Myriah Chambless trabalhou por três anos na cafeteria de Pantex, enfrentou a interrupção dos estudos, criou a filha enquanto mantinha dois empregos e retornou ao mesmo complexo após concluir engenharia mecânica. Sua trajetória mostra como auxílio financeiro, educação e persistência mudaram o futuro de uma família.
Durante três anos, Myriah Chambless entrou em Pantex para servir refeições e recolher bandejas. Anos depois, ela atravessou novamente os portões da instalação norte americana, mas dessa vez levava um diploma de engenharia mecânica e uma proposta para ocupar uma função técnica.
Entre uma entrada e outra, Myriah ficou sem emprego, passou cerca de dois anos impedida de receber auxílio financeiro, voltou à faculdade, criou a filha e precisou trabalhar como caixa e tutora para sustentar a casa. Ao mesmo tempo, manteve engenharia em tempo integral.
A história foi publicada pela West Texas A&M University, universidade pública responsável pela formação e pela publicação. Myriah concluiu a graduação em 15 de dezembro de 2018 e tinha início no novo trabalho previsto para meados de janeiro de 2019.
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O sonho de trabalhar com engenharia começou ainda na escola
Myriah decidiu que queria ser engenheira durante o sétimo ano escolar. Uma apresentação sobre as diferentes áreas da profissão mostrou quais atividades os engenheiros realizavam e quais oportunidades poderiam encontrar.
A ideia permaneceu com ela durante os anos seguintes. Myriah tinha bom desempenho acadêmico, participava de diferentes atividades escolares e tocava quatro instrumentos na banda e na orquestra.
Ela concluiu o ensino médio em 2009, na posição 27 de sua turma. A expectativa era seguir diretamente para a faculdade e terminar a graduação aos 22 anos, mas problemas familiares e financeiros mudaram completamente esse caminho.

Aos 17 anos, Myriah deixou a casa dos pais e passou a morar com a avó, Rosa Perez. Embora ainda enfrentasse dificuldades pessoais, continuou enxergando a educação como a principal possibilidade de construir uma vida diferente.
A falta de moradia interrompeu a faculdade e suspendeu o auxílio financeiro
Como não tinha dinheiro suficiente para custear os estudos, Myriah mudou para Austin e passou a morar com uma tia. Ela ingressou no Austin Community College e conseguiu notas A e B nas disciplinas.
A convivência, porém, foi interrompida antes do fim do semestre. Em 2010, Myriah ficou sem lugar para morar e precisou retornar para Amarillo, abandonando a faculdade naquele momento.
A saída durante o semestre provocou a suspensão do auxílio financeiro por cerca de dois anos. Sem esse recurso, ela não tinha condições de continuar pagando a formação.
O problema mostra como a interrupção de um curso pode ir muito além da sala de aula. Myriah não havia desistido da engenharia, mas precisava de moradia, renda e acesso novamente ao apoio financeiro antes de tentar recomeçar.
A primeira oportunidade em Pantex surgiu na cafeteria
Enquanto estava afastada da faculdade, Myriah precisava encontrar trabalho. Uma amiga contou que havia uma oportunidade na cafeteria de Pantex, e ela conseguiu a vaga.
Pantex é uma instalação governamental dos Estados Unidos ligada à montagem e à desmontagem de armas nucleares. Myriah, no entanto, trabalhava no serviço de alimentação, sem atuação técnica relacionada aos armamentos.
Durante três anos, ela serviu refeições aos funcionários do complexo. Seu comportamento alegre lhe rendeu o apelido de “Senhora Feliz”, pois costumava manter um sorriso constante durante o expediente.
O emprego terminou após reclamações de colegas que a acusaram de intimidação. Myriah contestou essas queixas e afirmou que as acusações não eram verdadeiras. Portanto, elas não podem ser apresentadas como fatos comprovados.
A demissão trouxe insegurança, mas também abriu espaço para uma mudança importante. As aulas necessárias para retomar sua formação aconteciam pela manhã, justamente no horário em que ela não poderia estudar caso continuasse trabalhando na cafeteria.
O retorno aos estudos aconteceu em meio à maternidade e às dificuldades financeiras
Quando voltou a ter acesso ao auxílio financeiro, Myriah retomou os estudos no Amarillo College. Ela concluiu essa primeira etapa em dezembro de 2015 e ingressou imediatamente na West Texas A&M University.
O curso escolhido foi engenharia mecânica. A formação exigia dedicação em tempo integral, mas Myriah já era mãe de Rosalia e precisava ajudar a sustentar a família.
Richie Chambless, seu companheiro, sofreu uma grave fratura no tornozelo durante um acidente. Infecções posteriores exigiram três cirurgias, enquanto a perda do emprego e a recuperação o impediram de retornar rapidamente ao trabalho.
Myriah passou a conciliar diferentes responsabilidades. Durante três anos, trabalhou em tempo integral como caixa no Grand Discount, em Amarillo, também atuou como tutora, frequentou a universidade e cuidou da filha.
A rotina reunia dois trabalhos, maternidade e engenharia em período integral. Uma das maiores dificuldades foi perder momentos do crescimento da filha, pois quase todo o seu tempo estava dividido entre aulas, tarefas e trabalho.
Uma feira de carreiras abriu o caminho de volta para Pantex
No primeiro semestre de 2018, Myriah participou de uma feira de carreiras na universidade. Como integrante da direção de grupos de engenharia mecânica e civil, ela pretendia convidar um representante de Pantex para conversar com outros estudantes.
O convite para a palestra não avançou, mas aquele contato produziu outro resultado. Três dias depois, Myriah recebeu uma ligação de Pantex para participar de uma entrevista de emprego.

O processo teve quatro entrevistas. Em abril de 2018, antes mesmo de concluir a graduação, ela recebeu uma proposta para trabalhar no complexo.
A West Texas A&M University, universidade pública responsável pela formação e pela publicação identificou a função oferecida como engenheira associada de núcleo. A fonte não detalha as atividades exercidas nem afirma que Myriah manipulava armas nucleares.
A contratação deve ser entendida como o ingresso em uma função técnica de engenharia dentro de Pantex. Não há base para ampliar suas responsabilidades ou atribuir a ela contato direto com armamentos.
O diploma mudou sua posição dentro do mesmo complexo
Myriah concluiu engenharia mecânica em 15 de dezembro de 2018. Cerca de um mês depois, retornaria à instalação onde havia trabalhado servindo refeições, agora para iniciar uma carreira compatível com sua formação.
Na época da formatura, ela já era mãe de uma menina e esperava o segundo filho. Também havia se casado com Richie em setembro de 2018, quando os dois completaram 11 anos desde que se conheceram.
A nova oportunidade trouxe uma mudança financeira importante. Depois de anos vivendo com a preocupação de não ter dinheiro suficiente para a semana seguinte, a família passaria a contar com uma renda ligada à profissão conquistada por Myriah.
Sua trajetória não foi resultado de uma única decisão. Auxílio financeiro, acesso à faculdade, trabalho e apoio familiar foram partes fundamentais do processo. Sem esses elementos, a persistência individual poderia não ter sido suficiente.
Ela começou em Pantex atrás do balcão de uma cafeteria, perdeu o emprego e passou por anos de instabilidade. O retorno como engenheira mostrou o tamanho da transformação construída entre trabalho, maternidade e educação.
Se uma mãe precisa manter dois empregos enquanto cursa engenharia em tempo integral, até onde a conquista depende apenas de esforço pessoal e quanto depende do apoio oferecido pela sociedade?
