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Fim do trabalho braçal: China surpreende o mundo com revelação de que pode ter 24 milhões de robôs humanoides, mais que população de SP e Rio juntas, para substituir trabalhadores em meio à crise demográfica e ao colapso da natalidade no país

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 22/05/2026 às 17:16
Atualizado em 22/05/2026 às 17:22
Barclays projeta 24 mi de robôs humanoides na China até 2035 para compensar queda de 37 mi na força de trabalho por envelhecimento populacional.
Barclays projeta 24 mi de robôs humanoides na China até 2035 para compensar queda de 37 mi na força de trabalho por envelhecimento populacional.
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Estudo do banco britânico Barclays projeta que a China poderá ter 24 milhões de robôs humanoides instalados até 2035 para compensar a redução prevista de 37 milhões de trabalhadores, resultado do envelhecimento acelerado da população e da queda histórica na taxa de natalidade do país.

A China enfrenta uma combinação demográfica crítica que ameaça a sustentação de sua base industrial: a força de trabalho está encolhendo, a população em idade ativa perdeu dez pontos percentuais na última década e o número de nascimentos registrado em 2025 foi o menor desde pelo menos 1949, ano de fundação da República Popular.

Para compensar essa escassez, o banco britânico Barclays projeta que a China pode instalar até 24 milhões de robôs humanoides até 2035, um número equivalente a quase 4% da força de trabalho do país e superior à população inteira de Taiwan, que gira em torno de 23 milhões de habitantes, e mais também que São Paulo (11 milhões) e Rio de Janeiro (6 milhões), que juntam somam cerca de 18 milhões de habitantes.

De acordo com os analistas do Barclays, a força de trabalho chinesa pode encolher em cerca de 37 milhões de pessoas na próxima década, considerando as projeções demográficas atuais, número que pressiona especialmente o setor industrial, responsável por aproximadamente um quarto de toda a economia chinesa.

Os analistas do banco ressaltam que ganhos de produtividade isolados não seriam suficientes para compensar totalmente os impactos da queda populacional, o que torna a automação e a robótica não apenas uma opção estratégica, mas uma necessidade estrutural para que a China mantenha sua posição como maior exportador industrial do mundo.

Em um cenário otimista traçado pelo Barclays, os 24 milhões de robôs humanoides seriam suficientes para cobrir cerca de 60% da redução prevista na força de trabalho, auxiliando o país a sustentar sua base industrial mesmo diante do processo de envelhecimento que se intensificará nas próximas duas décadas.

A crise demográfica por trás da corrida robótica

Robôs humanoides expostos em fábrica chinesa — Foto: Divulgação / UBTech Robotics
Robôs humanoides expostos em fábrica chinesa — Foto: Divulgação / UBTech Robotics

A população em idade ativa representava mais de 70% do total de habitantes da China há dez anos e caiu para cerca de 61% em 2025, trajetória de queda que reflete os efeitos de longo prazo da política do filho único adotada pelo país entre 1980 e 2015 e dos padrões culturais que ainda limitam a natalidade.

A proporção de pessoas em idade de trabalhar para cada cidadão acima de 65 anos já é de cerca de quatro para um, mas segundo as projeções do próprio Barclays, essa relação pode cair pela metade nos próximos vinte anos, criando pressão crescente sobre o sistema previdenciário e sobre a capacidade produtiva da economia.

Para os analistas, a combinação entre menos trabalhadores disponíveis e maior demanda doméstica de consumo cria um ambiente excepcionalmente favorável para a expansão acelerada da robótica no país, onde empresas precisarão substituir mão de obra humana para manter níveis de produção e competitividade internacional.

O presidente Xi Jinping tem defendido publicamente investimentos em ciência e tecnologia, incluindo robótica avançada, como parte central da estratégia econômica de longo prazo da China, visão que se traduz em subsídios governamentais, metas de produção e políticas de compra preferencial para robôs fabricados domesticamente.

A liderança chinesa na indústria global de robótica

A China já é o maior mercado mundial de robôs industriais e abriga empresas como Unitree Robotics e UBTech, que desenvolvem robôs humanoides para uso em fábricas, logística e serviços, aproveitando o enorme mercado interno para financiar pesquisa e reduzir custos de produção em escala que nenhum outro país consegue replicar.

O país investe em robótica tanto pelo lado da oferta quanto pelo da demanda, criando um ciclo virtuoso que acelera o desenvolvimento tecnológico: fábricas precisam de robôs, empresas chinesas os fabricam com suporte governamental e o mercado interno absorve a produção, financiando novas gerações de equipamentos mais avançados.

Os robôs humanoides representam a fronteira mais ambiciosa desse movimento, já que sua capacidade de operar em espaços projetados para humanos, sem necessidade de adaptação da infraestrutura existente, os torna candidatos naturais à substituição de trabalhadores em linhas de montagem, armazéns e atividades de manutenção industrial.

Os analistas do Barclays sintetizaram a aposta chinesa em uma frase que circulou amplamente após a publicação do relatório: “Esta é a década dos robôs, e ela pertence à China”, avaliação que reflete tanto a liderança atual do país quanto a trajetória de investimentos que projeta para os próximos anos.

A corrida por robôs humanoides na China também tem implicações geopolíticas: países que dominarem essa tecnologia terão vantagem competitiva não apenas na manufatura, mas em setores estratégicos como logística militar, exploração espacial e gestão de infraestruturas críticas nas próximas décadas.

O Brasil e outros países em desenvolvimento acompanham esse movimento com atenção, já que a automação em larga escala na China pode alterar cadeias globais de fornecimento, pressionar custos de manufatura em outros países e redefinir o perfil de empregos disponíveis na indústria mundial ao longo dos próximos vinte anos.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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