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Filho de empregada doméstica estudou sozinho pela internet porque a mãe não podia pagar seus estudos, fez o Enem e conseguiu o improvável: foi aprovado em Medicina na UFRGS e em Direito na USP

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Escrito por Alisson Ficher Publicado em 14/08/2026 às 12:26
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Trajetória construída na escola pública, com preparação independente pela internet, levou um jovem do interior paulista a alcançar resultados acadêmicos de destaque após uma caminhada marcada por trabalho precoce, limitações financeiras e persistência nos estudos, abrindo caminhos que até então ninguém de sua família havia percorrido.

Pedro Felipe Carvalho Vaz percorreu toda a educação básica em escolas públicas e, sem recursos para pagar um cursinho, estudou sozinho pela internet até conquistar duas aprovações: Direito na Universidade de São Paulo e Medicina na Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Filho de uma empregada doméstica, ele contou que a mãe não tinha condições financeiras de bancar sua preparação, cenário que transformou materiais gratuitos disponíveis na rede em uma ferramenta decisiva para organizar os estudos e buscar uma vaga no ensino superior.

A trajetória foi relatada pelo próprio estudante e divulgada pela Prefeitura Municipal de Capão Bonito, no interior de São Paulo, onde Pedro nasceu e construiu toda a formação escolar antes de alcançar resultados que ampliaram suas possibilidades de ingresso no ensino superior.

Segundo o relato publicado pelo município, nenhum de seus pais ou avós havia concluído a escola, e Pedro acabou se tornando a primeira pessoa da família a chegar ao ensino superior depois de uma caminhada integralmente ligada à rede pública de ensino.

Escola pública marcou toda a formação de Pedro

O percurso começou na Escola Professora Maria Borges Domingues Bugni, onde frequentou a pré-escola, e seguiu pela Escola Isolina Leonel Ferreira, pela Escola Professora Maria da Conceição Mieldazis e por duas unidades estaduais durante o ensino médio.

Mais tarde, passou pelas escolas Padre Arlindo Vieira e Professor João Baptista do Amaral Vasconcellos, mantendo uma formação sem passagem pela rede particular e construindo, dentro do sistema público, a base que antecederia sua preparação para o Enem.

Sem dinheiro para um curso preparatório, Pedro recorreu aos conteúdos disponíveis na internet, organizou os próprios horários e estruturou uma rotina independente, estratégia que lhe permitiu estudar para provas concorridas sem depender de mensalidades ou de uma estrutura privada de ensino.

Ao mesmo tempo, a trajetória escolar conviveu com o trabalho desde cedo, porque ainda criança ele ajudava um tio que mantinha um bar e passava de duas a três horas no local depois das aulas, conforme contou em seu relato.

Durante as férias escolares, aos 13 anos, também trabalhou na colheita de feijão na zona rural, experiência que se somou a uma juventude marcada por responsabilidades e por uma rotina distante daquela vivida por estudantes com dedicação exclusiva aos estudos.

Mesmo assim, Pedro não descreveu a própria vida escolar como uma sequência de desempenho exemplar desde o início, pois contou que era considerado bagunceiro, embora professores reconhecessem sua facilidade de aprendizagem e percebessem potencial em seu desenvolvimento acadêmico.

Foi com o passar do tempo, e principalmente durante a preparação independente, que o estudo ganhou outro peso, até se transformar em uma rotina organizada em torno das oportunidades disponíveis gratuitamente na internet e das exigências dos processos seletivos.

Internet virou a principal ferramenta de preparação

Nesse processo, a rede passou a substituir aquilo que um cursinho particular poderia oferecer, permitindo acesso a conteúdos, exercícios e materiais de preparação enquanto Pedro avançava de maneira autônoma em direção às provas necessárias para ingressar no ensino superior.

Quando os resultados chegaram, aos 28 anos, vieram em duas áreas distintas e altamente disputadas: Pedro foi aprovado em Medicina na Universidade Federal do Rio Grande do Sul e também conquistou uma vaga no curso de Direito da Universidade de São Paulo.

Entre as duas possibilidades, escolheu seguir Direito na USP, curso que, segundo ele, desejava desde a adolescência, enquanto a aprovação em Medicina na UFRGS permaneceu como outro resultado expressivo obtido durante o mesmo período de preparação.

O interesse pelo Direito havia surgido antes das aprovações, depois que um professor lhe apresentou a possibilidade de estudar na USP caso alcançasse um bom desempenho no Enem, transformando uma ideia distante em um objetivo concreto de longo prazo.

Dentro de casa, a conquista também representou uma ruptura geracional, porque Pedro afirmou que pais e avós não haviam terminado a escola e que ninguém da família tinha chegado anteriormente a uma universidade, tornando sua entrada no ensino superior inédita naquele núcleo familiar.

Primeiro universitário da família chegou a duas universidades públicas

Além da preparação acadêmica, a leitura aparecia entre os interesses pessoais do estudante, que citou William Shakespeare como seu autor favorito e Dom Quixote, de Miguel de Cervantes, como o livro de que mais gostava naquele período.

Ao falar sobre essa obra, Pedro relacionou a narrativa à persistência e enxergou nela uma característica próxima da própria experiência, marcada pelo uso constante dos recursos disponíveis e pela tentativa de ampliar suas possibilidades por meio da educação.

Em seu relato, ele também destacou a quantidade de conteúdo gratuito existente na internet, defendendo que estudantes podem utilizar esses materiais na preparação para exames e concursos desde que mantenham disciplina, regularidade e organização ao longo do processo.

A história ganhou repercussão em Capão Bonito justamente pelo contraste entre o ponto de partida e os resultados alcançados, reunindo escola pública, limitação financeira, trabalho precoce, estudo autônomo e duas aprovações em universidades públicas de grande reconhecimento nacional.

De um lado, estava uma família em que, segundo o próprio Pedro, pais e avós não haviam concluído a escola e a mãe trabalhava como empregada doméstica; de outro, surgiram vagas em Medicina na UFRGS e Direito na USP.

Sem ter migrado para uma escola particular durante a educação básica, ele concluiu o ensino médio em unidades públicas de Capão Bonito e utilizou a internet como principal apoio para organizar a preparação que antecedeu as duas aprovações universitárias.

Direito na USP virou a escolha depois das aprovações

Depois de conquistar as vagas, Pedro decidiu seguir o curso que dizia desejar desde a adolescência e se preparou para ingressar na Faculdade de Direito da USP, no Largo de São Francisco, preservando a Medicina como uma segunda aprovação de peso.

Para estudantes de sua cidade, a experiência passou a representar um exemplo concreto de como recursos gratuitos podem ser usados quando uma família não consegue financiar uma preparação privada, sem apagar as dificuldades enfrentadas ao longo de toda a trajetória.

Ao reunir escola pública, trabalho desde a infância, estudo independente e a condição de primeiro universitário da família, a história de Pedro mantém um contraste forte entre origem e destino acadêmico, sustentado por escolhas construídas ao longo de vários anos.

Quantos outros estudantes, diante de limitações financeiras semelhantes e sem acesso a cursinhos particulares, podem estar tentando construir uma trajetória parecida usando apenas os recursos públicos e gratuitos que conseguem encontrar ao longo do caminho?

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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