Estudantes da Universidade Politécnica de Madrid criaram o HelioCone, sistema passivo que capta e redireciona luz solar para interiores, sem energia elétrica.
Estudantes da Universidade Politécnica de Madrid desenvolveram um sistema inovador para levar luz natural a espaços internos sem depender de eletricidade. Chamado HelioCone, o dispositivo funciona de forma passiva, redirecionando a luz solar para áreas com pouca ou nenhuma exposição direta ao sol. Seu design utiliza geometria ótica e fibras óticas, sem motores nem partes móveis.
O objetivo central é reduzir a dependência da iluminação artificial durante o dia. Isso gera economia de energia e diminui as emissões ligadas ao consumo elétrico. Portanto, trata-se de uma alternativa sustentável para corredores, porões ou quartos afastados de janelas.
Além disso, a proposta dialoga com um desafio global. Os edifícios concentram cerca de 40% do consumo energético mundial. Por isso, inovações como esta podem redefinir a arquitetura em direção a soluções mais eficientes.
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Inspiração em uma observação cotidiana
A ideia do HelioCone nasceu de uma situação simples dentro da própria universidade. Na biblioteca, uma faixa branca posicionada no exterior refletia a luz solar de maneira eficiente para o interior. Esse fenômeno mostrou que a falta de iluminação natural em ambientes profundos obriga o uso constante de lâmpadas.
A partir dessa observação, os estudantes perceberam que uma solução passiva poderia melhorar o espaço sem aumentar o consumo de energia. Assim, transformaram uma cena casual em um projeto técnico, aplicando princípios da física da luz e um enfoque em design responsável.
Como o sistema funciona
O HelioCone é composto por uma estrutura hemisférica formada por cinco cones concêntricos, instalados nas fachadas dos prédios. Cada cone é responsável por captar a luz dentro de um ângulo específico, garantindo funcionamento ao longo do dia e das estações.
A luz entra pelo cone externo e, após múltiplas reflexões em superfícies altamente refletivas, converge em um ponto focal. Nesse ponto, uma fibra ótica conduz a luminosidade para dentro do edifício, sem perda significativa de intensidade.
Sua principal vantagem é aproveitar tanto a luz direta quanto a difusa. Assim, pode ser usado até em fachadas voltadas para o norte ou em dias nublados. Além disso, seu design modular facilita a instalação em construções já existentes ou novas, sem obras grandes ou impacto visual.
O processo de criação
O desenvolvimento do projeto não foi linear. No começo, o grupo trabalhou de forma mais criativa e livre. Porém, perceberam que a chave estava na precisão física e nos materiais certos. A partir daí, focaram no estudo de como a luz se comporta e quais superfícies refletem melhor.
Os estudantes aplicaram uma lógica de Technology Pull, analisando soluções já existentes como captadores solares parabólicos e tubos solares. No entanto, reinterpretaram esses princípios para criar eficiência e estética próprias. Também buscaram inspiração em referências de arquitetura funcional e design industrial, sempre priorizando modularidade e viabilidade prática.
O que o torna diferente
O HelioCone não é uma lâmpada, mas sim um sistema ótico. Ao contrário de outras soluções que dependem do tamanho ou da posição de janelas, ele amplia a captação solar até em ângulos difíceis. Isso o torna especialmente útil em áreas urbanas densas.
Cada peça foi pensada para ser funcional sem abrir mão da estética ou do respeito ambiental. Como não possui partes móveis, o dispositivo exige pouca manutenção, tem longa vida útil e reduz a pegada de carbono. Sua integração discreta nas fachadas também permite o uso em prédios históricos ou com restrições arquitetônicas.
Próximos passos
A etapa seguinte do projeto é testar protótipos em escala real. O grupo pretende medir luminância, eficiência ótica e durabilidade. Também estuda o uso de materiais recicláveis com revestimentos metálicos sustentáveis, resistentes ao tempo e de alta refletividade.
No campo social, os estudantes querem aplicar o HelioCone em habitações populares, ecobairros e projetos de reabilitação urbana. Uma das propostas piloto é levar o sistema para escolas públicas, onde a luz natural pode melhorar o conforto e o desempenho dos alunos, sem custo adicional de energia.
O potencial de transformação
O HelioCone vai além da inovação técnica. Ele representa uma nova forma de pensar a luz nos edifícios. Pode reduzir o consumo elétrico durante o dia em escritórios, hospitais e escolas. Além disso, aumenta a exposição à luz natural, que favorece a saúde, o ritmo biológico e até o humor das pessoas.
Outro impacto está na redução da pegada de carbono, alinhando-se a políticas como o Pacto Verde Europeu. Sua instalação simples e não invasiva facilita a modernização de prédios antigos, sem necessidade de reformas pesadas.
O sistema também democratiza o acesso à luz natural em cidades densas, onde nem todos os lares têm boa orientação solar ou vistas abertas. Nesse sentido, oferece uma resposta prática a um problema comum da vida urbana.
Uma nova forma de acender a luz
O HelioCone mostra que nem toda inovação precisa de tecnologia complexa ou infraestrutura cara. Muitas vezes, basta observar um detalhe simples para criar uma solução com grande impacto. Esse sistema captura e otimiza a luz que já existe, apontando para uma arquitetura mais sustentável e conectada ao planeta.