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Estudante de Engenharia Química e o pai construíram em menos de um mês uma casa de três quartos com solo, plástico e vidro descartados, fizeram mais de 90% das paredes com terra e resíduos e passaram a morar no protótipo para provar que ele funciona como uma residência comum

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Escrito por Ana Alice Publicado em 24/07/2026 às 22:57
Assista o vídeoEstudante e o pai constroem casa de três quartos com solo e resíduos, em projeto que testa alternativa sustentável à alvenaria tradicional. - Foto fornecida à UCT News
Estudante e o pai constroem casa de três quartos com solo e resíduos, em projeto que testa alternativa sustentável à alvenaria tradicional. – Foto fornecida à UCT News
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Uma casa de três quartos erguida com solo e resíduos virou moradia e laboratório de uma tecnologia que busca reduzir custos, reaproveitar materiais descartados e testar novos caminhos para a construção sustentável.

Uma casa de três quartos erguida em menos de um mês na região de Ennerdale, em Joanesburgo, passou a funcionar como residência e laboratório de uma tecnologia construtiva baseada em solo e materiais descartados.

A família responsável pelo projeto mudou-se para o imóvel após o término da obra.

Por trás da construção está Matimba Mabonda, formado em Engenharia Química pela Universidade da Cidade do Cabo e estudante de mestrado na instituição.

Ele desenvolveu o protótipo com uma equipe que incluía seu pai, Ben Mabonda, empreiteiro com experiência na construção de centenas de casas.

Segundo a Universidade da Cidade do Cabo, mais de 90% das paredes foram produzidas com materiais de terra e resíduos plásticos.

A publicação também informa que plástico e vidro descartados foram incorporados à proposta construtiva, embora não detalhe quanto de cada resíduo entrou na composição final.

A residência tem sala, cozinha, banheiro, garagem e três quartos.

Vista da rua, apresenta acabamento semelhante ao das casas convencionais do bairro, sem deixar aparente que grande parte das paredes foi feita por uma técnica diferente da alvenaria tradicional.

O projeto foi divulgado pela universidade em fevereiro de 2026.

Até julho do mesmo ano, não foi localizado um certificado público que confirmasse a aprovação do sistema para reprodução comercial em larga escala, o que mantém a casa na condição de protótipo demonstrativo habitado.

Casa sustentável virou moradia da família

A decisão de morar no imóvel diferenciou o projeto de modelos feitos apenas para exposições ou testes de curta duração.

Assim que os trabalhos foram encerrados, a família Mabonda ocupou a residência e passou a utilizá-la nas atividades cotidianas.

Isso permite observar aspectos como conforto, manutenção e comportamento das paredes ao longo do tempo.

No entanto, morar no protótipo não substitui ensaios independentes de resistência, segurança contra incêndio, umidade, durabilidade e desempenho estrutural.

Matimba afirmou que a casa permanece aquecida durante o inverno e fresca no verão, reduzindo a necessidade de aparelhos de climatização.

A declaração descreve a experiência dos moradores, mas a publicação original não apresenta medições de temperatura interna ou comparação controlada com imóveis de tijolos convencionais.

“Mais de 90% das nossas paredes foram feitas com materiais de terra, além de resíduos plásticos. Nossa casa é confortável. É quente no inverno e fresca no verão”, declarou o estudante à universidade.

Construções com terra podem apresentar elevada massa térmica, característica que ajuda a absorver calor e liberá-lo gradualmente.

O resultado prático, entretanto, depende de fatores como espessura das paredes, composição do solo, orientação da casa, ventilação, cobertura e condições climáticas.

Área externa da casa-piloto construída em Ennerdale apresenta paredes revestidas e aberturas protegidas durante a fase documentada pela Universidade da Cidade do Cabo. - Foto fornecida à UCT News
Área externa da casa-piloto construída em Ennerdale apresenta paredes revestidas e aberturas protegidas durante a fase documentada pela Universidade da Cidade do Cabo. – Foto fornecida à UCT News

Solo usado nas paredes precisa passar por testes

A técnica não consiste apenas em retirar terra do terreno e colocá-la em uma forma.

Antes da construção, é necessário examinar a composição do solo para definir se há proporções adequadas de areia, argila e outros componentes.

Solos retirados de locais diferentes podem reagir de maneiras distintas.

Uma mistura com argila em excesso tende a apresentar retração e fissuras durante a secagem, enquanto outra com pouca capacidade de ligação pode não alcançar a resistência necessária.

No protótipo, a equipe analisou o material disponível e ajustou a mistura usada nas paredes.

Segundo Matimba, o tamanho da construção e as características do terreno interferem nas proporções necessárias, exigindo novas avaliações para cada projeto.

A LolaGreen, empresa fundada por ele, descreve um processo que começa pela coleta e separação dos resíduos, passa pelos testes do solo e termina na preparação dos produtos utilizados na obra.

A companhia afirma que trabalha com terra natural, plástico, vidro e resíduos industriais.

A documentação pública não explica, porém, de que forma os fragmentos de plástico e vidro foram tratados antes do uso, qual granulometria foi adotada ou se os resíduos atuavam como reforço, preenchimento ou estabilizador.

Também não foram informadas a espessura das paredes, a quantidade total de resíduos retirada do ambiente ou a proporção exata entre solo, plástico, vidro e eventuais aditivos.

Lolabricks seriam produzidos sem cimento e água

Antes da casa, Matimba pesquisava um produto chamado “lolabrick”.

A proposta era fabricar blocos usando resíduos plásticos e industriais, sem empregar água ou cimento no processo de produção.

A LolaGreen começou as atividades de pesquisa em setembro de 2021 e produziu seu primeiro tijolo experimental em janeiro de 2022, de acordo com a página institucional da empresa.

Naquele ano, Matimba venceu uma competição sul-africana de empreendedorismo universitário com o projeto.

A premiação reconheceu a ideia de converter resíduos plásticos em materiais para a construção civil e destinou recursos ao desenvolvimento do negócio.

O plano de fabricar os blocos em escala encontrou uma limitação financeira.

A compra do maquinário industrial necessário exigia um investimento que a equipe ainda não havia conseguido realizar.

Como alternativa, o estudante passou a pesquisar tecnologias de construção com terra.

A mudança permitiu aproveitar um material disponível localmente e desenvolver as paredes sem depender imediatamente da linha industrial prevista para os “lolabricks”.

A casa representa, portanto, uma adaptação do projeto original.

Em vez de ser montada inteiramente com tijolos produzidos pela startup, ela combina técnicas de construção com solo e a incorporação de resíduos.

Vista lateral mostra o acabamento externo da casa de três quartos construída pela equipe de Matimba Mabonda em menos de um mês, na região de Ennerdale. - Foto fornecida à UCT News
Vista lateral mostra o acabamento externo da casa de três quartos construída pela equipe de Matimba Mabonda em menos de um mês, na região de Ennerdale. – Foto fornecida à UCT News

Experiência do pai ajudou a levar a ideia ao canteiro

Ben Mabonda trabalha como empreiteiro e já havia participado da construção de centenas de residências, segundo a Universidade da Cidade do Cabo.

O conhecimento prático do pai foi usado para levar a pesquisa do filho para um canteiro de obras real.

A parceria reuniu duas áreas diferentes.

Matimba ficou ligado à formulação dos materiais e à proposta de reaproveitamento dos resíduos, enquanto a experiência de Ben contribuiu para as decisões de execução da residência.

A publicação original menciona ainda a participação de uma equipe, o que significa que o imóvel não foi construído exclusivamente por pai e filho.

Os nomes, as funções e o número total de trabalhadores envolvidos não foram divulgados.

Mesmo com esse grupo, o prazo informado foi inferior a um mês.

A universidade não esclareceu a data exata do início e do encerramento da obra nem indicou quais etapas foram incluídas nessa contagem.

Também não há uma comparação pública que use projetos de dimensões e acabamentos equivalentes para demonstrar quanto tempo uma casa convencional levaria no mesmo terreno.

Crise habitacional influenciou o projeto da casa

Matimba cresceu em uma moradia precária na região de Grasmere, em Ennerdale.

Conforme relatou à universidade, a experiência familiar e os problemas habitacionais observados na África do Sul influenciaram a busca por uma alternativa de construção.

“Eu sempre quis melhorar as coisas para a minha família. Também temos uma enorme crise habitacional na África do Sul”, afirmou.

A casa-piloto foi pensada inicialmente para atender a própria família.

Ao mesmo tempo, passou a ser apresentada pela LolaGreen como demonstração de uma técnica que poderia reduzir custos, prazos e o uso de materiais convencionais.

Essas vantagens ainda dependem de dados mais detalhados.

A empresa não divulgou o orçamento completo da obra, o custo por metro quadrado ou uma comparação financeira auditada com uma casa equivalente feita de tijolos e argamassa.

Matimba declarou ter recebido pedidos de potenciais clientes após a conclusão da residência.

A quantidade de solicitações e a existência de contratos posteriores não foram informadas.

Fachada esconde a composição alternativa das paredes

Depois de pronta, a residência recebeu acabamento semelhante ao das construções vizinhas.

As paredes de terra e resíduos não ficaram necessariamente expostas, o que torna difícil identificar a técnica apenas pela fachada.

“Até que alguém diga que esta casa foi construída com solo e outros materiais descartados, você nunca diria que ela não é uma casa de tijolos e argamassa. Ela parece igual”, disse Matimba.

A semelhança visual ajuda a mostrar que materiais alternativos não precisam resultar em uma arquitetura provisória ou sem acabamento.

Ainda assim, duas casas parecidas por fora podem apresentar diferenças importantes na estrutura, na durabilidade e nas necessidades de manutenção.

Por esse motivo, a avaliação de uma tecnologia construtiva não se limita à aparência.

Órgãos técnicos consideram critérios relacionados à estabilidade, impermeabilidade, segurança, resistência e desempenho nas condições em que o sistema será utilizado.

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LolaGreen apresentou a tecnologia durante 2026

Depois da conclusão do protótipo, a empresa continuou divulgando o sistema de construção com terra e resíduos.

Matimba participou do Innovative Building Technologies Summit de 2026, evento dedicado a soluções alternativas para o setor habitacional.

Publicações da LolaGreen também registraram visitas de representantes ligados ao Departamento de Assentamentos Humanos e ao Conselho Nacional de Registro de Construtores de Casas da África do Sul.

Essas informações foram divulgadas pela própria empresa e mostram aproximação institucional, mas não equivalem à emissão de uma certificação.

O site da startup apresenta a construção com terra como sua tecnologia em fase de aplicação e informa que a empresa ainda conduz projetos-piloto com resíduos plásticos e industriais.

Não foram encontrados registros seguros de novas casas concluídas com o mesmo método, produção comercial em série ou contratos públicos para adoção do sistema em programas habitacionais.

A residência de Ennerdale permanece como a demonstração documentada de que a equipe conseguiu erguer e ocupar uma casa com paredes predominantemente feitas de terra e resíduos.

Quais testes e adaptações ainda serão necessários para que um protótipo habitado se transforme em uma alternativa usada em bairros inteiros?

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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