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Construção perde ritmo no Brasil, emprego recua e confiança dos empresários completa 21 meses abaixo dos 50 pontos, mostra levantamento da CNI.

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Escrito por Valdemar Medeiros Publicado em 25/09/2026 às 11:52 Atualizado em 25/09/2026 às 12:19
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Construção perde ritmo no Brasil, emprego recua e confiança dos empresários completa 21 meses abaixo dos 50 pontos, mostra levantamento da CNI.
Canteiros de obras perdem ritmo
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Canteiros de obras perdem ritmo e confiança da construção chega a 21 meses seguidos abaixo da linha de otimismo, destaca levantamento da CNI.

Os canteiros brasileiros chegaram ao fim de agosto trabalhando em um ritmo mais fraco. O número de empregados caiu, a capacidade usada pelas empresas diminuiu e, quando os empresários olharam para os meses seguintes, também reduziram as expectativas de novas obras, compras de materiais e contratações. Segundo a Confederação Nacional da Indústria, CNI, que divulgou em 23 de setembro de 2026 a nova Sondagem Indústria da Construção em parceria com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção, o índice de atividade caiu de 47,3 pontos em julho para 44,7 pontos em agosto.

O sinal de enfraquecimento não ficou preso a um único indicador. O índice de emprego caiu para 45,8 pontos, o menor resultado para um mês de agosto desde 2017. Em setembro, a confiança dos empresários também recuou e chegou a 45,5 pontos, completando 21 meses consecutivos abaixo da linha de 50. Ao mesmo tempo, a intenção de investimento caiu para 39,7 pontos, menor nível registrado para setembro desde 2019.

O ritmo das obras caiu de 47,3 para 44,7 pontos

A primeira mudança apareceu no próprio nível de atividade. O indicador caiu 2,6 pontos entre julho e agosto, passando de 47,3 para 44,7 pontos. O resultado também ficou 2,9 pontos abaixo da média histórica para os meses de agosto, que é de 47,6 pontos.

Na metodologia da pesquisa, números abaixo de 50 indicam queda da atividade em relação ao mês anterior. Quanto mais distante dos 50 pontos, maior é a intensidade percebida dessa redução.

O movimento significa que, na avaliação das empresas entrevistadas, agosto terminou com menos força do que julho.

Emprego registra o pior agosto desde 2017

A perda de ritmo chegou também à mão de obra. O índice de evolução do número de empregados caiu de 48,3 para 45,8 pontos entre julho e agosto. O resultado ficou 0,7 ponto abaixo da média histórica para o mês e igualou o menor nível registrado em agosto desde 2017.

Não significa que 45,8% dos trabalhadores foram demitidos. O índice mede a percepção das empresas sobre a evolução do emprego.

ritmo das obras caiu no Brasil
ritmo das obras caiu no Brasil

Um resultado abaixo de 50 mostra predominância de respostas indicando redução do número de empregados em comparação com o período anterior.

Para um setor que depende de pedreiros, eletricistas, carpinteiros, operadores de máquinas, engenheiros, técnicos e dezenas de outros profissionais, a queda merece atenção porque veio junto com o enfraquecimento da atividade.

Empresas passaram a utilizar 65% da capacidade operacional

Outro número apareceu dentro das próprias empresas. A Utilização da Capacidade Operacional, conhecida pela sigla UCO, caiu de 66% para 65% em agosto. Foi a segunda redução consecutiva.

O indicador mostra quanto da capacidade disponível das empresas estava efetivamente sendo utilizada.

Em agosto de 2025, esse nível estava em 66%. Apesar da queda anual e mensal, os 65% registrados agora ainda ficaram acima da média histórica dos meses de agosto, de 63%.

O setor, portanto, não voltou aos menores patamares de sua série histórica. O problema está na direção dos indicadores: atividade, emprego e utilização da capacidade recuaram juntos.

Confiança fica abaixo de 50 pontos pelo 21º mês seguido

Em setembro, o Índice de Confiança do Empresário Industrial da Construção caiu mais 1,7 ponto.

Passou de 47,2 para 45,5 pontos. Com isso, a confiança permaneceu abaixo da linha dos 50 pontos pelo 21º mês consecutivo, de acordo com a CBIC.

A sequência mostra que a falta de confiança não surgiu apenas na leitura de setembro. Ela vem se mantendo por quase dois anos.

Dentro desse indicador, a avaliação das condições atuais caiu de 43,9 para 41,3 pontos. A percepção sobre a situação das próprias empresas recuou para 44,8 pontos.

A avaliação sobre a economia brasileira ficou ainda mais baixa, em 34,3 pontos.

Empresários também ficaram mais cautelosos com os próximos seis meses

A mudança não aparece apenas quando os empresários olham para o que já aconteceu. Os quatro indicadores de expectativas avaliados pela CNI pioraram em setembro.

A expectativa para o nível de atividade caiu 3,6 pontos, passando de 50,6 para 47 pontos. O indicador cruzou a linha dos 50 e passou a apontar expectativa de redução da atividade nos próximos seis meses.

A expectativa sobre emprego também mudou de lado.

Ela caiu de 50 para 48 pontos. O resultado indica que os empresários passaram a esperar redução do número de trabalhadores nos próximos meses.

Novos empreendimentos permanecem abaixo da linha de crescimento

Outra parte da sondagem observa se as empresas esperam receber novos projetos e serviços.

Esse indicador recuou de 48,7 para 46,1 pontos em setembro. Foi a terceira queda consecutiva e o terceiro mês seguido abaixo dos 50 pontos.

Antes de contratar trabalhadores, comprar cimento, encomendar aço ou levar máquinas ao terreno, uma construtora precisa ter novas obras entrando em sua carteira.

Quando a expectativa para novos empreendimentos enfraquece, as decisões seguintes podem ficar mais cautelosas.

Compra de materiais teve a maior queda entre as expectativas

O movimento mais forte apareceu na intenção de comprar insumos e matérias-primas. Esse índice despencou 4,3 pontos, saindo de 50,1 para 45,8 pontos em setembro. Foi a maior queda entre os quatro indicadores de expectativa analisados pela pesquisa.

O número havia terminado o mês anterior pouco acima da linha de crescimento.

Agora está claramente abaixo dela. Na prática, a sondagem indica menor disposição para ampliar compras de materiais necessários às obras ao longo dos próximos meses.

Cimento, aço, madeira, componentes elétricos, equipamentos e uma extensa cadeia de fornecedores acompanham de perto esse tipo de movimento.

Intenção de investir cai ao menor setembro desde 2019

A cautela aparece de forma ainda mais clara quando a pergunta envolve dinheiro novo. O índice de intenção de investimento caiu 2,7 pontos entre agosto e setembro, passando de 42,4 para 39,7 pontos.

Foi o menor resultado para um mês de setembro desde 2019, quando o indicador havia chegado a 37,2 pontos.

Investimentos podem envolver desde compra de máquinas e equipamentos até expansão de capacidade, modernização tecnológica e preparação para novas obras.

Quando a intenção diminui junto com confiança, expectativas e atividade, surge um quadro de maior cautela dentro das empresas.

Juros altos aparecem entre as pressões apontadas pela CNI

Na avaliação divulgada pela CNI, o ambiente de juros elevados vem trazendo dificuldades para a construção ao longo de 2026.

Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da entidade, relacionou os juros ao aumento de custos e à perda de força da atividade ao longo do ano. Ele também citou o ambiente de incerteza provocado pela proximidade das eleições como um possível fator para o desempenho observado em agosto.

A construção é particularmente sensível ao custo do dinheiro.

Empresas precisam financiar obras, máquinas e capital de giro. Na outra ponta, famílias dependem de crédito de longo prazo para comprar imóveis.

Quando financiar fica mais caro, projetos podem ser adiados e compradores podem encontrar prestações maiores.

Queda ainda não significa paralisação generalizada dos canteiros

Os números precisam ser lidos dentro da metodologia da sondagem. Um índice abaixo de 50 não significa que toda a construção brasileira esteja em queda nem que 100% das empresas reduziram obras ou trabalhadores.

O levantamento mostra a direção predominante das respostas.

Também há um contraponto dentro dos próprios números. Mesmo depois de cair para 65%, a utilização da capacidade operacional continua dois pontos percentuais acima da média histórica de agosto, que é de 63%.

Há obras em execução, empresas contratando e projetos avançando em diferentes regiões. O sinal de alerta vem da combinação de vários indicadores apontando na mesma direção.

Pesquisa ouviu pequenas, médias e grandes construtoras

A CNI realizou a pesquisa entre 1º e 11 de setembro de 2026. Foram ouvidas 313 empresas da indústria da construção. Desse total, 120 eram pequenas, 128 médias e 65 grandes. O documento foi concluído em 22 de setembro.

A composição ajuda a captar percepções de empresas com realidades diferentes.

Uma pequena construtora pode sentir a alta do crédito de uma forma. Uma grande companhia de infraestrutura pode enfrentar outro ciclo de contratos, obras e financiamento.

A sondagem reúne essas respostas para formar uma fotografia mensal do setor.

Os próximos meses mostrarão se a queda ganha força ou perde fôlego

Os dados de agosto e setembro colocam a construção brasileira diante de uma sequência que precisa ser acompanhada.

Primeiro caiu o ritmo das obras. Depois, o emprego recuou para o pior nível de agosto desde 2017. A capacidade operacional diminuiu pela segunda vez seguida.

Quando os empresários olharam para frente, também reduziram expectativas de atividade, contratação, compra de materiais e novos empreendimentos.

Por último, a intenção de investimento caiu ao menor nível para setembro em sete anos, enquanto a confiança completou 21 meses abaixo dos 50 pontos.

Os próximos levantamentos mostrarão se essa combinação foi uma desaceleração passageira ou se os canteiros entrarão nos últimos meses de 2026 mantendo o pé no freio.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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