Entenda, com base em pesquisas científicas e na orientação de especialistas, por que os cães comem grama, quando esse hábito é considerado normal e quais mudanças de comportamento merecem atenção dos tutores.
Ver um cachorro comendo grama é uma situação bastante comum. No entanto, ao contrário do que foi acreditado durante muitos anos, esse comportamento nem sempre está relacionado a problemas no estômago. Atualmente, pesquisas científicas e médicos-veterinários apontam que existem diferentes explicações para esse hábito. Por isso, a observação do contexto continua sendo essencial.
Comer grama significa que o cachorro está doente?
Durante décadas, foi amplamente difundida a ideia de que os cães ingeriam grama apenas para provocar vômito quando apresentavam desconforto digestivo. Entretanto, essa hipótese passou a ser questionada por estudos científicos.
Em 2008, uma pesquisa publicada na revista científica Applied Animal Behaviour Science acompanhou centenas de cães. Segundo os pesquisadores, foi observado que a maioria dos animais que consumia grama estava saudável. Além disso, poucos apresentavam sinais de doença antes desse comportamento ser observado.
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Assim, a hipótese de que comer grama seja sempre um sinal de enfermidade não foi confirmada pelas evidências disponíveis.
O que a ciência descobriu sobre esse comportamento?
Além disso, os pesquisadores sugerem que o hábito pode ter sido herdado dos ancestrais selvagens dos cães. Afinal, lobos e outros canídeos também ingerem plantas ocasionalmente, mesmo quando permanecem saudáveis.
Da mesma forma, outra hipótese apresentada pelos especialistas indica que a grama pode funcionar como enriquecimento comportamental ou simplesmente despertar a curiosidade do animal.
Contudo, não existe uma resposta definitiva para explicar esse comportamento. Ainda assim, o antigo mito de que a dor de estômago seja a única causa vem sendo gradualmente substituído por interpretações baseadas em evidências científicas.
Ansiedade e tédio também podem influenciar esse hábito?
Além das hipóteses biológicas, médicos-veterinários explicam que alguns cães podem mastigar grama quando estão entediados ou recebem poucos estímulos físicos e mentais.
Nesse sentido, passeios muito curtos, baixa interação com os tutores e uma rotina pouco enriquecida podem favorecer esse comportamento.
Por outro lado, brinquedos interativos, atividades de enriquecimento ambiental e uma rotina equilibrada costumam reduzir hábitos repetitivos em diversos animais. Portanto, o estilo de vida do pet também deve ser considerado durante a avaliação.
Quais sinais merecem atenção dos tutores?
Embora comer grama nem sempre indique doença, o comportamento precisa ser analisado em conjunto com outros sinais clínicos.
Dessa forma, os especialistas recomendam atenção quando forem observados:
- Vômitos frequentes após comer grama;
- Perda de apetite por mais de um dia;
- Diarreia persistente ou presença de sangue;
- Apatia e diminuição da disposição;
- Ingestão exagerada de grama em curto período.
Quando procurar um médico-veterinário?
Se o cachorro come grama apenas ocasionalmente, continua ativo e mantém sua alimentação normalmente, o comportamento costuma ser considerado natural.
Ainda assim, é recomendado verificar se a grama não recebeu pesticidas ou outros produtos químicos, pois essas substâncias podem representar riscos à saúde do animal.
Por outro lado, quando o hábito surge repentinamente, acompanhado de vômitos, emagrecimento ou mudanças importantes no comportamento, a avaliação veterinária deve ser realizada. Dessa maneira, poderão ser descartadas doenças gastrointestinais, parasitas ou outras condições clínicas.
O comportamento pode ser natural, mas merece acompanhamento
Em síntese, as evidências científicas disponíveis, especialmente as divulgadas desde 2008 pela revista Applied Animal Behaviour Science, mostram que comer grama não representa, obrigatoriamente, um problema de saúde.
Além disso, esse comportamento também é observado em canídeos selvagens, reforçando que ele pode fazer parte da biologia da espécie.
Por fim, a observação contínua do tutor, aliada à orientação de médicos-veterinários e às informações disponíveis na literatura científica, continua sendo a forma mais segura de acompanhar a saúde do animal e identificar, precocemente, qualquer alteração que necessite de avaliação profissional. Assim, o contexto sempre deve ser considerado antes de qualquer conclusão.

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