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Governo dos EUA investiga influência da China no agronegócio brasileiro e busca entender bilhões em investimentos recentes

Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 10/08/2025 às 22:16
Atualizado em 12/08/2025 às 08:35
Governo dos EUA investiga influência da China no agronegócio brasileiro e busca entender bilhões em investimentos recentes
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EUA investigam influência da China no agronegócio brasileiro, mapeando bilhões em investimentos e possíveis impactos na segurança alimentar e no mercado global.

O governo dos Estados Unidos colocou o Brasil no centro de uma investigação inédita sobre a influência da China no agronegócio brasileiro. A proposta legislativa, incluída no Intelligence Authorization Act para o ano fiscal de 2026, quer mapear e entender o alcance dos investimentos chineses na agricultura brasileira e os impactos estratégicos que eles podem gerar para a cadeia de suprimentos global e para a segurança alimentar.

O texto, revelado pelo Valor Econômico, foi apresentado pelo senador republicano Tom Cotton, aliado do presidente Donald Trump, e já aprovado pela Comissão de Inteligência do Senado. Agora, segue para votação no plenário, antes de ir para a Câmara dos Representantes e, por fim, para sanção presidencial.

Se aprovado, será a primeira vez que o Brasil é citado formalmente em um projeto de lei de orçamento de inteligência dos EUA.

Foco na China no agronegócio brasileiro

A investigação, que deve ser conduzida pela diretora nacional de inteligência, Tulsi Gabbard, pretende responder a perguntas estratégicas. Entre elas, qual é o grau de envolvimento do governo chinês com o agronegócio brasileiro e se há direcionamento político de Xi Jinping para ampliar a presença de empresas e capitais chineses no setor.

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O levantamento também deve identificar joint ventures entre companhias chinesas e brasileiras, além de quantificar o volume de investimentos e aquisições feitos por entidades controladas pelo Estado chinês.

Outro ponto sensível será avaliar como esses investimentos podem afetar o mercado global e a segurança alimentar, considerando que o Brasil é um dos maiores exportadores de soja, milho, carne bovina e outros produtos estratégicos.

Prazos e formato da apuração

O projeto estabelece que, em até 60 dias após a lei ser sancionada, a equipe de inteligência dos EUA, com apoio do Departamento de Estado e do Departamento de Agricultura, apresente um relatório inicial.

O documento será público, mas poderá conter anexos classificados como confidenciais.

Além disso, em até 90 dias da entrada em vigor, a diretora Tulsi Gabbard deverá entregar ao Congresso um dossiê completo sobre os investimentos chineses na agricultura brasileira, incluindo implicações comerciais e geopolíticas.

Influência da China no Brasil: o pano de fundo político

A China é o maior parceiro comercial do Brasil desde 2009. Em novembro de 2024, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu Xi Jinping no Palácio da Alvorada para assinatura de 37 acordos de cooperação, entre eles a abertura de novos mercados para produtos agropecuários brasileiros.

O movimento consolidou a aproximação entre Brasília e Pequim, mas também despertou a atenção de Washington.

Para os EUA, a crescente dependência do agronegócio brasileiro de compradores e investidores chineses pode criar vulnerabilidades estratégicas, tanto para o Brasil quanto para o mercado global.

Tensões bilaterais entre Brasil e Estados Unidos

O anúncio da investigação ocorre em um momento de forte atrito entre os governos de Trump e Lula.

Na última semana, o presidente americano confirmou uma tarifa adicional de 40% sobre exportações brasileiras para os EUA — a maior em vigor contra qualquer país atualmente.

Paralelamente, Trump aplicou a Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, alegando violações de direitos humanos e processos politizados.

A medida incluiu o congelamento de bens nos EUA e a proibição de entrada no país para Moraes e familiares.

Pressões comerciais e novas investigações contra o Brasil

Além da disputa em torno da influência da China no Brasil, o governo americano também abriu um processo no USTR (Escritório do Representante Comercial dos EUA) para investigar práticas comerciais brasileiras consideradas “irrazoáveis” ou “discriminatórias”.

O escopo é amplo: desde a proteção ao Pix, passando pelo comércio informal na Rua 25 de Março, até políticas de tarifas preferenciais para países como México e Índia.

Também estão na pauta questões ambientais, como desmatamento ilegal, e disputas ligadas ao mercado de etanol e propriedade intelectual.

Investimentos chineses na agricultura: por que interessam tanto aos EUA

A preocupação americana não é nova. A China, além de comprar grandes volumes de commodities brasileiras, também investe diretamente em infraestrutura de transporte, armazenamento e processamento de grãos.

Há registros de empresas chinesas adquirindo participações em portos, armazéns e empresas do setor de logística que atendem ao agronegócio.

Essa presença física e financeira dá à China não apenas capacidade de compra, mas também influência sobre a logística de escoamento e preços internacionais.

Para os EUA, isso poderia, no longo prazo, reduzir a influência americana no mercado agrícola global.

Segurança alimentar e disputas geopolíticas

A investigação EUA-China vai além da economia. Em termos estratégicos, o controle da produção e do fluxo de alimentos é considerado um pilar de segurança nacional.

Se a China conseguir assegurar cadeias de suprimentos críticas em países produtores como o Brasil, poderá aumentar seu poder de barganha geopolítica.

Na prática, isso significaria mais capacidade de influenciar preços e rotas comerciais, algo que preocupa Washington.

Impactos possíveis para o Brasil

Embora o Brasil não seja o alvo direto de sanções nessa proposta, a inclusão do país no relatório pode ter efeitos diplomáticos e comerciais.

Empresas brasileiras com joint ventures ou contratos de fornecimento para companhias chinesas podem ser citadas, gerando pressão política.

Além disso, dependendo das conclusões, os EUA podem adotar medidas para limitar a expansão de investimentos chineses no Brasil, o que afetaria setores que hoje dependem desse capital para expansão.

Apesar de a NSA já ter espionado comunicações do governo brasileiro no passado — como revelado pelo Wikileaks em 2013 —, esta é a primeira vez que o Brasil é citado formalmente em um projeto de lei de orçamento de inteligência.

O fato revela um aumento do peso estratégico do Brasil na disputa entre EUA e China.

Essa disputa, que começou no campo tecnológico e industrial, agora avança sobre a segurança alimentar e o controle de recursos naturais.

Próximos passos

Com a aprovação na Comissão de Inteligência do Senado, as chances de o projeto passar no plenário com a redação atual são grandes.

Caso seja sancionada, a lei colocará o Brasil sob o radar de uma investigação detalhada conduzida por alguns dos órgãos de inteligência mais poderosos do mundo.

A expectativa é que os primeiros relatórios sejam entregues antes do final de 2025.

A iniciativa americana mostra que o agronegócio brasileiro se tornou um ponto-chave no tabuleiro geopolítico global.

A crescente presença da China no setor agrícola brasileiro desperta alertas sobre dependência comercial, controle logístico e segurança alimentar.

Enquanto Washington busca mapear e entender essa influência, Brasília terá de equilibrar relações com dois parceiros que disputam protagonismo no comércio mundial.

O resultado dessa investigação poderá influenciar não apenas a relação Brasil-EUA-China, mas também o fluxo de investimentos e as estratégias do agronegócio nos próximos anos.

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Luiz alencar
Luiz alencar
13/08/2025 08:53

americanos cara de **** ,tarifa a gente de forma política não comercial o que já é um a surdo e agora fica com medo dos outros parceiros do Brasil no comércio global

João
João
12/08/2025 23:18

O Brasil não é colônia de vcs, acabou a mamata, parabéns ao nosso Presidente Lula, um Líder que se preocupa com o futuro do seu País, agente dessa forma, se fosse no tempo do Bolsonaro, ele teria aberto as pernas pros americanos

Luiz Antônio Escobar
Luiz Antônio Escobar
12/08/2025 21:50

Americano é tão bonzinho!!! Bando de malandros!!! Tira a pata

Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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