Aos 62 anos e depois de anos de menopausa, Mabel recorreu à reprodução assistida, atravessou uma gestação incomum e protagonizou em San Nicolás um nascimento que passou a ser tratado como recorde na Argentina.
Quando David nasceu na manhã de 12 de agosto de 2026, no Hospital San Felipe, em San Nicolás de los Arroyos, na Argentina, a idade da mãe transformou aquele parto em um caso incomum mesmo para a medicina reprodutiva.
Mabel tinha 62 anos, já havia passado pela menopausa havia anos e estava dando à luz seu primeiro filho.
O menino nasceu por cesariana, pesando 2,750 quilos, e permaneceu temporariamente na unidade de Neonatologia para observação.
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Nas primeiras horas depois do parto, a mãe afirmou que ele havia nascido saudável.
A gestação havia sido conseguida por meio de fertilização in vitro realizada em Rosario, com acompanhamento do médico Matías Colabianchi e utilização de óvulo de uma doadora jovem.
Depois de formado em laboratório, o embrião foi transferido para o útero de Mabel.
O caso passou a ser apresentado na imprensa argentina como um recorde nacional.
O Diario El Norte, veículo de San Nicolás que revelou a história, fez uma ressalva importante: não existe um registro oficial argentino destinado a identificar a mulher de maior idade a dar à luz, mas não foram encontrados antecedentes públicos de parto aos 62 anos ou mais no país.
Por esse critério, Mabel passou a ser considerada a mãe de maior idade conhecida nos registros públicos argentinos.
Primeiro filho chegou depois de anos de menopausa
A maternidade aos 62 anos não aconteceu depois de uma gravidez espontânea.
Mabel contou que havia entrado na menopausa muitos anos antes, mas continuava desejando ter um filho.
“Decidi ter um filho agora porque entrei na menopausa há muitos anos, mas sempre tive o desejo de ser mãe. Não desisti”, relatou ao Diario El Norte poucas horas depois do nascimento.
Segundo ela, durante muito tempo a maternidade permaneceu como um desejo que ainda não havia colocado em prática.
Até que decidiu procurar um centro de reprodução assistida em Rosario.
Foi nessa etapa que conheceu o médico Matías Colabianchi, especialista em medicina reprodutiva.
O tratamento precisaria levar em conta uma característica fundamental: depois da menopausa, Mabel não dispunha de óvulos próprios capazes de sustentar aquele projeto reprodutivo.
A alternativa encontrada foi a ovodoação.

Óvulo doado tornou a fertilização in vitro possível
Colabianchi confirmou depois do nascimento que o óvulo utilizado no procedimento pertencia a uma doadora jovem.
O médico explicou que, no caso de uma mulher de 62 anos, não se utiliza um óvulo produzido naquela idade para tentar formar o embrião.
Mabel também falou abertamente sobre essa parte do tratamento.
“Nunca houve nenhum obstáculo por causa da minha idade. O tratamento de fertilidade foi realizado e, obviamente, como na minha idade eu não tenho óvulos, tudo foi por ovodoação”, afirmou.
As fontes divulgadas até agora não informam se o espermatozoide utilizado na fertilização também veio de um doador.
Esse dado, portanto, permanece desconhecido.
Como funciona a fertilização in vitro após a menopausa
Na fertilização in vitro, a união entre óvulo e espermatozoide ocorre fora do organismo, em laboratório.
Depois da fecundação e do desenvolvimento inicial, um embrião pode ser transferido para o útero com o objetivo de estabelecer a gravidez.
O próprio governo argentino classifica a fertilização in vitro entre as técnicas de reprodução medicamente assistida de alta complexidade, justamente porque a fecundação ocorre fora do aparelho reprodutor feminino.
No caso de Mabel, a função do óvulo foi suprida pela doação.
Ela, por sua vez, passou pela preparação necessária para receber o embrião e sustentar a gestação.
Colabianchi afirmou que os exames realizados antes da transferência apresentaram resultados favoráveis e que o embrião foi estudado previamente com o objetivo de tornar o procedimento mais seguro.
A gravidez prosseguiu até agosto.
Gestação de Mabel transcorreu sem complicações
A idade colocou a gestação em uma situação médica pouco usual.
Mesmo assim, a obstetra Romina Ruffini, responsável pelo acompanhamento de Mabel, disse que não foram registradas complicações durante os meses de gravidez.
“Foi uma gravidez totalmente normal”, afirmou a médica ao Diario El Norte.
Segundo Ruffini, Mabel realizava os controles e exames pedidos pela equipe e manteve acompanhamento constante ao longo da gestação.
Colabianchi também afirmou que Mabel não apresentou problemas como pré-eclâmpsia, diabetes gestacional ou outras complicações que podem ter incidência maior conforme aumenta a idade materna.
O fato de essa gestação específica ter transcorrido sem intercorrências, entretanto, não significa que uma gravidez após os 60 anos apresente os mesmos riscos de uma gestação em idades mais baixas.
Gravidez em idade avançada exige avaliação médica cuidadosa
A própria regulamentação argentina sobre reprodução assistida cita o avanço da idade materna como um fator relacionado ao aumento de determinados riscos.
Entre eles estão pré-eclâmpsia, diabetes gestacional, complicações cardiovasculares, trombose e problemas maternos e neonatais.
A Resolução 1044/2018 do Ministério da Saúde argentino foi fundamentada justamente em evidências sobre redução da fertilidade e aumento de riscos conforme a idade avança.
Por isso, a experiência individual de Mabel não deve ser interpretada como indicação de que uma gravidez aos 62 anos seja simples ou apropriada para qualquer pessoa.
No caso dela, os médicos responsáveis afirmaram que avaliações anteriores ao tratamento apresentaram condições consideradas favoráveis.
Argentina estabelece limites para reprodução assistida
O caso também chama atenção por outro aspecto.
A informação atualmente disponibilizada pelo governo argentino estabelece que tratamentos de reprodução assistida com óvulos próprios sejam realizados até os 44 anos, salvo indicação médica em contrário.
Para tratamentos com óvulos doados, a Resolução 1044/2018 estabelece idade de até 51 anos.
Mabel tinha 62 quando realizou o tratamento que resultou no nascimento de David.
As reportagens divulgadas sobre o caso não explicam de que maneira o procedimento foi enquadrado diante desse limite etário previsto na regulamentação nacional.
Também não há, nas informações públicas localizadas, uma manifestação da autoridade sanitária argentina especificamente sobre esse ponto.
O tratamento foi realizado em um instituto de Rosario dirigido por Matías Colabianchi.
David nasceu por cesariana no Hospital San Felipe
A gestação terminou na manhã da quarta-feira, 12 de agosto de 2026.
Mabel foi submetida a uma cesariana no Hospital San Felipe, unidade localizada em San Nicolás, na província de Buenos Aires.
David nasceu pesando 2,750 quilos.

Nas primeiras horas, o recém-nascido ficou temporariamente na Neonatologia, enquanto a mãe se recuperava da cirurgia.
“Nascido hoje meu filho David, 2 quilos e 750. Estou ótima. Ainda não estou com ele porque ele foi um pouquinho para a Neo, mas é lindo, nasceu saudável e bem”, contou Mabel naquele dia.
Uma atualização publicada posteriormente informou que, após o período de observação, David já estava novamente ao lado da mãe, enquanto ela evoluía de forma favorável após a cesariana.
Mabel diz que sempre quis ser mãe
Depois do parto, uma das perguntas naturais era por que ela havia esperado até essa fase da vida.
A resposta dada por Mabel partiu de uma experiência pessoal.
Ela afirmou que o desejo de ter um filho nunca desapareceu, mesmo depois de a menopausa encerrar sua fase reprodutiva natural.
“Sou uma mulher de muita fé. Eu rezava, colocava minha melhor energia e sentia no coração que seria mãe. Até que um dia tomei a decisão e criei coragem”, contou.
A partir dessa decisão, buscou informação sobre reprodução assistida e marcou consulta em Rosario.
Segundo seu relato, o primeiro processo avançou bem, o embrião foi formado e a gravidez chegou ao fim sem as complicações que mais preocupavam a equipe.
“Tudo deu certo: o tratamento, a formação do embrião, tive uma gravidez maravilhosa e chegou David”, afirmou.
Nome pelo qual ficou conhecida não é o primeiro nome de registro
Nas primeiras notícias, a mãe foi apresentada simplesmente como Mabel.
Depois, ao conversar com o médico responsável pelo tratamento, o Diario El Norte informou que seu primeiro nome é Nélida Frías, embora Mabel tenha sido a forma utilizada publicamente desde a divulgação do nascimento.
A mulher vive em San Nicolás de los Arroyos, cidade situada na província de Buenos Aires.
Foi ali que escolheu realizar o parto, embora o tratamento de reprodução assistida tenha acontecido em Rosario, na província de Santa Fe.
Essa divisão entre as duas cidades marcou as diferentes etapas do processo: reprodução assistida em Rosario, acompanhamento obstétrico e nascimento em San Nicolás.
Recorde argentino se baseia em antecedentes públicos
A expressão “recorde” passou rapidamente a acompanhar a história de Mabel em diferentes veículos argentinos.
O Diario El Norte fez uma busca por casos anteriores e informou não ter encontrado nenhum nascimento publicamente documentado na Argentina em que a mãe tivesse 62 anos ou mais.
Isso não equivale, porém, a um recorde certificado por uma autoridade estatística ou sanitária.
Não existe no país, segundo a publicação, um banco oficial dedicado a classificar nascimentos pela maior idade da mulher no momento do parto.
Por isso, o caso de Mabel pode ser descrito com segurança como a maior idade conhecida e publicamente registrada para uma mulher que deu à luz na Argentina, de acordo com os antecedentes disponíveis até agosto de 2026.
Fora do país, há registros de maternidade em idades ainda maiores por meio de reprodução assistida.
O próprio caso de San Nicolás reacendeu essas comparações, inclusive com uma mulher que deu à luz aos 63 anos no Brasil em 2025.

