Como as plataformas construídas na China são mais baratas, petroleiras estão cancelando encomendas de estaleiros brasileiros
A indústria naval naval do Brasil demitiu pelo menos 60 mil trabalhadores desde do início da crise em 2014, que em sua maioria são profissionais qualificados. Nos anos 2000, esta industria foi revitalizada para dar prioridade ao conteúdo local( contratações de equipamentos e serviços nacionais no ramo de óleo e gás) mas em consequência dos escândalos de corrupção na Petrobras desencadeados pela Lava Jato e a desvalorização do barril de petróleo, este número vem reduzindo e poderá chegar a 80 mil daqui em pouco mais de 1 ano. Hoje em dia estão empregados 25 mil trabalhadores, mas sem nova perspectivas de obras, a Sinaval prevê uma redução para 6 mil postos de trabalho.
Para diminuir gastos com a indústria naval, a Petrobras vem encomendando unidades offshore no continente asiático, sobre tudo na China. Desde 2016, 9 plataformas foram encomendadas e construídas nos estaleiros chineses. Parece que este cenário não vai melhorar tão cedo de acordo com especialistas do setor. A curto prazo a estatal vai encomendar ainda mais unidades da china para atender o pré-sal do Brasil. Outras petroleiras da mesma modalidade que exercem trabalhos em território nacional, também estão se articulando na mesma metodologia da Petrobras.
Até agosto de 2018, à ANP recebeu 300 pedidos para que as regras de conteúdo local fossem modificadas, ou seja, a empresas estão se articulando para deixarem de consumir produtos e equipamentos do Brasil para comprarem no exterior. A Petrobras diz que esta avaliando as propostas que são mais competitivas e que estejam dentro dos padrões de conformidade, independente de onde elas sejam construídas.
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Situação de alguns estaleiros
O Estaleiro Atlântico Sul chegou a empregar 18 mil pessoas e atualmente, conta com 3.500. Segundo o presidente da EAS, 5 navios da Transpetro estão em fase de conclusão, 3 serão entregues este ano e mais 2 em meados de 2019. Não há previsão de novas encomendas e provavelmente o estaleiro pode fechar.
No Enseada, na Bahia, as perspectivas também não são positivas. Maurício Almeida, presidente do estaleiro, também acha difícil que o setor volte a criar oportunidades com o deslocamento das encomendas para a Ásia
O Brasil precisará de 39 plataformas nos próximos 20 anos
O presidente da Sinaval diz que será necessário novas políticas industriais para indústria naval do Brasil volte a ter competitividade. De acordo com as estimativas, 39 plataformas estão previstas até 2038 para ser construídas para atender a industria do petróleo nacional e tudo eles poderão ser construídos em estaleiros do exterior se nada for feito agora.
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