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Livro encadernado polêmico ressurge após 200 anos

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 19/07/2025 às 13:15
Livro
Foto: Reprodução
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Um livro macabro, encadernado com pele humana, reapareceu após dois séculos em um museu britânico, reacendendo debates sobre práticas sinistras do passado. A redescoberta envolve William Corder, assassino do famoso caso do Celeiro Vermelho.

Um achado arrepiante surpreendeu os funcionários do Museu Moyse’s Hall, em Suffolk, Inglaterra. Um segundo livro encadernado em pele humana foi redescoberto após passar décadas esquecido em uma prateleira.

Acredita-se que a pele usada seja do assassino William Corder, protagonista de um dos crimes mais famosos do século XIX.

O crime que chocou o país

O livro está diretamente ligado ao caso conhecido como o Assassinato do Celeiro Vermelho, ocorrido em 1827.

William Corder, um fazendeiro britânico, atraiu sua amante Maria Marten para um celeiro na vila de Polstead, com a promessa de fuga para casamento. No entanto, ao chegar lá, ela foi assassinada por ele.

O desaparecimento de Maria só foi resolvido após a madrasta da jovem relatar sonhos estranhos com o local do crime.

Isso levou as autoridades até o celeiro, onde encontraram o corpo enterrado. O julgamento de Corder atraiu multidões, e sua execução em 1828 foi acompanhada por milhares de pessoas.

Um livro feito de pele humana

Após sua morte, o corpo de Corder foi dissecado, e parte de sua pele foi usada para encadernar um livro com os detalhes do crime.

A obra, intitulada Uma História Autêntica e Fiel do Misterioso Assassinato de Maria Marten, está em exibição no Museu Moyse’s Hall desde 1933. O objeto é considerado um dos artefatos mais macabros da história britânica.

Redescoberta surpreendente

Durante uma rotina de catalogação recente no museu, um segundo livro foi encontrado. Ele estava guardado discretamente em uma prateleira de escritório, fora do acervo oficial.

Diferente do primeiro, esse volume tem pele humana apenas na lombada e nos cantos.

Mesmo assim, a semelhança visual entre os dois objetos sugere que ambos foram produzidos com a pele de William Corder.

Dan Clarke, responsável pelo patrimônio histórico do museu, disse que itens esquecidos podem reaparecer de tempos em tempos.

Segundo ele, “coisas assim acontecem às vezes”, referindo-se ao extravio de objetos em coleções antigas. O fato de o livro ter permanecido intocado por tantos anos, entre outros volumes, só aumenta o impacto da redescoberta.

Prática chocante, mas real

A encadernação com pele humana, conhecida como bibliopegia antropodérmica, era uma prática rara, mas documentada no século XIX. Ela ocorria principalmente com criminosos notórios, como uma forma de castigo póstumo ou exibição pública. Os livros eram considerados troféus mórbidos, um símbolo da punição aplicada pela justiça da época.

A exibição dos dois livros lado a lado permite ao público observar de perto essa prática sombria. Apesar de um ser totalmente coberto de pele e o outro apenas parcialmente, ambos carregam o peso de uma história trágica e perturbadora.

Expor ou esconder?

A presença desses livros no museu reacende uma discussão delicada: é ético expor objetos feitos com restos mortais humanos?

Para alguns críticos, como o escritor Terry Deary, os livros são “artefatos repugnantes” e não deveriam ser exibidos. Já a equipe do museu defende o contrário. Clarke argumenta que os livros ajudam a contar a dura história da justiça criminal britânica. Ele também destaca que outras instituições, como Harvard, optaram por retirar peças semelhantes, mas o museu em Suffolk mantém os livros em exposição há 92 anos, sem receber nenhuma reclamação.

Segundo Clarke, “vemos restos mortais humanos em todos os museus do país”. Para ele, o importante é encarar o passado, mesmo quando desconfortável. Os livros estão expostos ao lado de outros itens históricos, como uma antiga gaiola de forca, e seguem sendo um dos elementos mais visitados do museu.

Uma última peça para o quebra-cabeça histórico

O reaparecimento do segundo livro encadernado em pele de William Corder representa mais do que um objeto sinistro. É uma peça adicional de uma narrativa complexa que mistura crime, punição, cultura e memória.

A exposição dos dois volumes lado a lado reforça o impacto desse episódio na história britânica e oferece ao público uma rara oportunidade de refletir sobre os limites entre justiça, lembrança e respeito aos mortos.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor. Para sugestões de pauta ou qualquer dúvida, entre em contato pelo e-mail flclucas@hotmail.com.

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