Nicole Holderfield tentou reparar as rachaduras na garagem de sua casa em North Huntingdon, na Pensilvânia. Uma marretada revelou um grande espaço vazio sob o piso onde a família estacionava dois carros. A seguradora negou cobertura, e a construtora se ofereceu para administrar o reparo e dividir os custos
Nicole Holderfield descobriu um grande espaço vazio sob a garagem de sua casa, em North Huntingdon, na Pensilvânia, depois que um empreiteiro bateu uma marreta no piso para investigar rachaduras. Durante anos, a família estacionou dois carros sobre a estrutura sem saber que existia um compartimento escondido abaixo do concreto.
Segundo reportagem da CBS Pittsburgh, a residência havia sido construída aproximadamente 30 anos antes. O espaço encontrado sob a garagem não tinha acesso pelo porão e apresentava blocos de concreto, aterro incompleto, um balde abandonado e sinais de exposição à umidade.
Rachaduras no piso levaram a família a procurar ajuda
Nicole não começou a investigação porque suspeitava da existência de um cômodo subterrâneo. Inicialmente, ela queria apenas entender por que rachaduras estavam surgindo no piso da garagem.
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O imóvel possuía uma garagem frontal com espaço para dois veículos. A família utilizava o local normalmente e não havia qualquer abertura visível que indicasse a presença de um grande vão sob a laje.
Durante a avaliação, um empreiteiro bateu uma marreta contra o concreto. O objetivo era examinar a estrutura e descobrir o que estava causando as fissuras.
O golpe abriu uma passagem no piso e revelou que o concreto não estava apoiado diretamente sobre o solo. Abaixo dele existia um espaço suficientemente alto para que uma pessoa permanecesse em pé.
A descoberta transformou o que parecia ser um conserto simples em uma preocupação estrutural.

Cômodo escondido não tinha ligação com o porão
O espaço não aparecia na área interna da residência e não possuía acesso pelo porão terminado da casa. Para chegar ao local, foi necessário utilizar a abertura feita na garagem.
Dentro do compartimento, a família encontrou blocos de concreto, material de preenchimento e até um balde deixado para trás. Os objetos indicavam que trabalhadores haviam entrado no espaço durante a construção.
Apesar disso, o vão permaneceu fechado e inacessível por aproximadamente três décadas.
Nicole observou ainda que somente uma das paredes parecia ter recebido impermeabilização. A ausência de proteção nas demais superfícies pode ter permitido a entrada de umidade ao longo dos anos.
A proprietária passou a suspeitar que a água tivesse atingido a coluna metálica e as ferragens responsáveis por sustentar parte da garagem.
Imagens do interior mostraram elementos metálicos com sinais de deterioração. Para a família, o estado da estrutura ajudava a explicar as rachaduras que começaram a aparecer no concreto.

Dois carros permaneceram estacionados sobre o espaço vazio
Antes da descoberta, Nicole e seus familiares estacionavam normalmente os veículos sobre a laje. Crianças e animais também circulavam pela garagem.
A família não tinha conhecimento do espaço escondido e, portanto, não sabia que poderia existir perda de sustentação sob o piso.
Depois que o vão foi aberto, diferentes empresas foram chamadas para analisar a construção. Um inspetor municipal também visitou a residência.
Segundo Nicole, os profissionais demonstraram surpresa ao entrar no compartimento e observar como a garagem havia sido executada.
Um engenheiro estrutural contratado para avaliar o imóvel relacionou o problema a falhas construtivas e execução inadequada, conforme o relatório apresentado pela família.
A avaliação aumentou a preocupação dos moradores. Caso a sustentação continuasse enfraquecendo, o piso poderia sofrer novos danos ou até ceder em algum ponto.
Seguradora negou o pedido de cobertura
Nicole acionou o seguro residencial para tentar custear o reparo da garagem. A seguradora, entretanto, recusou o pedido.
A empresa alegou que a apólice não cobria defeitos provocados por construção inadequada. Como o problema teria se originado durante a execução do imóvel, o custo não seria responsabilidade do seguro.
A família também procurou a Ryan Homes, construtora responsável pela residência.
Inicialmente, representantes da empresa destacaram a idade da casa. Também afirmaram que as normas atuais de construção poderiam ser diferentes daquelas adotadas aproximadamente 30 anos antes.
Posteriormente, a construtora se dispôs a administrar o reparo e dividir os custos com a proprietária, segundo atualização enviada pela família à CBS Pittsburgh.
Ainda assim, a proposta deixou parte da despesa com Nicole, embora o relatório de engenharia apontasse problemas relacionados à construção original.
Outra garagem da mesma construtora também escondia um vazio
A reportagem encontrou uma segunda proprietária que enfrentou um problema semelhante em uma casa construída pela mesma empresa e em período próximo.
Nesse caso, a descoberta aconteceu quando o pneu de um automóvel rompeu o piso da garagem. A abertura revelou um vazio com aproximadamente 2,7 metros de profundidade sob o concreto.

A moradora precisou preencher o espaço para recuperar a sustentação da garagem. O serviço exigiu quatro caminhões de material de aterro.
O reparo custou cerca de US$ 20 mil.
A existência de outro caso aumentou a preocupação de Nicole com imóveis da mesma região que possuem plantas semelhantes. Ela passou a avisar os vizinhos para que observassem rachaduras, afundamentos e alterações no piso das garagens.
O objetivo era impedir que outra família descobrisse o problema somente depois de um carro romper o concreto.
Embora rachaduras possam surgir por diferentes razões, os dois episódios mostraram que fissuras aparentemente superficiais também podem indicar a existência de grandes áreas sem preenchimento sob uma garagem.
No caso de Nicole, uma simples marretada revelou um espaço que permaneceu escondido durante aproximadamente três décadas, enquanto dois carros eram estacionados diariamente sobre a estrutura.
Na sua opinião, quem deveria pagar pelo reparo de um defeito estrutural descoberto 30 anos depois: a construtora, a seguradora ou o proprietário?
