Retorno dos quatro cilindros reúne desempenho em alta rotação, eletrônica moderna e duas propostas distintas de pilotagem, enquanto a Honda prepara a estreia japonesa das novas CB400 Super Four e CBR400R Four com preços, equipamentos e cronograma de vendas definidos.
A Honda confirmou no Japão o lançamento da CB400 Super Four E-Clutch e da CBR400R Four E-Clutch, duas motocicletas médias construídas sobre a mesma plataforma, equipadas com motor tetracilíndrico, acelerador eletrônico e sistema de embreagem controlado eletronicamente.
Prevista para chegar primeiro às concessionárias Honda Dream, a versão naked começará a ser vendida em 21 de agosto de 2026, enquanto a esportiva carenada terá sua estreia comercial no mercado japonês em 18 de setembro do mesmo ano.
Com imposto de consumo incluído, o preço sugerido foi estabelecido em 998.800 ienes para a CB400 e 1.199.000 ienes para a CBR400R, valores que posicionam os lançamentos como opções de acabamento e tecnologia superiores dentro da média cilindrada japonesa.
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Ao recuperar uma arquitetura mecânica cada vez menos comum nessa faixa de mercado, os modelos passam a disputar espaço com motocicletas que adotam motores bicilíndricos, mantendo uma unidade de 399 cm³, refrigeração líquida, comando duplo e quatro válvulas por cilindro.
Motor de quatro cilindros entrega 58 cv

Segundo os dados divulgados pela fabricante, o propulsor desenvolve 58 cv a 11.500 rpm e alcança torque máximo de 38 Nm a 9.750 rpm, combinação que concentra o melhor desempenho nas faixas mais elevadas de rotação.
Associada ao conjunto, a transmissão de seis marchas trabalha com injeção eletrônica PGM-FI, enquanto os tanques comportam 15 litros na CB400 e 14 litros na CBR400R, diferença determinada pelo desenho específico da carroceria carenada.
Embora apresentem propostas visuais distintas, as duas motocicletas compartilham entre-eixos de 1.405 milímetros, assento posicionado a 780 milímetros do solo e peso declarado de 187 quilos, além do quadro tubular de aço em formato diamante.
Na dianteira, a plataforma utiliza suspensão invertida e dois discos de freio, enquanto a parte traseira combina sistema Pro-Link com um único disco, formando um conjunto voltado ao uso esportivo sem abandonar a condução cotidiana.
Também comum aos dois modelos, a configuração de pneus adota medidas 120/70 ZR17 na roda dianteira e 160/60 ZR17 na traseira, dimensões que preservam agilidade nas mudanças de direção e área de contato compatível com a potência disponível.
Honda E-Clutch controla a embreagem automaticamente

Entre os principais recursos tecnológicos aparece o Honda E-Clutch, sistema capaz de controlar automaticamente a embreagem durante arrancadas, trocas de marcha e paradas, dispensando o acionamento constante da manete esquerda nas condições normais de pilotagem.
Mesmo com a atuação eletrônica, o piloto continua selecionando as seis marchas pelo pedal, mantendo uma operação semelhante à das motocicletas convencionais, mas com menos movimentos exigidos em congestionamentos, semáforos e deslocamentos urbanos de baixa velocidade.
Caso o motociclista acione a manete ou desligue o recurso, a embreagem volta a responder de maneira tradicional, preservando o controle manual sobre o acoplamento entre motor e transmissão para situações em que essa intervenção seja considerada necessária.
Integrado ao E-Clutch, o acelerador eletrônico, também chamado de throttle-by-wire, administra a resposta do motor e permite que a central coordene diferentes parâmetros de funcionamento sem depender de uma ligação mecânica direta entre manopla e admissão.
Durante as reduções, o sistema ajusta a rotação do propulsor e a atuação da embreagem para diminuir a diferença entre os giros, suavizando as trocas e reduzindo os trancos que poderiam comprometer o conforto ou a estabilidade.

Por meio dessa integração eletrônica, o conjunto oferece os modos Standard, Sport, Urban e User, responsáveis por modificar a entrega de potência, a intensidade do freio-motor e o funcionamento do controle de torque aplicado à roda traseira.
Painel TFT oferece conexão com smartphone
No posto de pilotagem, ambas recebem painel TFT colorido de cinco polegadas e compatibilidade com o Honda RoadSync, plataforma que conecta a motocicleta ao smartphone por Bluetooth e reúne recursos digitais acessados pelos comandos instalados no guidão.
Entre as funções disponíveis estão a exibição de orientações de navegação e o acesso a ferramentas compatíveis, enquanto o uso de um headset comercializado separadamente permite receber comandos e instruções de voz durante os deslocamentos.
Para facilitar a alimentação de dispositivos móveis, uma entrada USB do tipo C integra os equipamentos de série, embora sua posição varie entre as duas motos por causa das diferenças existentes no desenho do painel e da carenagem.
Quanto às opções visuais, a CB400 Super Four será oferecida no Japão nas cores prata, preto fosco, branco e vermelho, ao passo que a CBR400R Four terá acabamentos em prata ou preto fosco com grafismos próprios.
CB400 e CBR400R seguem propostas diferentes
Apesar do compartilhamento de motor, quadro e componentes eletrônicos, a CB400 mantém a configuração naked, usando guidão mais alto e posição de condução ereta para favorecer deslocamentos urbanos, viagens e percursos sinuosos em estradas.
Com perfil mais esportivo, a CBR400R adota carenagem integral, guidões separados e posição inclinada para a frente, além de banco dividido em duas partes e entradas de ar localizadas abaixo dos faróis dianteiros.

Essas aberturas conduzem o fluxo ao sistema de admissão durante a pilotagem em velocidades mais elevadas, recurso associado ao desenho aerodinâmico da carenagem e à proposta de desempenho apresentada pela versão esportiva.
Na naked, os quatro tubos do escapamento permanecem expostos antes de convergir em uma configuração 4-2-1, enquanto a CBR400R utiliza solução semelhante, deixando parte do conjunto visível entre as aberturas laterais da carroceria.
Lançamento permanece restrito ao Japão
Para o mercado japonês, a Honda calcula vendas anuais de 4.600 unidades da CB400 Super Four e 2.500 exemplares da CBR400R Four, volumes diferentes que refletem o alcance comercial esperado para cada proposta.
Até o momento, porém, a fabricante não confirmou a comercialização dos modelos no Brasil, na Europa ou em outros mercados, limitando os anúncios oficiais ao cronograma, aos preços e à distribuição por sua rede japonesa de concessionárias.
Sem uma apresentação destinada ao público brasileiro, permanecem indefinidos o preço nacional, o prazo de importação e uma eventual montagem local, decisões que dependeriam da estratégia regional da marca e do processo de homologação.
Com o retorno do motor tetracilíndrico, a presença de recursos eletrônicos modernos e duas configurações de carroceria, qual delas teria maior espaço no mercado brasileiro: a CB400 Super Four naked ou a CBR400R Four carenada?
