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Ilha artificial construída para a Primeira Guerra com 2 milhões de toneladas de pedra e espaço para 550 soldados agora está à venda por quase 10 milhões de euros no meio do mar

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 23/02/2026 às 09:18
Atualizado em 23/02/2026 às 09:20
A ilha artificial de Flakfortet, localizada no Estreito de Öresund, na Dinamarca.
A ilha artificial de Flakfortet, localizada no Estreito de Öresund, na Dinamarca.
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Construída entre 1910 e 1916 com cerca de 2 milhões de toneladas de pedra, concreto e areia, a ilha artificial Flakfortet soma 3,1 hectares no Estreito de Öresund, recebe até 50.000 visitantes na alta temporada e está à venda por 74,5 milhões de coroas dinamarquesas, quase 10 milhões de euros

A ilha artificial Flakfortet, construída entre 1910 e 1916 para defender Copenhague no Estreito de Öresund, está à venda por cerca de 74,5 milhões de coroas dinamarquesas, quase 10 milhões de euros, após décadas transformada em destino turístico com marina, restaurante e alojamentos.

Construída como parte do sistema de defesa marítima projetado para proteger Copenhague, Flakfortet foi concebida para abrigar cerca de 550 soldados e equipada com artilharia pesada. O objetivo era proteger um dos corredores marítimos mais estratégicos do norte da Europa, ligação entre o Mar do Norte e o Mar Báltico.

Erguida para defender o Estreito de Öresund, área historicamente marcada por conflitos entre Suécia e Dinamarca ou Noruega pelo controle do Mar Báltico, a fortaleza nunca disparou um tiro durante a Primeira Guerra Mundial. A Dinamarca manteve-se neutra no conflito.

Durante a Segunda Guerra Mundial, a fortaleza tornou-se ponto crucial para a fuga de judeus dinamarqueses rumo à Suécia, operação facilitada por pescadores locais. Décadas depois, o antigo depósito de armas passou a combinar patrimônio histórico, turismo náutico e oportunidades de investimento.

Ilha artificial construída com 2 milhões de toneladas de materiais

Localizada a cerca de oito quilômetros do porto de Copenhague, no meio da planície de Saltholm, a ilha artificial foi construída com aproximadamente dois milhões de toneladas de pedra de pedreira, concreto e areia.

O esforço resultou em cerca de 3,1 hectares de terra artificial no estreito. O projeto integrou o sistema de defesa marítima dinamarquês no início do século XX, consolidando um bastião preparado para combate que nunca chegou a ser utilizado em guerra aberta.

O preço pedido atualmente é de cerca de 74,5 milhões de coroas dinamarquesas, ou quase 10 milhões de euros à taxa de câmbio atual, segundo a imobiliária Lintrup & Norgart, responsável pela venda.

Esta não é a primeira tentativa de negociação. A propriedade já havia sido colocada à venda em 2015, sem sucesso. Agora, após quase 25 anos administrando o complexo, a empresa sueca Malmökranen AB tenta novamente concretizar a venda.

De fortaleza militar a destino turístico no Öresund

Após permanecer sob controle do exército dinamarquês por décadas, a fortaleza foi abandonada em 1968. As armas foram desmontadas e as casamatas ficaram vazias, encerrando oficialmente sua função militar.

A transformação começou na década de 1970. A União Náutica de Copenhague alugou o espaço, convertendo antigas posições de artilharia em ancoradouros. O refeitório dos oficiais foi transformado em restaurante, iniciando uma nova fase voltada ao turismo.

O marco mais significativo ocorreu em 2001, quando a Malmökranen adquiriu a ilha por três milhões de coroas dinamarquesas, cerca de 400 mil euros, valor muito inferior ao preço atual pedido pelos proprietários.

Desde então, foram realizados investimentos na modernização das instalações. Foram adicionados alojamentos, salas de conferência, restaurante, infraestrutura para eventos e uma ligação regular de ferry para Copenhaga, facilitando o acesso de visitantes e trabalhadores.

Estrutura atual e capacidade de receber até 50.000 visitantes

Hoje, a ilha artificial é ponto de referência para navegadores no Öresund. Na alta temporada, pode receber até 50.000 visitantes, muitos deles praticantes de vela e esportes aquáticos que utilizam sua marina protegida por um quebra-mar histórico.

O complexo possui mais de 30.700 m² de área total, dos quais aproximadamente 9.900 m² são construídos. Além de restaurante e espaços para eventos, oferece instalações sanitárias modernas para velejadores e comodidades para estadias curtas ou férias de verão.

A estrutura inclui ainda um heliporto, ampliando as possibilidades de acesso. A presença desse equipamento integra o conjunto de infraestruturas desenvolvidas ao longo das últimas décadas pelos atuais proprietários.

Autossuficiência e restrições legais à venda

Uma das características centrais da ilha artificial é a autossuficiência. O local dispõe de usina de dessalinização capaz de produzir água potável a partir da água do mar, além de geradores próprios para fornecimento de energia elétrica.

Essa autonomia é considerada fundamental devido ao isolamento geográfico no estreito. A condição aumenta o interesse para projetos turísticos ou empreendimentos comerciais que demandem infraestrutura independente.

A venda, no entanto, está sujeita a condições rigorosas. Desde 2002, Flakfortet é protegida como monumento histórico. Qualquer renovação estrutural deve ser autorizada pela Agência Dinamarquesa de Palácios e Patrimônio Cultural.

Além disso, há um requisito fundamental: a ilha artificial deve permanecer aberta ao público, independentemente do futuro proprietário. A singularidade da localização limita o perfil de compradores.

A imobiliária sugere empresas especializadas em investimentos pontuais ou indivíduos de alto patrimônio líquido interessados em propriedade isolada. Não está descartada a possibilidade de o governo dinamarquês considerar a aquisição, dada a localização estratégica entre Copenhague e Malmö.

Com esse conjunto de características históricas, estruturais e legais, Flakfortet aguarda um novo proprietário que assumirá a gestão de um espaço marcado pela memória militar e pela atual vocação turística, escrevendo o próximo capitulo de sua trajetória no Öresund.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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