Phạm Trung Trí Dũng se formou com distinção na Universidade Nguyễn Tất Thành, no Vietnã. Ele é natural de Gò Công e passou os últimos anos de curso pegando ônibus de madrugada para assistir às aulas na capital econômica do país e voltando à tarde para o hospital.
A mãe chegou à cerimônia em uma cadeira de rodas e assistiu de longe até o momento em que o nome do filho foi chamado para receber o diploma, quando ele a colocou nas costas e subiu ao palco com ela, conforme reportagem publicada em 24 de janeiro de 2026 pelo jornal vietnamita Tuổi Trẻ. A justificativa que ele deu para o gesto foi direta: sem a mãe, não estaria ali.
O curso concluído tem relação com a história da casa. Ele se formou em Farmácia, mesma área em que a mãe trabalhou durante anos, em uma pequena drogaria na cidade natal da família.
O trajeto diário entre a faculdade e o hospital
A rotina que sustentou os últimos anos de graduação envolvia duas cidades e dois compromissos incompatíveis entre si.
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Todas as manhãs, ele pegava um ônibus em Gò Công com destino à capital econômica do país para assistir às aulas. À tarde, fazia o caminho de volta para cuidar dos pais internados.
O deslocamento que no início parecia longo acabou virando rotina. Ele aparenta ser mais velho que os colegas de turma, em parte porque de fato é, e em parte pelo desgaste acumulado nesse período, segundo a descrição feita pelo jornal.
O conhecimento que saiu do livro e foi para o leito

Existe um detalhe nessa história que altera a relação dele com o próprio curso. O conteúdo estudado deixou de ser matéria de prova e virou instrumento de cuidado.
Ele passou a ler e interpretar as receitas da mãe, acompanhar efeitos colaterais dos medicamentos e identificar quando era necessário avisar o médico.
Estudar deixou de ser apenas responsabilidade com o próprio futuro. A formação virou também a forma que ele encontrou de proteger a família, e cada disciplina cursada tinha aplicação imediata no quarto de hospital.
A morte do pai a um mês da defesa
O golpe mais duro chegou no pior momento possível do calendário acadêmico. Faltava exatamente um mês para a defesa do trabalho de conclusão de curso quando o pai morreu, após longo período de doença.
A perda desestruturou tudo, e ele descreve a sensação como a de que o chão havia desabado.
A decisão que tomou em seguida é o que explica o desfecho da história. Ele concluiu que não tinha o direito de desmoronar, e entregou o trabalho no prazo, com resultado classificado como excelente.
O discurso que a plateia ouviu

Ele foi escolhido para falar em nome dos formandos, e a voz falhou mais de uma vez durante a fala.
Na plateia, a mãe enxugou as lágrimas várias vezes. O irmão mais velho também chorava, com a mão agarrada à perna dela.
A mensagem que ele dirigiu à mãe reunia todas as ausências daquele percurso. Ele disse que o diploma não era conquista apenas dele, mas o sonho da mãe, o sacrifício silencioso do pai, as noites longas no hospital e as refeições simples que ela preparava para os dois, e prometeu ocupar o lugar do pai ao lado dela na luta contra a doença.
O que disse a professora
A avaliação de quem acompanhou o percurso acadêmico dele vem da farmacêutica Nguyễn Thị Xuân Liễu, chefe do departamento de gestão farmacêutica da faculdade e responsável pela turma.
Segundo ela, em muitos anos como professora responsável por turmas, raramente encontrou um estudante com aquela determinação e aquele senso de disciplina.
O que ela destaca não é apenas o desempenho nas provas. Ela afirma que ele nunca afrouxou nos estudos mesmo correndo entre o hospital e a sala de aula, e classifica a imagem dele carregando a mãe como símbolo de alguém que se manteve firme na adversidade e foi até o fim do caminho escolhido.
Uma família ligada à farmácia
O curso escolhido não foi acaso nem cálculo de mercado. Ele nasceu e cresceu em uma família ligada à profissão.
A mãe é farmacêutica e trabalhou durante anos em uma pequena drogaria na cidade onde a família mora, no delta do Mekong.
A infância dele foi atravessada por essa rotina. Ele cresceu vendo a mãe conferir receitas à noite, sob a luz de uma lâmpada amarela, cena que voltaria anos depois em outro contexto, com ele conferindo as receitas dela.
Um diploma que subiu ao palco em duas pessoas
O que torna essa cena diferente de tantas homenagens de formatura é que ela não foi simbólica. Ele não levou um objeto, uma foto ou uma dedicatória.
Levou a própria pessoa homenageada, fisicamente, nas costas, porque ela não conseguia subir sozinha.
A imagem que sobra é a de um percurso que os dois fizeram juntos até ali, um deles carregando o outro em cada etapa, em ordem invertida conforme o ano. Durante o curso, foi a mãe quem sustentou o sonho; no dia da entrega, foi ele quem carregou o corpo dela até o palco.
E você, faria uma homenagem assim na sua formatura ou acha que a emoção deve ficar fora da cerimônia? Conhece alguém que estudou cuidando de um familiar doente ao mesmo tempo? Conta nos comentários quem carregou você quando foi preciso.
