre, a redução ocorreu em várias frentes ao mesmo tempo, incluindo ampliação do reuso, diminuição das perdas de água por evaporação e atualização dos equipamentos usados no funcionamento diário da fábrica.
O que faz a Reciclo em Morro da Fumaça
Fundada em 1990, em Morro da Fumaça, a Reciclo Química atua na recuperação de solventes, processadores e outros resíduos utilizados pela indústria flexográfica.
A empresa é apresentada em publicações do setor como uma das principais recicladoras desse segmento na América Latina e opera em uma cadeia ligada à produção de embalagens, rótulos, sacos, pacotes e caixas.
Usada em embalagens flexíveis, a flexografia é um processo de impressão aplicado em diferentes superfícies e presente em produtos do cotidiano, especialmente no setor de alimentos, em que a embalagem auxilia na preservação durante transporte, armazenagem e distribuição.
Dentro da operação da Reciclo, os processadores fazem parte da preparação dos moldes usados na impressão.
Após o uso por outras indústrias, esses materiais precisam receber destinação adequada para evitar descarte incorreto e permitir o reaproveitamento de insumos, conforme explica a empresa.
“Aqui nós atuamos com os processadores para impressão, que são os moldes, para rótulos, embalagens, sacos, pacotes e caixas. Muitas vezes a gente vê um objeto no dia a dia e nem imagina o que precisa ser feito para que ele esteja naquela condição”, afirmou Fabre.
A companhia também associa o trabalho do setor à conservação de alimentos.

Segundo o CEO, determinados produtos não chegariam a algumas regiões em boas condições se não houvesse embalagens adequadas para proteger o conteúdo durante a circulação.
Reuso de água já fazia parte da operação industrial
Antes do investimento de R$ 5 milhões, a Reciclo já trabalhava com um circuito fechado de reaproveitamento.
Segundo a empresa, o novo pacote de melhorias reduziu a necessidade de água dentro do processo e não apenas ampliou a reutilização do volume já captado.
“O reuso que se tinha foi ampliado e melhorado, nós também fizemos com que as perdas por evaporação fossem diminuídas. Sobretudo, a modernização dos nossos maquinários permitiu que esse consumo fosse bem menor”, destacou o executivo.
A redução de 48 mil para 3 mil litros por dia representa, nos dados divulgados pela companhia, uma mudança no funcionamento de uma indústria que lida com líquidos, solventes e resíduos químicos em sua rotina.
Ao concentrar a água no uso doméstico dos funcionários, a Reciclo afirma ter diminuído o impacto direto da atividade produtiva sobre esse recurso.
Além da pauta hídrica, a atuação da empresa envolve a recuperação de materiais que exigem tratamento especializado.
Em abril de 2026, publicação sobre a companhia informou que, nos últimos 20 anos, a Reciclo reciclou quase 68 milhões de litros de solventes usados pela indústria flexográfica e recebeu 23,4 milhões de quilos de fotopolímeros para descaracterização e transformação em matéria-prima para outros segmentos.
No mesmo período, os processos geraram 12,8 milhões de quilos de borra, subproduto encaminhado a empresas parceiras e usado como insumo por outros setores, como indústrias ligadas à borracha.
A Reciclo também foi descrita na publicação como responsável por mais de 80% da demanda do mercado de reciclagem de solventes e processadores da indústria flexográfica na América Latina.
Da área rural à atuação latino-americana
A trajetória da empresa começou em um sítio na área rural de Morro da Fumaça.
O negócio foi criado pelo pai de Alan Fabre, que desenvolveu os primeiros equipamentos flexográficos com o sócio da época e segue vinculado à empresa mesmo após mais de três décadas de atividade.
Nos primeiros anos, a estrutura era mais simples e atendia principalmente demandas regionais.
Com o crescimento da indústria de embalagens e a necessidade de destinação adequada para resíduos químicos gerados no processo flexográfico, a empresa ampliou gradualmente sua atuação.
Em 1998, a Reciclo deixou a estrutura inicial e passou a operar em sede própria.
A mudança marcou uma nova fase de ampliação, primeiro com atendimento ao Sul de Santa Catarina e, depois, com avanço para clientes e demandas de outros países da América Latina.
A permanência da família na gestão também faz parte da história da companhia, segundo as informações divulgadas pela empresa.
Enquanto Fabre assumiu a liderança executiva, o fundador segue participando da rotina empresarial 35 anos depois da criação do negócio.
Reciclagem de resíduos químicos na flexografia
A cadeia da flexografia usa materiais que não podem ser tratados como lixo comum.
Solventes, processadores e fotopolímeros exigem processos técnicos para recuperação, descaracterização ou reaproveitamento, já que o descarte inadequado pode representar riscos ambientais.
Nesse cenário, empresas especializadas atuam como elo entre a geração do resíduo e o retorno de parte dos insumos à cadeia produtiva.
O objetivo declarado desse tipo de processo é reduzir a pressão sobre aterros, recuperar materiais com valor industrial e evitar que substâncias químicas sigam para destinos inadequados.
Fabre já afirmou, em publicação sobre a companhia, que a preocupação com a destinação incorreta existia no setor desde o início dos anos 1990.
De acordo com o executivo, o avanço de processos físico-químicos permitiu separar solventes de contaminantes e devolvê-los para reutilização industrial.
A modernização que reduziu o consumo de água integra uma operação que já tinha o reaproveitamento como eixo de negócio, conforme a empresa.
Além de reciclar materiais de clientes, a Reciclo passou a diminuir também o volume de água necessário para manter sua própria produção em funcionamento.


Seja o primeiro a reagir!