Explosão de investimentos no ramo de petróleo e gás do Espírito Santo: Empresas como Petrobras, Karavan Oil, Shell, PetroRio, Imetame e ES Gás estão no foco do negócios apresentados no Anuário Capixaba

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Além disso, descomissionamento de campos petrolíferos vai gerar R$ 2,4 bilhões em negócios. Os dados fazem parte da 5ª edição do Anuário da Indústria do Petróleo e Gás Natural no Espírito Santo, produzido pelo Observatório da Indústria da Findes 

A Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes) lançou nesta sexta-feira (29) a 5ª edição do Anuário da Indústria do Petróleo e Gás Natural no ES. O documento reúne os mais importantes dados e análises do setor, além de apresentar uma projeção da produção de óleo e gás até 2025.  

Lançamento do Anuário de Petróleo e Gás 2022 ( Vídeo inicia no minuto 24:00) – Fonte: Findes

Segundo o estudo, estima-se que o Espírito Santo receberá, em quaro anos, o total de R$ 8,1 bilhões em investimentos no setor de óleo e gás, com projetos de empresas como Petrobras, Karavan Oil, Shell, PetroRio, Imetame e ES Gás. Já o descomissionamento de 680 poços de petróleo no ES deve gerar R$ 2,4 bilhões em negócios entre os anos de 2022 e 2026.  

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O material traz ainda informações como produção de petróleo e gás, número de poços perfurados no Estado, detalhamento dos investimentos previstos, arrecadação de royalties e participações especiais, entre outros números.  

O lançamento da publicação aconteceu na sede da Findes, em Vitória/ES, e reuniu especialistas e autoridades. Na ocasião, a presidente da Federação, Cris Samorini, afirmou que o Anuário – produzido pelo Observatório da Indústria, com o apoio do Sebrae e do Fórum Capixaba de Petróleo, Gás e Energia – é uma importante ferramenta para traçar um raio-x de um dos principais segmentos econômicos do Estado. 

“No ranking nacional, o Espírito Santo é o terceiro maior produtor de petróleo e o quarto de gás natural. O setor possui a maior representatividade no valor adicionado da indústria geral no ES, de 25,4%. O Anuário é muito relevante uma vez que, além de reforçar a importância do setor por meio dos dados, norteia estratégias e planejamentos, especialmente em prol da geração de oportunidades e do desenvolvimento do Espírito Santo.”  

A economista-chefe da Findes e gerente-executiva do Observatório da Indústria, Marília Silva, destacou que conhecer o atual cenário da exploração de petróleo e gás no Espírito Santo, no país e no mundo é também fundamental para entender o contexto de transição da matriz energética, que vem ganhando cada vez mais força em todo o planeta.  

“Não há questionamento quanto aos benefícios ocasionados pela transição de uma matriz energética atualmente intensiva em combustíveis fósseis para uma matriz com baixa ou zero emissões de carbono. As dúvidas sobre essa transição residem na velocidade com que ela ocorrerá, dada a necessidade da segurança energética e dos estímulos financeiros, tecnológicos e regulatórios, a serem promovidos pelas lideranças globais”, enfatizou Marília.  

A subsecretária de Estado de Atração de Investimentos e Negócios Internacionais, Christiane Vargas Menezes, frisou que o Espírito Santo se destaca na produção de petróleo no cenário nacional e é o único Estado da federação com um Fundo Soberano, que destina recursos para investimentos estruturantes que tornam o Espírito Santo cada vez mais competitivo e atraente a novos negócios.  

“O Anuário do Petróleo e Gás do ES é um documento importante para o Estado, já que, por meio de informações técnicas e precisas, poderá indicar de maneira assertiva a elaboração de novas estratégias e investimentos do Governo do Estado que possam apoiar da melhor forma o segmento”, disse. 

O diretor técnico do Sebrae, Luiz Toniato, lembrou da importância do setor de petróleo e gás para o Estado. “O Sebrae é parceiro dessa cadeia e está comprometido em fazer o seu máximo para preparar os micros e pequenos empreendedores para aproveitarem as oportunidades que surgem na produção e exploração de óleo e gás natural”, comentou. 

O gerente de Gestão da Disponibilidade de Recursos e Serviços da Petrobras, Hudson Gomes Carvalho, citou que a companhia gerencia no Estado operações que representam aproximadamente 14% da produção nacional de óleo e gás. Ele reforçou ainda a parceria que a Petrobras tem com a Findes. “Essa parceria é muito estratégica pra gente. Afinal, assim, nos aproximamos da indústria local, estimulamos a cadeia de fornecedores e incentivamos o desenvolvimento de inovação e tecnologia”, enfatizou. 

Durante o evento, aconteceu ainda o lançamento da Mec Show, uma das principais feiras do setor metalmecânico, que traz as últimas tendências e tecnologia de ponta para a indústria. O presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas e de Material Elétrico do Estado (Sindifer), Luis Cordeiro Soares, disse que esta será uma grande feira.  

“Depois de dois anos nas edições virtuais, esperamos oferecer muitas atrações de produtos, serviços e tecnologias aplicáveis ao segmento metalmecânico e de óleo e gás. Pode-se esperar muitas novidades”, enfatizou. 

Também aconteceu no evento de lançamento do Anuário a mesa redonda com o tema “Petróleo e gás natural frente a transição para novas fontes de energia: oportunidades e desafios”, com a participação do diretor de Contratações e Suprimentos da Equinor Brasil, Rafael Tristão, da diretora da UnIBP, Karen Cubas, da advogada especialista em Direito Socioambiental, Samanta Pineda, e do secretário-executivo da ABPIP, Anabal Santos. 

Projeção do Observatório da Indústria: produção de petróleo deve cair 2,7% ao ano até 2025 

Dos anos 2000 para cá, o Espírito Santo passou de coadjuvante para protagonista nacional na produção de petróleo e gás natural. 

Enquanto em 2000, a participação capixaba na produção nacional de óleo e gás representava 1,0% e 2,8%, respectivamente, ocupando a sétima posição em ambos insumos. Agora, o Estado ocupa a 3ª posição na produção de petróleo, com 8,4% na participação da produção nacional, e a quarta posição na produção de gás natural, correspondendo a 4,9% da produção nacional. 

Mas, mesmo com a relevância, desde 2014, o Espírito Santo passou a registrar sucessivas quedas da produção, atingindo em 2021 a menor contribuição para a produção nacional nos últimos 12 anos, de 7,3% para o petróleo e 4,1% para o gás natural.  

De acordo com a economista-chefe da Findes e gerente-executiva do Observatório da Indústria, Marília Silva, a retração da atividade petrolífera está atrelada a alguns fatores como o ambiente internacional menos favorável e o pouco interesse das petroleiras nas áreas de nova fronteira (áreas a serem exploradas) de produção de petróleo e gás. 

“Além disso, os campos produtores perderam espaço dentro da carteira de investimentos das grandes petroleiras, sendo mantidos com a produção abaixo da capacidade. Esse panorama, atrelado às fases de declínio natural da produção da maioria dos campos produtores, proporcionou um cenário de queda no nível de atividade do setor no Espírito Santo”, justificou. 

Marília explicou que, de acordo com a projeção trazida pelo Anuário da Indústria do Petróleo e Gás Natural no Espírito Santo, esse cenário de queda da produção não deve ser revertido nos próximos anos.  

Espera-se que até 2025 a produção de petróleo em mar (offshore) tenha uma queda média anual de 2,70%, alcançando uma produção de 64,4 milhões de barris. Para o gás natural, projeta-se um aumento médio anual de 1,02%, até 2025, alcançando uma produção de 2,1 bilhões de metros cúbicos (m³). 

No ambiente onshore (em terra), espera-se que até 2025 a produção de petróleo tenha uma queda média anual de 3,58%, atingindo 2,5 milhões de barris. Em relação ao gás natural, espera-se que o insumo tenha uma queda média anual na produção de 3,62% até 2025, chegando a 21,7 milhões de m³. 

“O Anuário nos ajuda a entender as perspectivas para os próximos anos e isso é fundamental para que o poder público, a iniciativa privada e a sociedade planejem o futuro do setor e a forma mais eficiente de aplicação dos recursos gerados a partir desta cadeia produtiva”, destacou a presidente da Findes, Cris Samorini. 

Sobre o Anuário 

Em sua 5ª edição, o Anuário da Indústria do Petróleo e Gás Natural no Espírito Santo reúne os mais importantes dados e variáveis de análises do setor para o Espírito Santo. 

Produzido pelo Observatório da Indústria da Findes, o documento traz informações sobre a indústria mundial e capixaba do petróleo e do gás natural, apresenta os reflexos das atividades do setor, com destaque para as participações governamentais, ️ aborda o mecanismo de incentivo do setor de petróleo e gás à pesquisa, desenvolvimento e inovação, além de citar novas oportunidades em exploração e produção de petróleo e gás natural para o Espírito Santo. 

Com informações técnicas e análises, o Anuário é um excelente instrumento para que, especialmente gestores públicos, planejem o futuro do setor e dos recursos que ele gera para o ES. 

Além disso, o conteúdo apresenta o mapa oficial do setor, em parceria com a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). 

Dados e impactos da indústria de óleo e gás para o ES 

  • Produção de petróleo: 3ª colocação no país, com 8,4% na participação da produção nacional. 
  • Produção de gás natural: 4ª colocação no país, correspondendo a 4,9% da produção nacional. 
  • Investimentos esperados no setor de petróleo e gás natural no ES até 2025: R$ 8,1 bilhões.  
  • Projetos de descomissionamento aprovados para a Bacia do Espírito Santo: 19, sendo 18 em terra e um (01) no mar.  
  • Investimentos previstos para o descomissionamento de 680 poços de 2022 a 2026: R$ 2,4 bilhões. 
  • Economia: o setor representa 25,4% no valor adicionado da indústria geral do ES. 
  • Arrecadação de royalties em 2021: R$ 1,6 bilhão. 
  • Arrecadação de participação Especial em 2021: R$ 1,9 bilhão 
  • Mercado de Trabalho (2020): 11,6 mil empregos formais. 
  • Remuneração média (2020): R$ 6.622,79. 
  • Exportações (2020): US$ 599 milhões. 

Fontes: ANP, RAIS e MDIC | Elaboração: Observatório da Indústria da Findes 

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Paulo Nogueira
Com formação técnica, atuei no mercado de óleo e gás offshore por alguns anos. Hoje, eu e minha equipe nos dedicamos a levar informações do setor de energia brasileiro e do mundo, sempre com fontes de credibilidade e atualizadas.