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Dos motores antigos aos carros elétricos: lubrificantes automotivos acompanham 70 anos da indústria brasileira, evoluem em eficiência, proteção contra desgaste e controle de emissões

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Escrito por Viviane Alves Publicado em 23/10/2026 às 16:28 Atualizado em 23/10/2026 às 16:50
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Linha de montagem da indústria automotiva com trabalhadores instalando motores em veículos, destacando a importância dos lubrificantes automotivos.
Trabalhadores atuam na montagem de motores em uma fábrica de automóveis, setor que passou por mudanças tecnológicas desde 1956 e ampliou as exigências de eficiência, proteção mecânica e lubrificação.
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Brasil deve consumir 1,5 bilhão de litros de lubrificantes em 2026, enquanto fabricantes enfrentam novas exigências técnicas e uma frota com milhões de veículos a combustão

Em 2026, a indústria automotiva brasileira completa 70 anos desde a criação do Grupo Executivo da Indústria Automobilística (GEIA), em 1956. Nesse período, os lubrificantes automotivos deixaram de cumprir funções concentradas na proteção de peças mecânicas e passaram a desempenhar um papel importante na eficiência, durabilidade e desempenho dos motores. A evolução acompanhou a instalação de montadoras, o crescimento da frota e o desenvolvimento de tecnologias cada vez mais exigentes.

O tamanho desse mercado ajuda a dimensionar sua importância. Segundo levantamento da Mordor Intelligence, o Brasil é o maior consumidor de lubrificantes acabados da América do Sul, com projeção de 1,5 bilhão de litros em 2026. Ao mesmo tempo, a eletrificação dos veículos exige novos fluidos, enquanto milhões de automóveis tradicionais continuam dependendo de trocas periódicas de óleo e manutenção mecânica.

Criação do GEIA em 1956 impulsionou a fabricação de veículos e aumentou a demanda por óleos lubrificantes

A expansão da indústria automobilística brasileira ganhou força em 1956, quando o governo criou o GEIA para estimular a produção nacional de veículos e componentes. Naquele período, os motores apresentavam características diferentes das tecnologias atuais, e os lubrificantes tinham como principais funções reduzir o atrito, proteger peças contra corrosão e controlar o desgaste mecânico.

O crescimento das montadoras ampliou a necessidade desses produtos. Conforme a Nota Técnica nº 41/2013 da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a frota brasileira alcançava aproximadamente 310 mil veículos em 1960. Com mais automóveis nas ruas, oficinas, postos de serviço e lojas de autopeças também passaram a atender uma demanda crescente por manutenção.

Em 1970, a Resolução CNP nº 8 estabeleceu exigências de registro e apresentação das especificações físico-químicas dos lubrificantes acabados. A regulamentação acompanhou a expansão do mercado e o aumento da variedade de produtos disponíveis aos consumidores.

Controle de emissões a partir de 1986 aumentou as exigências sobre motores e formulações de lubrificantes

A década de 1980 trouxe novas preocupações para a indústria automotiva. Os fabricantes buscavam motores mais eficientes, capazes de oferecer maior desempenho e atender às exigências ambientais. Esse movimento também alterou as características necessárias aos lubrificantes, que precisavam suportar temperaturas elevadas e condições de funcionamento mais severas.

Em 1986, o governo criou o Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve). Segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a iniciativa buscou reduzir emissões e incentivar melhorias tecnológicas nos veículos e combustíveis.

As mudanças favoreceram o desenvolvimento de formulações com aditivos destinados ao controle da oxidação, proteção contra desgaste e redução de depósitos nos motores. Durante os anos 1990, a abertura econômica ampliou a diversidade de veículos e tecnologias disponíveis no Brasil, aumentando a necessidade de produtos com especificações diferentes.

Esse processo levou à publicação da Portaria ANP nº 131, em 1999, que estabeleceu exigências de registro e níveis mínimos de desempenho para lubrificantes automotivos comercializados no país.

Crescimento do mercado automotivo nos anos 2000 tornou a escolha do lubrificante mais específica para cada motor

A expansão do mercado automobilístico brasileiro nos anos 2000 colocou veículos de diferentes origens, tecnologias e sistemas de transmissão em circulação. Com isso, um único tipo de lubrificante deixou de atender adequadamente às necessidades de toda a frota, exigindo maior atenção às recomendações das montadoras.

A viscosidade, o tipo de combustível, as condições de operação e o nível de desempenho passaram a influenciar diretamente a escolha do óleo. Em 2007, a Resolução ANP nº 10 elevou os requisitos mínimos de desempenho e atualizou os critérios de registro dos lubrificantes acabados.

Na década de 2010, a adoção de motores compactos, turboalimentação e sistemas de pós-tratamento de emissões ampliou essas exigências. Os fabricantes passaram a desenvolver formulações voltadas à estabilidade térmica, ao controle de depósitos e à eficiência energética, considerando as características específicas de cada motor.

Eletrificação dos veículos exige novos fluidos, mas frota brasileira ainda depende da manutenção tradicional

A partir de 2020, a eletrificação passou a representar um novo desafio para o setor de lubrificantes automotivos. Enquanto as montadoras avançam no desenvolvimento de veículos eletrificados, grande parte dos automóveis brasileiros continua utilizando motores a combustão e exigindo manutenção convencional.

Segundo o Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças), a idade média da frota circulante brasileira se aproximava de 11 anos em 2023. Esse cenário indica que a demanda por óleos de motor e outros fluidos tradicionais continuará presente durante os próximos anos.

Os veículos eletrificados, por sua vez, apresentam necessidades específicas de lubrificação e gerenciamento térmico. Componentes elétricos e sistemas de transmissão exigem produtos desenvolvidos para condições diferentes daquelas encontradas nos motores convencionais.

A indústria de lubrificantes precisa, portanto, atender simultaneamente a essas duas realidades. O desenvolvimento de novos fluidos acompanha a eletrificação, enquanto o aperfeiçoamento dos óleos tradicionais continua necessário para proteger os motores que permanecem em circulação.

Setenta anos de mudanças mostram como os lubrificantes acompanharam a evolução da indústria automotiva brasileira

Desde a criação do GEIA, em 1956, os lubrificantes acompanharam transformações na fabricação de veículos, no desempenho dos motores e nas exigências de controle de emissões. O produto que inicialmente tinha como prioridade reduzir o atrito entre peças passou a integrar soluções técnicas voltadas à eficiência e à durabilidade dos sistemas mecânicos.

O avanço da eletrificação acrescenta uma nova etapa a essa trajetória. Assim como ocorreu com a expansão das montadoras e o desenvolvimento de motores mais sofisticados, o mercado de lubrificantes terá de responder às necessidades das tecnologias que chegam às ruas brasileiras.

A história desses 70 anos mostra que a importância dos lubrificantes automotivos está diretamente relacionada à capacidade de acompanhar as mudanças da indústria, independentemente da tecnologia utilizada para movimentar os veículos.

Marcelo Martini, representante da FUCHS, aparece sentado em um sofá, vestindo camiseta da empresa especializada em lubrificantes automotivos e industriais.
Marcelo Martini é Gerente de Vendas do Aftermarket da FUCHS, maior fabricante independente de lubrificantes e produtos relacionados do mundo.
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Viviane Alves

Redatora com foco na produção de conteúdos estratégicos voltados para macro e microeconomia, geopolítica, mercado energético, setor automotivo e comércio global.

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