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Nada de BRICS nem Europa, esses são os dois parceiros que o Brasil buscou em 2025 para driblar o impacto das tarifas americanas sobre a carne bovina

Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 31/08/2025 às 08:22
Nada de BRICS nem Europa, esses são os dois parceiros que o Brasil buscou em 2025 para driblar o impacto das tarifas americanas sobre a carne bovina
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Com tarifas de 50% dos EUA sobre a carne bovina, Brasil reforça exportações para novos parceiros em 2025 e redireciona parte do comércio global.

O ano de 2025 ficará marcado como um dos mais tensos na história do comércio internacional da carne bovina. Em agosto, o governo dos Estados Unidos aplicou tarifas de 50% sobre a carne brasileira, justificando medidas de proteção ao mercado doméstico. A decisão atingiu diretamente um dos maiores exportadores globais e colocou em xeque contratos bilionários que vinham sendo firmados nos últimos anos. Para o Brasil, maior exportador de carne bovina do planeta, o impacto inicial foi significativo. O país, que exporta para mais de 150 destinos, precisou reagir rapidamente e buscar novos mercados para redirecionar parte de sua produção. Foi nesse cenário que dois parceiros ganharam protagonismo inesperado em 2025, preenchendo parte da lacuna deixada pelos EUA.

México supera os EUA como destino da carne bovina brasileira em agosto

Entre os dias 1º e 25 de agosto de 2025, o México superou os Estados Unidos como segundo maior destino da carne bovina brasileira.

Segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) divulgados pela Reuters, o Brasil embarcou 10.200 toneladas para o México, gerando US$ 58,8 milhões. No mesmo período, as exportações para os EUA somaram 7.800 toneladas, com US$ 43,6 milhões.

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No acumulado de janeiro a julho de 2025, o México importou 67.659 toneladas da proteína brasileira, quase três vezes mais que no mesmo período de 2024. Esse crescimento acelerado consolidou o país como um dos novos pilares da carne bovina do Brasil.

A Argentina também amplia espaço nas compras

Além do México, a Argentina despontou como outro parceiro relevante em 2025. Tradicional concorrente do Brasil no mercado internacional de carnes, o país vizinho ampliou importações pontuais de carne brasileira para abastecer o consumo interno e atender a demandas específicas da indústria local.

Ainda que os volumes não se comparem aos embarques para China, Hong Kong ou México, a presença argentina reforça a estratégia de diversificação comercial adotada pelo Brasil após as tarifas impostas pelos EUA.

China ainda lidera, mas Brasil precisa de alternativas

Apesar do crescimento de México e Argentina, a China continua a ser o maior comprador de carne bovina brasileira, responsável por mais de 40% das exportações. Em agosto de 2025, os chineses importaram mais de 100 mil toneladas, consolidando a posição de Pequim como destino central do setor.

Entretanto, especialistas alertam que a dependência excessiva da China representa um risco de longo prazo. O movimento para abrir e fortalecer outros mercados, como México e Argentina, é visto como fundamental para reduzir a vulnerabilidade comercial do Brasil.

Impacto econômico das tarifas

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A aplicação das tarifas de 50% pelos EUA deve reduzir significativamente as exportações brasileiras para o mercado americano. Em 2024, os EUA foram o segundo maior destino da carne bovina nacional, atrás apenas da China.

Segundo analistas do setor, a perda do mercado norte-americano pode custar ao Brasil centenas de milhões de dólares por ano em receitas, ao mesmo tempo em que pressiona frigoríficos a encontrarem alternativas rápidas.

Reconfiguração do mercado global da carne

O embargo parcial dos EUA não afeta apenas o Brasil. Analistas apontam que a medida tende a reconfigurar os fluxos globais da carne bovina:

  • Parte da proteína que iria para os EUA passa a ser redirecionada para México, Argentina e outros países da América Latina.
  • A China pode aproveitar o cenário para negociar preços mais competitivos, dado o excesso de oferta.
  • Os EUA, por sua vez, precisarão buscar mais carne de fornecedores alternativos, como Austrália e Canadá, encarecendo sua cadeia produtiva.

Essa disputa mostra como decisões políticas e comerciais podem alterar rapidamente a geografia do comércio mundial de alimentos.

O papel do Brasil nesse novo cenário

Para o Brasil, a crise também se transforma em oportunidade. Ao abrir espaço em mercados como México e Argentina, o país reforça a estratégia de diversificação de destinos. Além disso, fortalece sua imagem como fornecedor confiável e competitivo, mesmo diante de barreiras comerciais inesperadas.

Representantes da Abiec destacam que a indústria brasileira da carne tem capacidade de adaptação e que o foco em 2025 é consolidar parcerias estáveis de longo prazo, reduzindo a dependência de poucos compradores.

O tarifaço dos EUA sobre a carne bovina brasileira em 2025 colocou à prova a força de um dos maiores setores de exportação do país. A resposta veio rapidamente, com México e Argentina assumindo papéis centrais como novos destinos, compensando parte das perdas com o mercado americano.

Embora a China ainda lidere com folga as importações, a reconfiguração do comércio evidencia que o Brasil precisa seguir ampliando sua rede de compradores para reduzir riscos futuros. O episódio deixa claro que, no tabuleiro global dos alimentos, a carne bovina é também uma arma geopolítica.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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