Os coeficientes da Empresa de Pesquisa Energética são referências médias de conversão e mostram que o processamento do milho gera combustível e coprodutos com usos próprios. A expansão da rota levou o cereal a representar cerca de um quarto do etanol produzido no país em 2025.
Uma tonelada de milho destinada à produção de etanol pode gerar, em média, 420 litros do combustível, 212 quilos de DDGS e 19 quilos de óleo de milho. Os coeficientes mostram como o processamento do grão distribui a matéria-prima entre diferentes produtos.
Os fatores constam no Caderno de Oferta de Biocombustíveis do PDE 2035, elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE). O documento trata esses números como médias de conversão e ressalva que algumas unidades podem superar os valores indicados.
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A relação por tonelada serve, portanto, como referência para compreender o processo industrial, não como rendimento garantido para qualquer instalação. Tecnologia empregada, características da matéria-prima e condições operacionais podem fazer o resultado variar de uma usina para outra.
DDGS e óleo permanecem na cadeia produtiva
DDGS é a sigla em inglês para distiller’s dried grains with solubles, ou grãos secos de destilaria com solúveis. O material reúne componentes que permanecem depois da fermentação e da separação do etanol e pode ser direcionado à nutrição animal.
O óleo de milho constitui outro coproduto da mesma rota. Pelo coeficiente médio apresentado pela EPE, uma tonelada processada corresponde a 19 quilos desse produto, enquanto o DDGS chega a 212 quilos e o etanol, medido em volume, alcança 420 litros.
Como os resultados são expressos em unidades diferentes, eles não devem ser simplesmente somados como se representassem um único balanço de massa. Os coeficientes servem para estimar as saídas médias do processo a partir da quantidade de milho destinada à produção de etanol.
Parte dos componentes que não se transforma em combustível permanece, assim, em produtos aproveitados por outras atividades. Essa característica permite que uma mesma tonelada do cereal tenha diferentes destinos após o processamento, sem que os coeficientes indiquem o valor econômico de cada saída.
Os números da EPE também não permitem calcular quanto uma usina ganha com uma tonelada de milho. Uma avaliação financeira dependeria de variáveis não contempladas nesses fatores físicos, como preços de compra e venda, custos industriais, energia, logística, escala e eficiência da instalação.
Milho chegou a cerca de um quarto do etanol nacional
A participação do milho na produção brasileira de etanol passou dos 20% registrados em 2024 para cerca de 25% em 2025. O Balanço Energético Nacional 2026, da EPE, registra aproximadamente 9,4 bilhões de litros produzidos a partir do cereal naquele ano.
A produção brasileira de etanol ficou em cerca de 38,2 bilhões de litros em 2025, considerando as diferentes matérias-primas. Os volumes colocam a rota do milho próxima de um quarto do total nacional, enquanto a cana-de-açúcar continuou respondendo pela maior parcela.
O Caderno de Oferta de Biocombustíveis do PDE 2035 registra ainda que cerca de 15% do milho produzido na safra 2023/24 foi destinado ao etanol. O percentual mostra a parcela da produção do cereal direcionada a essa finalidade naquele período.
A EPE também destaca a contribuição das usinas de milho durante a entressafra da cana-de-açúcar no Centro-Sul. As duas matérias-primas seguem dinâmicas diferentes, e o cereal pode ser armazenado antes de chegar à indústria, enquanto o processamento da cana acompanha mais diretamente seu período de colheita.
Essa diferença permite que o milho seja utilizado para produzir etanol em momentos distintos do calendário da cana. O papel das duas matérias-primas, portanto, não depende apenas dos volumes anuais produzidos, mas também das características de abastecimento e processamento de cada cadeia.
No horizonte traçado pelo PDE 2035, a EPE projetava que o etanol produzido a partir de milho e outros cereais alcançaria participação superior a 30% da oferta total de etanol no fim do período. O percentual é uma projeção condicionada às premissas do planejamento, não um resultado garantido.
