SP nos Trilhos prevê R$ 190 bilhões em 40 projetos ferroviários até 2035. Programa integra Sudeste e Nordeste e promete revolucionar a logística nacional.
Em 2025, o governo de São Paulo consolidou o programa SP nos Trilhos, considerado o maior plano estadual de investimentos em ferrovias da história do país. O projeto reúne mais de 40 iniciativas entre novas linhas, concessões e modernizações, totalizando um volume estimado de R$ 190 bilhões em investimentos públicos e privados até 2035.
O objetivo é ambicioso: integrar o Sudeste ao Nordeste, reduzir gargalos logísticos e reposicionar o Brasil no comércio internacional de cargas, diminuindo a dependência do transporte rodoviário.
O papel de São Paulo como centro logístico
São Paulo concentra quase 32% do PIB nacional e responde por parcela significativa da movimentação portuária, especialmente pelo Porto de Santos. Hoje, grande parte da produção agrícola e industrial do Centro-Oeste e do interior paulista depende de rodovias sobrecarregadas, com custos logísticos elevados.
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Com o SP nos Trilhos, a meta é transformar o estado em hub ferroviário nacional, conectando áreas produtoras do interior aos portos e criando corredores que se estendem até o Nordeste, ampliando alternativas para exportações.
Estrutura e eixos do programa
O SP nos Trilhos é dividido em três frentes principais:
- Ferrovias de carga: priorizam a ligação entre áreas de produção agrícola/mineral e portos estratégicos, com destaque para a expansão de corredores rumo ao Nordeste.
- Ferrovias de passageiros: incluem a implantação do Trem Intercidades (TIC), ligando São Paulo a Campinas, Sorocaba e São José dos Campos, além de estudos para conexões mais longas.
- Modernização e integração: atualização de trechos já existentes, redução de gargalos urbanos e melhor aproveitamento de malhas subutilizadas.
Avanços mais recentes do projeto
O avanço mais simbólico do programa SP nos Trilhos ocorreu em março de 2025, com a assinatura da concessão do Lote Alto Tietê, que prevê investimentos de R$ 14,3 bilhões.
O pacote inclui a modernização e ampliação das linhas 11-Coral, 12-Safira, 13-Jade e do Expresso Aeroporto, além da entrega de 10 novas estações, reforma de 24 já existentes, construção de 4 novas unidades e expansão de 20 km de trilhos.
A expectativa é de que esse conjunto de obras eleve a capacidade para até 1,3 milhão de passageiros por dia até 2040, com redução significativa nos intervalos entre trens, marcando um passo decisivo para a modernização da malha ferroviária paulista.
O Trem Intercidades como vitrine do programa
O projeto mais emblemático é o Trem Intercidades (TIC) Eixo Norte, que ligará São Paulo a Campinas em 64 minutos, com trens de até 160 km/h. A linha deve transportar mais de 60 mil passageiros por dia e recebeu parte dos investimentos prioritários de 2025.
Além do TIC, há planos de expansão para Sorocaba e São José dos Campos, consolidando um corredor ferroviário de passageiros inédito no Brasil moderno.
Investimentos bilionários e participação privada
Dos R$ 190 bilhões previstos no programa, grande parte virá da iniciativa privada por meio de concessões, parcerias público-privadas e financiamentos.
Estimativas apontam que mais de 70% dos recursos serão captados junto ao setor privado, o que reforça a necessidade de estabilidade regulatória e segurança jurídica.
Entre as prioridades já confirmadas, estão:
- Concessão de novos trechos ferroviários conectando São Paulo ao interior e ao Porto de Santos.
- Investimentos em integração multimodal, com terminais logísticos conectando ferrovias a rodovias e portos.
- Expansão da malha para o Nordeste, aproveitando corredores já existentes e integrando com futuros eixos federais.
Impacto esperado no transporte de cargas
O transporte ferroviário é considerado o modal mais competitivo para longas distâncias. Uma composição ferroviária pode substituir até 250 caminhões, reduzindo custos, emissões e tempo de transporte.
Com a expansão prevista no programa, a expectativa é que o volume de cargas ferroviárias no Sudeste aumente em 40% até 2035, beneficiando o escoamento de soja, milho, minério de ferro e produtos industrializados.
Esse impacto deve aliviar rodovias sobrecarregadas, reduzir acidentes e trazer ganhos ambientais expressivos.
Integração Sudeste–Nordeste
Um dos aspectos mais relevantes do programa é a conexão com projetos nacionais, como a Ferrovia Norte–Sul e a Ferrovia de Integração Oeste–Leste (FIOL).
A partir dessas ligações, o SP nos Trilhos busca criar um corredor ferroviário contínuo entre Sudeste e Nordeste, encurtando rotas para exportação de grãos e minério, além de fortalecer a integração regional.
Essa conexão estratégica pode reposicionar o Brasil como player global mais competitivo em commodities agrícolas e minerais.
Desafios e gargalos a superar
Apesar do potencial, o programa enfrenta desafios:
- Burocracia e licenciamento ambiental: obras ferroviárias de grande porte exigem estudos complexos e podem enfrentar resistência.
- Coordenação entre esferas de governo: o sucesso depende da integração entre programas estaduais e federais.
- Atração de capital privado: garantir previsibilidade e retorno aos investidores será essencial.
Especialistas alertam que o histórico de atrasos em obras ferroviárias no Brasil exige cautela.
Enquanto países como China e Índia expandiram suas malhas ferroviárias em ritmo acelerado nas últimas décadas, o Brasil ainda conta com apenas 30 mil km de ferrovias ativas, grande parte concentrada em transporte de minério.
Com o SP nos Trilhos, São Paulo busca se alinhar às práticas internacionais, aumentando a participação ferroviária e reduzindo gargalos logísticos históricos.
Projeções para 2035
Se cumpridas as metas, o programa deve:
- Elevar o transporte ferroviário de cargas em 40% no estado.
- Reduzir em até 25% os custos logísticos médios em corredores estratégicos.
- Aumentar a movimentação de passageiros em mais de 100 mil pessoas por dia nos trens regionais.
- Ampliar a integração nacional, conectando o Porto de Santos a corredores que alcançam o Nordeste.
O SP nos Trilhos não é apenas um plano estadual, mas um projeto com repercussão nacional. Com R$ 190 bilhões em mais de 40 obras e integração entre Sudeste e Nordeste, o programa tem potencial para mudar a matriz de transportes do Brasil e reposicionar o país no cenário global.
O sucesso dependerá da capacidade de execução, da atração de investimentos privados e da coordenação entre governos. Se implementado como planejado, o programa pode se tornar um marco na infraestrutura brasileira, comparável às maiores transformações ferroviárias do mundo contemporâneo.