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Restauradores encontram pinturas escondidas, quarto com céu estrelado e detalhes históricos preservados desde os anos 1920 durante reforma do Parque Lage, no Rio de Janeiro

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Escrito por Andriely Medeiros de Araújo Publicado em 24/07/2026 às 21:25 Atualizado em 24/07/2026 às 21:26
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Reforma do Parque Lage revela pinturas históricas, detalhes dourados e decorações escondidas nas paredes do palacete construído na década de 1920. (imagem meramente ilustrativa gerada por IA).
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Reforma do Parque Lage revela pinturas históricas, detalhes dourados e decorações escondidas nas paredes do palacete construído na década de 1920.

Paredes que pareciam comuns começaram a revelar desenhos, cores e ornamentos durante a reforma do Parque Lage, no Rio de Janeiro. Ao retirar sucessivas demãos aplicadas ao longo das décadas, a equipe encontrou pinturas originais em diferentes cômodos do palacete histórico.

Segundo publicado pelo g1 em abril de 2026, a intervenção representa o primeiro trabalho de grande porte realizado no imóvel em quase um século. Embora a obra ainda esteja em andamento, parte da aparência anterior do edifício já começou a ressurgir, especialmente nos ambientes internos e na fachada.

Pinturas históricas apareceram sob revestimentos recentes

A descoberta não ocorreu em um único ponto do edifício. Conforme as superfícies eram examinadas, os profissionais identificavam composições decorativas que haviam desaparecido sob revestimentos mais novos.

Antigos espaços destinados ao bar e ao salão de jogos apresentaram padrões ligados ao estilo eclético. As cores e os desenhos ajudam a reconstruir a aparência que esses ambientes possuíam quando o palacete ainda funcionava como residência.

O trabalho exigiu a retirada cuidadosa das camadas superiores. Cada trecho precisou ser analisado antes de qualquer intervenção, pois uma remoção inadequada poderia atingir justamente a decoração que se pretende preservar.

Reforma do Parque Lage revela pinturas históricas, detalhes dourados e decorações escondidas nas paredes do palacete construído na década de 1920.
Reforma do Parque Lage revela pinturas históricas, detalhes dourados e decorações escondidas nas paredes do palacete construído na década de 1920. Fonte: Reprodução/RJ2.

Quarto de Gabriela Besanzoni guardava céu estrelado

Uma das revelações mais marcantes ocorreu em um quarto associado à cantora lírica Gabriela Besanzoni. Sob a tinta aplicada posteriormente, apareceu uma decoração composta por diferentes tonalidades de azul.

Estrelas de tamanhos variados ocupam o ambiente e criam uma atmosfera diferente daquela encontrada nas áreas sociais. A composição indica que cada parte da residência recebeu tratamento visual próprio.

Camila Terra, responsável pela gestão da restauração, explicou que o quarto combina estrelas grandes e pequenas sobre uma base azulada. O espaço se tornou um dos exemplos mais expressivos das surpresas encontradas durante a reforma do Parque Lage.

O salão principal também passou por uma transformação. Elementos dourados, encobertos ou enfraquecidos pelo tempo, voltaram a aparecer durante o tratamento das superfícies.

Esses detalhes ajudam a mostrar o padrão decorativo adotado no palacete durante sua construção. A recuperação não busca criar uma aparência nova, mas permitir que características originais voltem a ser percebidas.

A combinação entre dourados, pinturas murais e diferentes acabamentos revela o nível de cuidado aplicado aos interiores. O conjunto também reforça a importância da residência dentro da história arquitetônica do parque.

Limpeza foi o ponto de partida da restauração

Antes de procurar desenhos ou recuperar ornamentos, a equipe iniciou uma etapa básica de higienização. Água e sabão foram utilizados para retirar sujeira acumulada e permitir uma avaliação mais precisa das superfícies.

Leandro Fosse, coordenador dos trabalhos de cantaria e argamassa, destacou que a limpeza é o primeiro procedimento adotado pela equipe. Somente depois dessa preparação é possível identificar danos, materiais antigos e intervenções realizadas em outras épocas.

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Esse processo demonstra que a reforma do Parque Lage não depende apenas de grandes obras estruturais. A recuperação também envolve ações delicadas, executadas lentamente e com atenção às características de cada parede.

Parte do material descoberto apresenta perdas que não serão corrigidas completamente. Em alguns painéis, a decisão é conservar o estado atual em vez de tentar reproduzir aquilo que já desapareceu. A escolha permite que visitantes reconheçam os efeitos do tempo sobre o prédio. Rachaduras, áreas desgastadas e trechos incompletos também contam a história das mudanças enfrentadas pelo imóvel.

A restauradora Alice Medina explicou que as marcas deixadas ao longo dos anos fazem parte do valor histórico do edifício. Assim, preservar determinados danos pode ser tão importante quanto recuperar cores e desenhos.

Reforma do Parque Lage prepara retorno da escola

A previsão é concluir os trabalhos até o final de 2026. Depois disso, o palacete deverá voltar a receber a Escola de Artes Visuais, que funciona temporariamente em outro endereço. O retorno permitirá que o edifício retome uma de suas funções culturais mais conhecidas. Ao mesmo tempo, alunos, professores e visitantes passarão a conviver com elementos históricos que permaneceram escondidos durante décadas.

A reforma do Parque Lage procura conciliar o uso contemporâneo do espaço com a preservação do patrimônio. O desafio é adaptar o prédio sem eliminar características acumuladas desde sua construção. A história do local começou muito antes da residência atual. Durante o período colonial, a área abrigou uma propriedade ligada à produção de cana-de-açúcar.

Reforma do Parque Lage revela pinturas históricas, detalhes dourados e decorações escondidas nas paredes do palacete construído na década de 1920.
Reforma do Parque Lage revela pinturas históricas, detalhes dourados e decorações escondidas nas paredes do palacete construído na década de 1920. Fonte: Reprodução/RJ2.

No século XIX, o terreno passou por mudanças e assumiu características de parque. Já nos anos 1920, Henrique Lage determinou a construção do palacete que se tornaria o principal marco arquitetônico do conjunto. Gabriela Besanzoni também viveu no imóvel. A presença da cantora está ligada a alguns dos ambientes agora investigados pelos restauradores, incluindo o quarto decorado com estrelas.

Principais descobertas feitas no palacete

Entre os elementos identificados durante a intervenção estão:

  • pinturas originais em paredes internas;
  • padrões decorativos nos antigos bar e salão de jogos;
  • estrelas de diferentes tamanhos no quarto de Gabriela Besanzoni;
  • variações de azul aplicadas nesse ambiente;
  • ornamentos dourados no salão nobre;
  • revestimentos ligados ao estilo eclético;
  • trechos danificados que serão mantidos como registro histórico.

Esses achados não estavam visíveis antes do início da obra. A remoção gradual dos revestimentos permitiu reconhecer diferentes fases da decoração interna.

Parque Lage reúne patrimônio, arte e turismo

Além de abrigar atividades culturais, o espaço está entre os pontos mais visitados do Rio de Janeiro. Seus jardins e sua arquitetura também são utilizados como cenário em produções audiovisuais.

A restauração amplia o interesse sobre áreas que normalmente recebiam menos atenção do público. As pinturas internas passam a integrar a narrativa histórica do lugar ao lado da fachada, do pátio e da paisagem ao redor.

Com a conclusão da reforma do Parque Lage, o palacete deverá reabrir apresentando uma leitura mais completa de seu passado. Em vez de esconder todas as marcas, o projeto permitirá que cores recuperadas e sinais de envelhecimento permaneçam lado a lado.

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As descobertas mostram que a aparência conhecida nas últimas décadas não correspondia integralmente ao projeto original. Sob superfícies aparentemente simples, permaneciam vestígios de ambientes elaborados e personalizados.

O trabalho dos restauradores devolve visibilidade a essa decoração sem apagar os efeitos provocados pelo tempo. A proposta transforma cada parede em um registro das diferentes fases vividas pelo palacete.

Com informações do g1

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Andriely Medeiros de Araújo

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