Distribuídos em mais de 247 mil propriedades rurais, os fazendeiros texanos movimentaram US$ 32,2 bilhões em 2024 com pecuária, leite, aves, algodão e cultivos irrigados
Fazendeiros texanos utilizaram mais de 127,7 milhões de acres de terras agrícolas em 2024, representando 14% da área rural dos Estados Unidos e movimentando US$ 32,2 bilhões em receitas agropecuárias.
A produção se concentra em pecuária, laticínios, aves, algodão e forragens, sendo que 97% das propriedades rurais são familiares.
Texas é o segundo maior estado agrícola dos Estados Unidos, com aproximadamente 247 mil fazendas registradas, o equivalente a 12,3% do total nacional.
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A economia do campo no estado é diversificada, com destaque para a criação de gado, cabras, frangos e produção de leite, além de culturas como milho, feno, algodão e sorgo.
A força do agronegócio também se reflete no mercado de trabalho: 1 em cada 7 empregos no Texas está ligado ao setor agropecuário.
A criação de gado leiteiro ocupa papel central. Cada vaca consome cerca de 45 kg de ração por dia e pode beber até o equivalente a uma banheira cheia de água.
Com manejo diário rigoroso, os fazendeiros texanos contribuíram para a produção de 17 bilhões de libras de leite em 2024, um aumento de 65% na última década.
Já na caprinocultura, o Texas lidera com 785 mil cabras criadas para leite, carne e pelos, com destaque para Mills County, conhecida como a capital da carne de cabra dos EUA.
Produção de frangos, ovos e os desafios sanitários
Na avicultura, o estado produziu 9,3 bilhões de frangos de corte em 2024, utilizando rações industriais para ganho rápido de peso. Os animais são abatidos entre 5 a 9 semanas após o nascimento.
No entanto, a produção de ovos caiu para 109 bilhões no ano, reflexo da persistente gripe aviária, que levou a Cal-Maine Foods, maior produtora de ovos do país, a suspender temporariamente as atividades em uma unidade texana.
A epidemia forçou o abate de 1,6 milhão de galinhas poedeiras e 337 mil pintinhos, o que afetou diretamente o fornecimento. A diferença de ciclo entre frangos (abatidos jovens) e galinhas (com vida produtiva mais longa) torna estas últimas mais vulneráveis.
Para conter a doença, fazendeiros texanos e autoridades adotaram medidas como a desinfecção de veículos agrícolas na entrada e saída das propriedades.
Com 12 milhões de cabeças de gado, os criadores também dependem da produção de feno e pastagens irrigadas para manter a nutrição dos rebanhos, principalmente nas regiões com baixa pluviosidade.
A criação de forragens e grãos é indispensável para o funcionamento integrado das cadeias produtivas do campo.
Agricultura, feno e a resposta à seca com sorgo
A agricultura texana antecede a colonização europeia. Povos nativos como os Cano e Pu cultivavam milho, feijão, abóbora e algodão. Atualmente, a produção de feno se destaca: o estado lidera a produção nacional, com receita estimada em US$ 900 milhões em 2024. A colheita mecanizada permite estocagem em fardos e logística eficiente.
O milho também é relevante, mas enfrenta um obstáculo crescente: a seca. Em 2024, 34% do Texas sofria com estiagem severa, o que reduziu a colheita para 28,3 milhões de bushels, queda de 56 milhões em relação ao ano anterior. Em resposta, fazendeiros texanos passaram a investir no sorgo, cultura menos exigente em água e facilmente colhida por máquinas especializadas.
O sorgo, além de tolerante à seca, possui alto valor energético e pode ser usado na alimentação animal ou na produção de biocombustíveis. A tecnologia de colheita com processamento automático a bordo otimiza o tempo e reduz perdas, sendo uma das apostas do setor para manter a competitividade frente às mudanças climáticas.
Algodão, hortaliças e frutas cítricas no sul do estado
O Texas é o maior produtor de algodão dos EUA. Em 2024, a área cultivada aumentou em mais de 400 mil acres, com projeção de 1,42 milhão de fardos colhidos. A cultura segue um ciclo de 165 dias e exige apenas duas irrigações semanais. A mecanização permite ganho de escala, mesmo em pequenas fazendas.
No setor de hortaliças, o estado se destaca com o cultivo de cebola, batata e espinafre, principalmente no Vale do Rio Grande e nas High Plains, gerando juntos mais de US$ 200 milhões em receita anual. Já no setor de frutas, o mesmo vale é conhecido pela produção de toranjas (grapefruits) e outros cítricos.
Entretanto, a colheita de frutas ainda depende quase totalmente de trabalho manual, com imigrantes – muitos deles sem documentação – recebendo salários baixos, como US$ 47 por mil barris de laranja colhidos. A escassez de mão de obra no campo é um problema crescente, agravado por políticas migratórias mais restritivas.