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Embrapa realiza estudo para transformar agave, planta usada na produção da tequila, em etanol

Escrito por Ruth Rodrigues
Publicado em 31/08/2025 às 12:06
Pesquisa da Embrapa transforma a planta agave, conhecida pela tequila, em alternativa para etanol e bioenergia no Semiárido brasileiro.
Pesquisa da Embrapa transforma a planta agave, conhecida pela tequila, em alternativa para etanol e bioenergia no Semiárido brasileiro.
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Pesquisa da Embrapa transforma a planta agave, conhecida pela tequila, em alternativa para etanol e bioenergia no Semiárido brasileiro.

A Embrapa, em parceria com a empresa Santa Anna Bioenergia, iniciou um estudo inovador para transformar a planta agave em fonte de etanol e energia renovável no Brasil.

A pesquisa, que acontece no Semiárido nordestino, prevê cinco anos de duração e busca adaptar a Agave tequilana, espécie usada para a produção da tequila no México, às condições brasileiras.

O objetivo é diversificar a matriz energética nacional, fortalecer a bioeconomia e gerar alternativas sustentáveis para agricultores da região.

Por que a planta da agave pode revolucionar a produção de etanol no Brasil?

A agave, conhecido mundialmente pela tequila, ganhou protagonismo por suas características únicas.

Diferente da cana-de-açúcar, seu ciclo é mais longo, mas a planta se adapta com facilidade ao clima seco, armazenando água nas folhas e resistindo a períodos prolongados de estiagem.

Outro ponto de destaque é o processo de fotossíntese: a agave abre seus poros durante a noite, quando a perda de água é menor. Isso garante maior eficiência hídrica, um diferencial valioso para o Semiárido.

Por essas razões, a Embrapa aposta no potencial da planta para ampliar a produção de etanol sem competir com culturas agrícolas tradicionais.

Agave no Brasil: de ração a biocombustível

Embora a planta agave seja famosa pela tequila, no Brasil ela já desempenha outros papéis.

Além da produção de etanol, pode contribuir para o sequestro de carbono e ainda servir como fonte de alimentação para animais ruminantes.

Pesquisadores da Embrapa Algodão afirmam que os resíduos do processo de produção de etanol podem ser aproveitados como forragem. Isso é especialmente útil em épocas de seca, quando há escassez de pasto no Semiárido.

Dessa forma, a pesquisa integra sustentabilidade econômica, ambiental e social, ampliando as formas de uso da planta.

Importância da pesquisa da Embrapa na economia do Nordeste

O Brasil é líder mundial na produção de Agave sisalana, espécie usada para fabricar cordas, tapetes e outros produtos.

Em 2023, o país produziu 95 mil toneladas de fibra, segundo o IBGE, sendo 95% concentradas na Bahia.

No chamado Território do Sisal, essa cultura é uma das principais fontes de renda da população. A Paraíba ocupa o segundo lugar no ranking nacional, com cinco mil hectares dedicados à produção.

Entretanto, apenas 4% da biomassa da folha é aproveitada no processo industrial.

A expectativa da Embrapa é ampliar esse uso, aumentando a rentabilidade da atividade e diversificando o destino da planta.

O impacto social da pesquisa da Embrapa com agave

Segundo Tarcísio Gondim, pesquisador da Embrapa Algodão, a inovação tecnológica associada ao agave pode reduzir desigualdades regionais e melhorar as condições de vida no Nordeste.

Isso porque a cultura do sisal enfrenta precarização e queda de renda para muitas famílias.

Com o desenvolvimento de técnicas para transformar a planta agave em etanol e outros produtos, espera-se gerar novas oportunidades econômicas, além de valorizar a agricultura familiar no Semiárido.

Como a pesquisa está sendo conduzida?

O projeto da Embrapa prevê a implantação de Unidades de Referência Tecnológica (URTs) em diferentes localidades.

A primeira já está em fase de instalação em Jacobina, na Bahia. Outras duas URTs serão implantadas em Alagoinha e Monteiro, na Paraíba.

No total, 1.800 mudas de Agave tequilana Weber var. Azul, importadas do México, estão sendo avaliadas. Elas passaram por quarentena antes de serem plantadas, garantindo a segurança do material genético.

Além do plantio experimental, pesquisadores realizam estudos sobre manejo, fertilidade do solo, mecanização e aproveitamento integral da biomassa.

Apesar do grande potencial, ainda há desafios para consolidar a produção de etanol a partir da planta agave no Brasil.

Entre eles estão a padronização das cultivares, o desenvolvimento de técnicas de cultivo adaptadas ao Semiárido e a mecanização da colheita.

O ciclo do agave pode chegar a cinco anos, mas, segundo os pesquisadores, o escalonamento do plantio garante oferta contínua de biomassa.

Assim, será possível viabilizar economicamente a produção e competir no mercado de bioenergia.

Parceria internacional com o México

No primeiro semestre de 2025, uma missão técnica da Embrapa visitou o México para estreitar parcerias em torno do uso da agave.

O objetivo é aprender com a experiência mexicana no cultivo da planta usada na tequila e aplicar esse conhecimento em projetos voltados ao etanol, sequestro de carbono e alimentação animal.

Essa colaboração internacional pode acelerar os avanços científicos e tecnológicos no Brasil, tornando o Semiárido um polo estratégico de bioenergia.

A iniciativa da Embrapa mostra como a planta agave pode ir muito além da tequila e se transformar em um pilar da transição energética no Brasil.

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Ruth Rodrigues

Formada em Ciências Biológicas pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), atua como redatora e divulgadora científica.

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