Criança virou centro de uma dúvida familiar após teste apontar parentesco com avós de peão morto e outro exame indicar paternidade do marido da mãe
Desde 2021, a morte do peão Amadeu Campos, de 22 anos, deixou uma marca profunda na vida dos pais, Flávio e Rosa. O jovem morreu após ser pisoteado por um touro durante uma competição de rodeio nos Estados Unidos, depois de ser levado ao hospital e não resistir aos ferimentos.
Antes do acidente, Amadeu havia contado aos pais que uma mulher no Brasil poderia estar grávida dele. A informação ficou guardada pela família até que, anos depois, Flávio e Rosa decidiram procurar respostas sobre a possível existência de um neto.
Primeiro exame de DNA apontou parentesco com a família do peão
A busca começou quando os pais de Amadeu procuraram a mãe da criança, que era casada com outro homem, chamado João. Mesmo com a situação delicada, eles decidiram pedir um exame de DNA para confirmar se havia ligação biológica com o menino.
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Cerca de 30 dias depois, o resultado indicou parentesco entre Flávio, Rosa e a criança, hoje com 4 anos. Para o casal, a notícia trouxe emoção, esperança e uma nova ligação com o filho que morreu.
A partir desse resultado, o menino passou a frequentar o rancho da família aos fins de semana. Segundo Rosa, a criança demonstrava gosto por gado, rodeio e pela rotina do campo, características que lembravam Amadeu.
Segundo teste também deu positivo e aumentou a dúvida
A história ganhou um novo capítulo quando João, marido da mãe da criança, pediu uma contraprova. O novo exame de paternidade, feito por outra clínica, também deu positivo.
Com isso, surgiu a dúvida central do caso: como uma criança poderia ter dois testes de DNA positivos para pais diferentes?
O ponto que mais chamou atenção foi que as amostras dos dois exames teriam sido encaminhadas ao mesmo laboratório. Além disso, o mesmo médico teria assinado os dois laudos.
Família quer novo exame com acompanhamento da Justiça
Diante dos dois resultados positivos, Flávio e Rosa afirmaram que pretendem acionar a Justiça. A intenção é solicitar um novo exame de DNA, agora com acompanhamento judicial, para esclarecer qual laudo está correto.
Especialistas ouvidos na reportagem explicaram que a possibilidade de erro em testes de paternidade é considerada muito baixa. No entanto, falhas humanas podem ocorrer durante a coleta, o manuseio das amostras ou a divulgação do resultado.

Caso reacende dúvida sobre genética e paternidade
A explicação médica apresentada na reportagem afirma que não há registro conhecido de uma única criança com material genético de dois pais biológicos.
O que pode acontecer, em casos raros, é uma mulher liberar mais de um óvulo no mesmo ciclo e gerar gêmeos de pais diferentes. Porém, essa hipótese envolve duas crianças, não apenas uma.
Por isso, o caso depende de um novo exame para ser esclarecido.
Menino virou símbolo de afeto em meio à disputa familiar
Enquanto a dúvida permanece, a criança segue no centro de uma história marcada por saudade, vínculo e emoção. Para os avós de Amadeu, o menino representa uma possível continuidade do filho perdido no rodeio.
Ao mesmo tempo, João também afirma reconhecer a criança como filho. Assim, a disputa não envolve rejeição, mas o desejo de entender a verdade.
Agora, a família aguarda uma nova etapa judicial. O objetivo é simples: descobrir qual exame está correto e encerrar uma dúvida que transformou a vida de todos os envolvidos.

