Projeto do Grupo Corcovado prevê usinas movidas a gás natural na Bahia. Uma das unidades já recebeu autorização federal, mas o complexo ainda depende de etapas de licenciamento
Na região da Estação Recife, em Pojuca, no interior da Bahia, o Grupo Corcovado planeja instalar quatro usinas termelétricas movidas a gás natural. A prefeitura estima um investimento privado de aproximadamente R$ 900 milhões e cerca de mil empregos diretos e indiretos durante a implantação. O empreendimento avançou com uma autorização federal para uma das unidades, mas ainda não entrou em construção. A previsão divulgada é iniciar a terraplanagem em janeiro, após as etapas necessárias de licenciamento ambiental, conforme notícia publicada pela Prefeitura Municipal de Pojuca no dia 22 de setembro de 2026.
Quatro lotes em leilão levaram o projeto a Pojuca, onde o licenciamento ainda está em andamento
O projeto surgiu após o Grupo Corcovado ser contemplado com quatro lotes no Leilão de Reserva de Capacidade de 2026. Segundo a prefeitura, a disponibilidade de gás natural e as condições oferecidas pelo município contribuíram para a escolha da área. O governo local também encaminhou à Câmara Municipal uma proposta relacionada a incentivos para a instalação das usinas, posteriormente aprovada pelos vereadores.
Uma termelétrica a gás utiliza o combustível para acionar equipamentos que geram eletricidade. Nesse tipo de empreendimento, portanto, o acesso ao suprimento pesa tanto quanto a construção das unidades. A expansão do mercado de gás natural e a infraestrutura capaz de levar o combustível até os consumidores fazem parte das decisões de investimento do setor.
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A previsão de terraplanagem, porém, não equivale ao início confirmado das obras. A prefeitura informa que o complexo segue em licenciamento ambiental e atribui aos responsáveis pelo projeto a expectativa de começar os trabalhos em janeiro. O valor de R$ 900 milhões também é uma estimativa para o conjunto das quatro usinas, não um gasto já realizado.
Primeira autorização federal detalha usina de quase 50 MW com operação prevista para 2028
Em 21 de setembro, a Secretaria Nacional de Transição Energética e Planejamento, vinculada ao Ministério de Minas e Energia, publicou autorização para a UTE Corcovado 05. A unidade, sob responsabilidade da Termocorcovado S.A., terá 13 geradores e capacidade instalada total de 49,998 megawatts, usando gás natural como combustível principal.
Capacidade instalada indica a potência máxima que os equipamentos podem entregar sob as condições previstas. Ela não representa geração contínua nessa intensidade. A operação efetiva dependerá da conclusão da usina, do fornecimento de combustível e das condições de despacho de energia. Em projetos de geração termelétrica, distinguir potência instalada de eletricidade efetivamente produzida evita superestimar o impacto de uma autorização.
Para a Corcovado 05, o prazo informado para início da operação comercial é até 1º de outubro de 2028. A autorização federal representa um avanço administrativo específico dessa unidade; ela não significa que as quatro usinas já tenham todas as licenças exigidas, nem que estejam prontas para gerar energia. O calendário do complexo dependerá do cumprimento das etapas ambientais e de implantação.
Mil empregos são expectativa para a construção, enquanto operação exigirá outra equipe
A prefeitura calcula cerca de mil postos diretos e indiretos na fase de implantação. Esse número reúne oportunidades ligadas às obras e à cadeia de serviços, mas permanece uma projeção. Ainda não foram divulgados, na notícia municipal, edital de contratação, divisão das vagas por profissão ou quantidade reservada a moradores de Pojuca.
Depois da construção, a necessidade de trabalhadores muda. A administração municipal cita atividades técnicas e de manutenção, inclusive eletrotécnica e eletromecânica. Por isso, a qualificação local poderá influenciar a participação dos moradores nas futuras seleções. A disponibilidade de gás para a indústria também integra o cenário mais amplo de investimentos energéticos, embora a notícia da prefeitura não detalhe o contrato de abastecimento das novas usinas.
Para Pojuca, o próximo marco concreto será o avanço do licenciamento e a confirmação do início da preparação do terreno na Estação Recife. Até esse momento, os R$ 900 milhões e os mil empregos devem ser tratados como investimento e postos de trabalho previstos para um projeto em implantação, não como resultados já entregues.

