Carlos Coutinho estava perto de encerrar o expediente e precisava de mais R$ 100 para atingir a meta do dia quando recebeu uma mensagem incomum pelo aplicativo. A passageira não queria exatamente uma viagem, ofereceu dinheiro para ser ouvida.
Uma chamada recebida na noite de 21 de agosto de 2026 mudou o fim do expediente do motorista de aplicativo Carlos Coutinho, em Goiânia. Antes mesmo de chegar ao endereço indicado, ele recebeu pelo chat uma proposta de R$ 150 para permanecer ali ouvindo o desabafo de uma passageira.
A mulher explicou que havia acabado de descobrir uma traição e não queria contar o ocorrido a pessoas conhecidas. Carlos, que trabalhava na região Noroeste da capital goiana, respondeu de uma maneira que mudou completamente o rumo da corrida: em vez dos R$ 150, sugeriu que ela comprasse uma pizza.
Quando chegou ao endereço, por volta das 21h, a comida já estava esperando. O motorista cancelou a viagem no aplicativo e permaneceu no local por aproximadamente uma hora e meia, ouvindo a mulher falar sobre o relacionamento e tentando aconselhá-la. A CNN Brasil publicou o caso em 24 de agosto, três dias depois do encontro.
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Passageira procurou um desconhecido porque não queria contar a traição para pessoas próximas
A história começou ainda antes de Carlos chegar ao ponto de embarque. Pelo chat do aplicativo, a passageira explicou que tinha terminado o relacionamento e precisava conversar com alguém que não fizesse parte de seu círculo pessoal.
De acordo com o relato do motorista, a mulher afirmou que havia descoberto que o namorado a traía. Ela também teria explicado que queria manter a situação em sigilo diante de conhecidos, transformando o próprio motorista chamado pelo aplicativo em uma espécie de ouvinte improvisado.
O pedido ficou mais claro quando ela perguntou quanto faltava para Carlos alcançar sua meta financeira naquele dia. Ele respondeu que precisava faturar mais R$ 100 antes de encerrar o expediente, e a passageira então ofereceu R$ 150 para que ele permanecesse com ela e ouvisse o que tinha acontecido.
Mesmo faltando dinheiro para atingir a meta, Carlos não aceitou a proposta como pagamento pelo desabafo. Segundo informações publicadas pelo TNOnline, ele estava no fim da jornada e preferiu trocar a quantia pela pizza que os dois comeriam durante a conversa.
Os R$ 150 ficaram de lado e uma pizza já esperava quando o motorista chegou

A resposta de Carlos foi simples. Ele pediu que a passageira guardasse o dinheiro e usasse parte dele para comprar uma pizza, já que estava com fome depois de passar o dia trabalhando.
A escolha tinha um peso particular porque os R$ 150 superavam em R$ 50 o valor que faltava para ele alcançar a meta diária. Ainda assim, ao chegar ao endereço, ele decidiu não transformar aquela conversa em mais uma corrida remunerada.
A pizza já havia sido providenciada. Carlos cancelou a corrida e os dois ficaram na área do imóvel, onde a mulher começou a contar com mais detalhes o que havia acontecido no relacionamento.
À RedeTV!, o motorista relatou que permaneceu ali por cerca de 1h30, ouvindo e tentando dar apoio. O encontro, portanto, deixou de seguir a dinâmica normal de embarque, deslocamento e desembarque que ele esperava quando inicialmente recebeu a solicitação pelo aplicativo.
Relato revelou que o relacionamento havia afastado a passageira de praticamente todos os amigos
Durante a conversa, apareceu outro ponto que ajudava a explicar por que a mulher havia procurado justamente um desconhecido. Conforme a versão apresentada por Carlos, ela contou que viveu um relacionamento complicado e que havia se afastado de praticamente todos os amigos enquanto estava com o namorado.
Esse isolamento teria deixado a passageira sem alguém próximo com quem se sentisse confortável para conversar naquele momento. A solução encontrada foi fazer o pedido pelo aplicativo e perguntar diretamente ao motorista se ele aceitaria ficar algum tempo ouvindo sua história.
A identidade da passageira não foi divulgada, e os detalhes sobre a traição e sobre o relacionamento são baseados no que Carlos contou posteriormente à imprensa e nas mensagens atribuídas à conversa no aplicativo. Não há, nas reportagens consultadas, manifestação pública da mulher ou do ex-namorado sobre o episódio.
O Estado de Minas informou que imagens das mensagens entre os dois também circularam nas redes sociais após a história ganhar repercussão. Nelas, a proposta financeira aparece associada ao pedido para que o motorista simplesmente permanecesse ouvindo o desabafo.
Depois de 1h30 de conversa, os dois trocaram contato, mas a história praticamente terminou naquela noite
Depois da pizza e da conversa, Carlos e a passageira trocaram contatos pelo WhatsApp. Isso, porém, não se transformou em uma amizade frequente nem em uma sequência de encontros.
O próprio motorista contou posteriormente que os dois praticamente não voltaram a conversar. Segundo o Alô Alô Bahia, Carlos explicou que nem sabia ao certo se o imóvel onde ocorreu o encontro era a residência da passageira ou a casa de algum parente.
Para ele, o episódio ficou marcado principalmente pela diferença entre aquilo que imaginou ao aceitar a chamada e o que encontrou quando chegou. Uma viagem que normalmente terminaria depois de alguns quilômetros acabou sem deslocamento, com a corrida cancelada, uma pizza sobre a mesa e cerca de 90 minutos de conversa.
O caso também chama atenção por um detalhe financeiro concreto: Carlos estava a R$ 100 de completar a meta do expediente, recebeu uma oferta de R$ 150 e mesmo assim decidiu não ficar com o dinheiro. Naquela noite, a fome e o pedido de uma desconhecida por alguém disposto a ouvi-la acabaram mudando o restante de seu trabalho.
O que você faria se recebesse uma proposta parecida durante o expediente? Aceitaria os R$ 150, recusaria o pedido ou faria como Carlos e ficaria para conversar? Deixe sua opinião nos comentários e conte como você reagiria diante de uma situação como essa.
