Com área planejada de 9,3 milhões de metros quadrados, a Terafab reúne chips, inteligência artificial, robótica e projetos espaciais em um empreendimento bilionário que pode alterar a escala da indústria de semicondutores no Texas.
Há fábricas que impressionam pela altura das chaminés ou pelo número de funcionários.
A Terafab chama atenção por outra medida: mais de 100 milhões de pés quadrados de área planejada, equivalentes a aproximadamente 9,29 milhões de metros quadrados.
A SpaceX confirmou em 6 de agosto de 2026 que iniciou o projeto no condado de Grimes, no Texas, enquanto o governo estadual anunciou investimento superior a US$ 16,8 bilhões somente na primeira fase e expectativa de criação de 3 mil empregos.
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Na conversão para a moeda brasileira, o montante fica na faixa de R$ 86 bilhões a R$ 87 bilhões, dependendo da cotação utilizada.
Se as dimensões divulgadas forem efetivamente construídas, a Terafab poderá assumir o posto de maior edifício do mundo quando o critério considerado for área construída, superando com ampla margem os atuais gigantes arquitetônicos.
Elon Musk foi ainda mais longe ao apresentar a ambição do empreendimento.
Em publicação no X reproduzida pela Architectural Digest, afirmou que a Terafab deverá ser o “maior e mais valioso edifício da Terra” e disse que a proposta estética busca algo semelhante a uma cidade de ficção científica.
Terafab terá cerca de 9,3 milhões de metros quadrados
Os 100 milhões de pés quadrados anunciados correspondem a 9.290.304 metros quadrados.
A comparação ajuda a revelar a dimensão do projeto.
O New Century Global Center, em Chengdu, na China, aparece em levantamentos atuais como o maior edifício do mundo por área construída, com aproximadamente 18,9 milhões de pés quadrados, ou cerca de 1,76 milhão de metros quadrados.
Isso significa que, se atingir os 100 milhões de pés quadrados anunciados, a Terafab terá mais de cinco vezes a área do complexo chinês.
Há, porém, diferentes maneiras de definir qual é o maior edifício do planeta.
Por volume interno, por exemplo, o Guinness World Records reconhece a fábrica da Boeing em Everett, no estado de Washington, como recordista, com cerca de 13,4 milhões de metros cúbicos.
No caso da Terafab, o superlativo divulgado por Musk está relacionado principalmente à área total planejada, e não à altura ou ao volume.

Fábrica de chips reunirá várias etapas da produção
O tamanho não será destinado a uma linha industrial única.
A proposta oficial da Terafab é colocar no mesmo complexo atividades de produção de chips de lógica, memória e empacotamento avançado.
O governo do Texas afirma que a unidade será verticalmente integrada, reunindo diferentes partes da cadeia de semicondutores sob o mesmo teto.
Segundo a Reuters, a estrutura também deverá realizar fabricação, empacotamento e testes de chips avançados.
A página oficial do projeto resume a ideia como uma fábrica de semicondutores preparada para fornecer componentes destinados tanto a aplicações na Terra quanto a sistemas espaciais.
O objetivo é reduzir a dependência de uma cadeia em que diferentes fases da fabricação normalmente ficam distribuídas entre companhias e instalações distintas.
Para Tesla, SpaceX e xAI, a Terafab deverá funcionar como uma fonte própria de componentes considerados essenciais para a expansão de seus projetos de inteligência artificial.
Chips da Terafab deverão abastecer carros, robôs e projetos espaciais
Durante a apresentação inicial da iniciativa, em março de 2026, Musk explicou que a Terafab seria tecnicamente dividida em duas grandes fábricas especializadas.
Uma delas produziria chips voltados a veículos da Tesla e aos robôs humanoides Optimus.
A outra teria como foco processadores capazes de trabalhar em sistemas de inteligência artificial instalados no espaço.
A documentação mais recente também relaciona a futura produção ao Optimus, aos Cybercabs da Tesla e aos centros de processamento de dados espaciais da SpaceX.
No site da Terafab, aparecem ainda chips identificados como AI5 e AI6, ligados aos sistemas da Tesla, além do D3, apresentado para aplicações espaciais.
Não significa que todos esses projetos já estejam produzindo nas escalas apresentadas.
A instalação ainda precisa ser construída e alcançar as capacidades previstas.
Meta anunciada chega a 1 terawatt de capacidade computacional por ano
Uma das metas mais ambiciosas divulgadas para a Terafab é produzir chips suficientes para representar mais de 1 terawatt de capacidade computacional por ano.
A própria página oficial compara esse objetivo a aproximadamente 0,5 terawatt de consumo anual utilizado como referência para os Estados Unidos em sua apresentação.
Em março, Musk afirmou que a capacidade disponível atualmente entre fabricantes de semicondutores não seria suficiente para acompanhar as necessidades futuras de suas empresas.
Ele citou fornecedores como Samsung, TSMC e Micron, mas argumentou que Tesla, SpaceX e xAI precisariam criar capacidade adicional própria.
A afirmação faz parte da projeção do empresário para uma demanda futura muito maior por inteligência artificial, robótica, veículos autônomos e processamento espacial.
Ainda não existe produção da Terafab em escala comercial que permita comparar a meta de 1 terawatt com resultados efetivamente alcançados.
Intel entrou no projeto de semicondutores da Terafab
A iniciativa ganhou outro participante importante em abril.
A Intel anunciou que participaria do projeto Terafab, numa parceria relacionada à fabricação dos processadores planejados pelas companhias de Musk.
Segundo a Reuters, a colaboração foi apresentada como uma forma de acelerar o objetivo de produzir chips em escala suficiente para os projetos de robótica e centros de dados.
Ainda naquele mês, Musk informou que a Tesla pretendia utilizar o processo de fabricação 14A da Intel na Terafab.
A parceria colocou uma das fabricantes mais tradicionais de semicondutores dos Estados Unidos dentro de um projeto que busca justamente ampliar a capacidade americana de fabricação avançada.
Mesmo assim, detalhes sobre divisão exata de responsabilidades, ritmo de produção e cronograma completo ainda não foram divulgados de maneira suficiente para determinar como todas as etapas funcionarão quando o complexo estiver operacional.
Projeto da Terafab ganhou endereço em Grimes County
A Terafab começou a ganhar forma pública em 21 de março de 2026, quando Musk apresentou o conceito no Texas.
No dia seguinte, explicou que SpaceX e Tesla planejavam duas fábricas avançadas de chips dentro da iniciativa.
Naquele momento, as informações iniciais apontavam Austin como referência do projeto.
Em abril, a Tesla iniciou trabalhos em uma instalação de pesquisa no North Campus da Gigafactory Texas, descrita posteriormente pela Reuters como precursora da Terafab.
A localização do grande complexo industrial foi confirmada meses depois.
Em 6 de agosto de 2026, SpaceX e o governo do Texas anunciaram oficialmente que a Terafab seria construída no condado de Grimes, região situada entre Houston e College Station.
O empreendimento ficará próximo ao reservatório de Gibbons Creek.
Segundo a Reuters, as empresas planejam utilizar água do reservatório nas operações industriais em vez de depender diretamente das reservas subterrâneas locais.

Primeira fase da Terafab supera US$ 16,8 bilhões
O governo do Texas informou que a primeira fase representa investimento superior a US$ 16,8 bilhões e deverá gerar 3 mil postos de trabalho.
O estado concedeu ainda à SpaceX um incentivo de US$ 30 milhões pelo Texas Enterprise Fund.
O projeto também foi enquadrado no programa estadual Jobs, Energy, Technology and Innovation, conhecido pela sigla JETI.
Há números maiores associados às fases futuras.
Um documento apresentado em maio e citado pela Reuters indicava uma proposta de investimento de US$ 55 bilhões, com possibilidade de chegar a US$ 119 bilhões caso etapas adicionais fossem realizadas.
Esses valores não devem ser confundidos com os US$ 16,8 bilhões anunciados oficialmente pelo governo texano para a primeira fase específica confirmada em agosto.
O custo final dependerá da execução e da quantidade de expansões que efetivamente saírem do papel.

