Aplicação de olivina em Duck, na Carolina do Norte, buscou conter a erosão costeira e avaliar, durante três anos, o potencial de retirar 5 mil toneladas de CO₂ da atmosfera com monitoramento científico independente previsto
Cerca de 8.200 toneladas métricas de areia verde começaram a ser depositadas no mar de Duck, na Carolina do Norte, em 17 de julho de 2024. O projeto buscava reforçar a praia contra a erosão e testar a remoção gradual de aproximadamente 5.000 toneladas de dióxido de carbono da atmosfera.

Areia verde foi usada para proteger a costa de Duck
A iniciativa foi conduzida pela Vesta, empresa norte-americana que desenvolve tecnologias de remoção de carbono associadas à proteção de regiões costeiras.
A areia verde utilizada no projeto contém olivina, um mineral abundante na natureza que apresenta coloração esverdeada e se dissolve gradualmente quando entra em contato com a água do mar.
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O material foi aplicado nas águas costeiras de Duck como parte da chamada Captura Costeira de Carbono.
A tecnologia pretende acelerar um processo natural capaz de ampliar a absorção de dióxido de carbono pelo oceano.
Durante a dissolução, a olivina pode aumentar a alcalinidade da água, reduzir parte da acidez marinha e ampliar a capacidade do oceano de absorver e armazenar CO₂.
O processo não ocorre imediatamente. Sua velocidade e eficiência dependem das condições ambientais, do comportamento do mineral no ambiente costeiro e das reações químicas provocadas ao longo do tempo.
Além do potencial climático, a areia foi apresentada como uma forma de repor sedimentos retirados pela erosão. A proposta também buscava diminuir os custos de futuros projetos de proteção da praia.

Projeto estimava remover 5 mil toneladas de CO₂
Quando anunciou a aplicação, a Vesta estimou que o projeto poderia retirar aproximadamente 5.000 toneladas métricas de dióxido de carbono, já descontadas as emissões relacionadas à execução do próprio teste.
Esse número representava uma estimativa de remoção futura. O volume não havia sido retirado da atmosfera no momento em que as 8.200 toneladas de areia verde começaram a ser depositadas.
A captura deveria ocorrer gradualmente, enquanto a olivina se dissolvesse e reagisse com a água do mar. Por isso, o acompanhamento científico foi planejado para durar três anos.
Na época, a Vesta classificou a iniciativa como um dos maiores testes operacionais de remoção permanente de carbono desenvolvidos até então.
Tom Green, cofundador e CEO da empresa, afirmou que o projeto colocava Duck na linha de frente do desenvolvimento de uma tecnologia que poderia reunir proteção costeira e enfrentamento das mudanças climáticas.
A companhia também declarou que pretendia reduzir o custo da remoção de carbono para menos de US$ 100 por tonelada até o final da década.
Esse valor era uma meta empresarial. Ele não correspondia a um custo já comprovado pelo projeto realizado na Carolina do Norte.

Autorizações ambientais e participação da comunidade
A aplicação da areia verde recebeu autorização do Departamento de Qualidade Ambiental da Carolina do Norte e do Corpo de Engenheiros do Exército dos Estados Unidos.
Segundo a Vesta, moradores e representantes da comunidade de Duck foram consultados desde as primeiras etapas de planejamento.
A Coastal Protection Engineering participou do desenvolvimento, do licenciamento e da execução do projeto.
A plataforma Alcove ficou responsável pelo gerenciamento dos dados usados na medição, nos relatórios e na verificação do carbono potencialmente removido.
Entre os investidores estava a organização sem fins lucrativos Elemental Excelerator, que apoiou o desenvolvimento da iniciativa e as ações de diálogo com a população local.
A organização também financiou uma pesquisa sobre a percepção dos moradores em relação às tecnologias de remoção de carbono.
O estudo envolveu a East Carolina University e o Instituto de Estudos Costeiros da Universidade da Carolina do Norte.
Monitoramento avaliaria água, ecossistema e carbono
O programa independente de acompanhamento ficou sob liderança da Hourglass Climate, com participação de pesquisadores do Coastal Studies Institute e da Universidade da Carolina do Norte em Wilmington.
O trabalho foi planejado para analisar a qualidade da água, possíveis efeitos ecológicos, a dissolução da olivina e a quantidade de dióxido de carbono efetivamente retirada da atmosfera.
A expectativa apresentada no lançamento era que os resultados fossem publicados em periódicos científicos revisados por especialistas e também disponibilizados ao público.
O acompanhamento seria necessário para verificar se a tecnologia conseguiria produzir os benefícios previstos sem provocar impactos ambientais relevantes.
O projeto de Duck surgiu durante o crescimento do interesse por tecnologias marinhas de remoção de carbono.
Antes do teste, mais de 400 cientistas haviam defendido experimentos de campo responsáveis, transparentes e submetidos a avaliações independentes.
O governo dos Estados Unidos também havia ampliado a atenção ao tema. A Casa Branca criou um comitê dedicado à remoção marinha de CO₂, enquanto órgãos federais firmaram um memorando para coordenar pesquisas na área.
Fundada em 2019, a Vesta já desenvolvia estudos sobre a segurança e a eficiência da olivina. Em 2024, a empresa também mantinha um projeto-piloto em Southampton, no estado de Nova York.
Assim, a aplicação realizada em Duck marcou o começo de um experimento de longo prazo. As 5.000 toneladas de CO₂ correspondiam ao potencial estimado, que ainda dependeria dos resultados obtidos durante o monitoramento científico.
Esta matéria foi elaborada com base nas informações fornecidas sobre o projeto da Vesta em Duck, com dados, números e declarações preservados conforme o material consultado.
