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Liberar milhões de esterilizantes químicos para ratos em Nova York é a nova realidade após métodos tradicionais falharem; em 2026, a cidade modernizou o combate aos roedores para frear prejuízos bilionários e conter a reprodução em massa de uma espécie quase impossível de erradicar

Publicado em 10/01/2026 às 15:49
Atualizado em 10/01/2026 às 15:52
Nova York enfrenta infestação em Nova York com esterilizantes químicos e novo combate aos roedores para conter a reprodução dos ratos.
Nova York enfrenta infestação em Nova York com esterilizantes químicos e novo combate aos roedores para conter a reprodução dos ratos.
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Da evacuação de um quartel de bombeiros em 2003 ao salto para cerca de três milhões de ratos em 2023, a cidade acumula perdas estimadas em 27 bilhões por ano. Agora, com esterilizantes químicos e outras medidas, Nova York busca conter a praga, reduzir riscos de doenças e ganhar tempo.

Nova York entrou em 2026 com uma constatação incômoda: ratos continuam vencendo no terreno urbano, apesar de armadilhas, iscas, venenos e ações pontuais. A resposta mais recente passa por liberar milhões de esterilizantes químicos para ratos, na tentativa de frear a reprodução em massa que sustenta a infestação.

A mudança não nasce do pânico, mas do acúmulo de evidências. Em uma cidade onde ratos encontram comida, abrigo e rotas de fuga o ano inteiro, a meta realista deixa de ser “sumir com eles” e passa a ser manter a população sob controle, reduzir danos e impedir que o problema cresça ainda mais.

Quando ratos expulsaram uma estação inteira

 Em agosto de 2003, um quartel de bombeiros em Jamaica, Queens (que abrigava a Engine 298, Ladder 127 e o Battalion 50), foi evacuado e fechado às pressas devido a uma infestação massiva de ratos.

Os bombeiros apelidaram o local de “Mouse House” (Casa dos Ratos) e relataram que os roedores eram do tamanho de gatos e não se assustavam com a presença humana.

O prédio precisou ser completamente esvaziado e reformado para eliminar os ninhos nas paredes e o mau cheiro de ratos mortos.

A infestação não surgiu de um dia para o outro. Os bombeiros tentaram combater os ratos por quase um ano, chamaram uma empresa privada de controle de pragas, viram mais de uma dúzia cair em armadilhas numa única noite e, ainda assim, o quartel permaneceu infestado. Só depois de uma remoção total e uma limpeza completa os ratos foram embora.

A origem nunca ficou clara, mas a hipótese citada era entrada pelas linhas E e F do metrô sob o prédio ou por um canteiro de obras na Queens Boulevard a alguns quarteirões.

Por que Nova York virou um paraíso para ratos

O que essa cena expõe é o ambiente perfeito para ratos. Uma combinação de estrutura populacional, saneamento, clima e padrões de habitação torna a cidade especialmente atrativa. Comida e abrigo raramente faltam.

Ratos precisam de cerca de 1 onça de alimento e água por dia. Eles acham isso em casas, lixeiras, esgotos e canteiros de obras.

Ao mesmo tempo, vivem “dentro” da cidade: entre paredes, entre apartamentos, nas rotas invisíveis que conectam prédio, metrô e lixo.

E quando interagem, costumam impor presença: moradores frequentemente relatam ter de sair da calçada à noite para deixar ratos passarem.

O tamanho do problema e a escalada em uma década

Durante muito tempo, ninguém sabia quantos ratos existiam em Nova York. A contagem parecia impossível. Em 2014, um estatístico chamado Jonathan Arbach estimou cerca de 2 milhões de ratos na cidade usando relatórios de avistamentos do 311, referentes a 2010 e 2011. A estimativa parecia plausível.

Depois, um estudo de 2023 apontou cerca de três milhões de ratos em Nova York, algo equivalente a quase um terço da população humana da cidade.

Em pouco mais de 10 anos, isso significa crescimento de 50%. E a escalada não é exclusiva: populações urbanas de ratos estariam subindo em várias cidades, com um especialista citando aumento de 15% a 20% em 10 anos.

Mesmo dentro dos Estados Unidos, Nova York não aparece como caso isolado.

A cidade ficou em terceiro lugar numa lista nacional por número de ratos, atrás de Los Angeles e Chicago. Na prática, a conclusão é simples: ratos estão prosperando onde há grandes centros, lixo e abrigo.

Doenças, patógenos e o custo bilionário dos ratos

O problema não é só o incômodo visual ou a fiação roída. Ratos podem carregar patógenos capazes de causar diarreia, vômitos e febre, com crianças e pessoas com sistema imunológico mais frágil em maior risco.

Infestações também costumam vir acompanhadas de pulgas, piolhos e carrapatos, que espalham bactérias ligadas a doenças humanas.

A lista citada inclui tifo, febre maculosa e peste bubônica. E, mesmo sem focar em nomes históricos, há um dado atual que pesa: ratos podem transmitir leptospirose. Em 2023, o número de casos em Nova York atingiu recorde de 24.

No bolso, o dano é ainda mais contundente. Um relatório citado estima prejuízo financeiro de 27 bilhões por ano, somando contaminação de alimentos, destruição de infraestrutura e efeitos indiretos que degradam a qualidade de vida urbana.

Por que “matar ratos” virou uma promessa difícil de cumprir

A cidade tentou de tudo. Houve ações direcionadas de extermínio, como o uso de monóxido de carbono bombeado em tocas de ratos, sem resultado.

Houve grupos rastreando ratos com cães, sem resultado. E há uma razão estrutural: ratos são inteligentes, rápidos e aprendem a evitar armadilhas, iscas e “truques” de captura.

A sensação de impotência não é nova. Em 1944, um exterminador resumiu a frustração de forma brutal: se você tem ratos em casa, ou espera eles morrerem ou queima a casa e recomeça.

Décadas depois, a cidade ainda encara o mesmo ponto: não dá para simplesmente “apagar” três milhões de ratos. O objetivo se desloca para conter multiplicação.

Gatos: a solução tentadora que pode sair pela culatra

Quando métodos tradicionais falham, a ideia de convocar predadores parece inevitável. Gatos, em tese, seriam o “antídoto natural” contra ratos. Em alguns lugares, funcionou.

O exemplo citado vem de Borneo: entre 1952 e 1955, houve pulverização de inseticida para combater mosquitos transmissores de malária. Os mosquitos foram eliminados, mas a substância era tão tóxica que muitos gatos morreram. O resultado foi uma infestação massiva de ratos, com impactos graves sobre suprimentos e arrozais.

Em março de 1960, um avião da Royal Air Force sobrevoou a ilha e lançou cestas com gatos vivos em caixas presas a paraquedas.

O pouso foi leve e cerca de 20 gatos partiram para “trabalhar”. Mais tarde, a mensagem dos moradores foi direta: sem mais problemas com ratos e camundongos.

Só que a mesma estratégia pode gerar outro desastre. Em uma ilha do Paquistão, nos anos 1970, um pescador soltou gatos para controlar ratos que atacavam ninhos e danificavam redes e equipamentos.

Os gatos logo perceberam um “bufê” mais fácil: aves marinhas, ovos e outras espécies locais. Em vez de resolver o problema, viraram predadores dominantes e empurraram colônias inteiras para fora.

O alerta da Austrália: quando o predador vira a praga

A Austrália aparece como o cenário máximo do risco. Gatos não existiam ali até colonizadores europeus levá-los no século XVIII.

Eles se adaptaram, formaram populações selvagens e se espalharam do litoral a desertos e fazendas. A população de gatos selvagens foi estimada entre 2,1 e 6,3 milhões.

A escala de predação é devastadora: foi citado que gatos matam em média cinco milhões de animais locais por dia. Um estudo dos anos 2010 calculou que cada gato selvagem mata 740 animais silvestres por ano. O resultado acumulado é dramático: 27 espécies australianas já teriam sido levadas à extinção.

Além disso, gatos carregam um parasita associado à toxoplasmose, citado como perigoso para ovelhas e para o início da gravidez, com custos para agricultura e saúde estimados em mais de 6 bilhões de dólares australianos por ano.

O ponto central é direto: soltar predadores em massa para “resolver ratos” pode criar uma nova crise.

Mesmo onde há gatos, ratos urbanos nem sempre temem

Há também o choque com a realidade urbana. Um estudo citado observou um centro de reciclagem no Brooklyn onde ratos e gatos conviviam. Em menos de três meses, pesquisadores registraram 306 vídeos de gatos perseguindo ratos, mas apenas dois gatos chegaram a atacar um roedor.

Ou seja, só dois ratos foram realmente mortos. Em várias cenas, a perseguição parecia brincadeira.

Uma explicação apresentada é o tamanho. Na Nova Zelândia, ratos teriam em média 5 onças, enquanto ratos de Nova York eram mais que o dobro, com o rato marrom citado pesando por volta de 11,6 onças.

Esse peso torna o ataque menos atraente para gatos, que tendem a preferir presas menores e menos agressivas. Some-se a isso a astúcia: ratos sabem se esconder quando percebem risco.

Em Nova York, ainda existe o fator de espécie dominante. Em 1944, ratos pretos dividiam território com ratos marrons. Décadas depois, o rato marrom maior e mais agressivo teria empurrado o rival e se tornado dominante até 2014.

E nem falta gato: colônias de gatos de rua existiriam em muitos bairros, com uma estimativa de até meio milhão de gatos vivendo soltos na cidade, impulsionados também por abandono recente associado ao encarecimento de manter animais e efeitos da pandemia.

Programas com gatos “de trabalho” e por que isso não resolve a cidade inteira

Uma alternativa citada é usar poucos gatos, esterilizados e controlados. Em Washington DC, existe o programa bluecollar cats: capturam gatos ferais, castram, vacinam e devolvem às ruas.

Após cerca de três semanas em jaulas para alimentação e adaptação, os animais são liberados com a condição de que moradores ou empresas forneçam abrigo e comida.

A lógica não depende de caça constante. A simples presença do gato faria ratos evitarem áreas que deixam de parecer seguras. Funciona em pontos específicos, mas não escala para uma cidade inteira. Se ratos fogem de um quarteirão, tendem a ocupar outro.

Mangustos e outros predadores: uma lição repetida de invasões

Quando gatos não bastam, surge a tentação de soltar outro predador. Mangustos foram citados como exemplo clássico. Em Fiji, o pequeno mangusto indiano foi levado em 1883 para combater ratos.

A prática se repetiu em várias regiões nos séculos XIX e XX, como Jamaica em 1872 e outras ilhas.

No começo, o efeito pareceu ótimo: mangustos se multiplicaram e a população de ratos caiu. Mas o impacto não durou. Em 1888, a vantagem já teria desaparecido: ratos voltaram, aprenderam a evitar o predador e se tornaram noturnos quando o mangusto dormia.

Com menos ratos acessíveis, mangustos migraram para presas mais fáceis, atacando fauna local.

O histórico listado é pesado. Em Fiji, mangustos teriam contribuído para o desaparecimento ou queda drástica de várias espécies.

Eles aparecem citados entre as cem espécies invasoras mais perigosas e, segundo o relato, são reconhecidos como causa de extinções de aves que nidificam no solo, com danos estimados em 50 milhões de dólares anuais no Havaí e em Porto Rico em 1999.

O recado é claro: trocar ratos por outro invasor costuma piorar o ecossistema.

A virada de 2026: esterilizantes químicos para ratos e a lógica do “conter”

Em 2026, Nova York já opera sob a Lei de Flaco (aprovada em 2024), que introduziu o uso massivo de anticoncepcionais químicos (como o ContraPest) em “Zonas de Mitigação”.

A estratégia atual foca em reduzir a natalidade (esterilização) enquanto corta o acesso à comida através da obrigatoriedade de lixeiras rígidas (containerização), abandonando a dependência exclusiva de venenos que se mostraram ineficazes a longo prazo.

Com esse histórico, Nova York chega a 2026 modernizando o combate aos ratos com uma ideia pragmática: se erradicar é improvável, a cidade tenta frear a reprodução.

Daí a proposta de liberar milhões de esterilizantes químicos para ratos, somada a outras medidas que buscam reduzir o ritmo de multiplicação e impedir que a população cresça além do que já é.

A lógica não se apoia em um golpe único, mas em pressão constante. Ratos prosperam quando lixo e abrigo são abundantes, então qualquer política que ignore esse “combustível” fica incompleta.

Nesse sentido, duas abordagens aparecem como centrais: cortar acesso à comida, o que significa manter ratos longe do lixo, e abandonar a fantasia de que predadores, por si só, vão reduzir população em escala urbana.

Um biólogo citado, Dr. Parsons, resumiu a ideia: predação por gatos ou outros animais não reduz a população de ratos; isso só seria alcançado limpando o lixo.

Em outras palavras, esterilizantes químicos podem ganhar tempo e reduzir crescimento, mas o cenário só muda de verdade quando o ambiente deixa de alimentar ratos como se fosse uma linha de produção.

No fim, a pergunta que fica é simples e direta: você acredita que Nova York consegue controlar ratos com esterilizantes químicos e limpeza do lixo, sem repetir um desastre ecológico com predadores soltos pela cidade?

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Luciano
Luciano
10/01/2026 21:49

Lógico que não,tudo começa pela consietizacao que quanto mais sujeira e a porta de entrada para os ratos se instalarem e virar a praga que Hoje viva Nova York.

Sol
Sol
Em resposta a  Luciano
11/01/2026 11:38

A resolução é simples:LIMPEZA GERAL!

Regiane
Regiane
10/01/2026 19:15

Pra mim teria sim que colocar ratos com área seu cheiro os ratos vai embora a areião sempre ,trocar quando estiver muito e coçar de volta a área com urina assim o cheiro faz o ratos ir embora e continuar com o lixo limpo sem deixar resíduos de comida

Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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