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Os 127 milhões de acres usados pelos fazendeiros texanos para movimentar US$ 32 bilhões por ano com gado, algodão, leite e milho em meio ao clima extremo

Escrito por Jefferson Augusto
Publicado em 30/06/2025 às 09:04
Fazendeiro texano com chapéu e lenço vermelho à frente de fazenda ao pôr do sol com gado, algodão, sorgo e bandeira dos EUA sobreposta.
Fazendeiro texano diante de uma fazenda ao pôr do sol, com campos de algodão, sorgo e pastagens, simbolizando a força da agricultura nos EUA.
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Distribuídos em mais de 247 mil propriedades rurais, os fazendeiros texanos movimentaram US$ 32,2 bilhões em 2024 com pecuária, leite, aves, algodão e cultivos irrigados

Fazendeiros texanos utilizaram mais de 127,7 milhões de acres de terras agrícolas em 2024, representando 14% da área rural dos Estados Unidos e movimentando US$ 32,2 bilhões em receitas agropecuárias.

A produção se concentra em pecuária, laticínios, aves, algodão e forragens, sendo que 97% das propriedades rurais são familiares.

Texas é o segundo maior estado agrícola dos Estados Unidos, com aproximadamente 247 mil fazendas registradas, o equivalente a 12,3% do total nacional.

A economia do campo no estado é diversificada, com destaque para a criação de gado, cabras, frangos e produção de leite, além de culturas como milho, feno, algodão e sorgo.

A força do agronegócio também se reflete no mercado de trabalho: 1 em cada 7 empregos no Texas está ligado ao setor agropecuário.

A criação de gado leiteiro ocupa papel central. Cada vaca consome cerca de 45 kg de ração por dia e pode beber até o equivalente a uma banheira cheia de água.

Com manejo diário rigoroso, os fazendeiros texanos contribuíram para a produção de 17 bilhões de libras de leite em 2024, um aumento de 65% na última década.

Já na caprinocultura, o Texas lidera com 785 mil cabras criadas para leite, carne e pelos, com destaque para Mills County, conhecida como a capital da carne de cabra dos EUA.

Produção de frangos, ovos e os desafios sanitários

Na avicultura, o estado produziu 9,3 bilhões de frangos de corte em 2024, utilizando rações industriais para ganho rápido de peso. Os animais são abatidos entre 5 a 9 semanas após o nascimento.

No entanto, a produção de ovos caiu para 109 bilhões no ano, reflexo da persistente gripe aviária, que levou a Cal-Maine Foods, maior produtora de ovos do país, a suspender temporariamente as atividades em uma unidade texana.

A epidemia forçou o abate de 1,6 milhão de galinhas poedeiras e 337 mil pintinhos, o que afetou diretamente o fornecimento. A diferença de ciclo entre frangos (abatidos jovens) e galinhas (com vida produtiva mais longa) torna estas últimas mais vulneráveis.

Para conter a doença, fazendeiros texanos e autoridades adotaram medidas como a desinfecção de veículos agrícolas na entrada e saída das propriedades.

Com 12 milhões de cabeças de gado, os criadores também dependem da produção de feno e pastagens irrigadas para manter a nutrição dos rebanhos, principalmente nas regiões com baixa pluviosidade.

A criação de forragens e grãos é indispensável para o funcionamento integrado das cadeias produtivas do campo.

Agricultura, feno e a resposta à seca com sorgo

A agricultura texana antecede a colonização europeia. Povos nativos como os Cano e Pu cultivavam milho, feijão, abóbora e algodão. Atualmente, a produção de feno se destaca: o estado lidera a produção nacional, com receita estimada em US$ 900 milhões em 2024. A colheita mecanizada permite estocagem em fardos e logística eficiente.

O milho também é relevante, mas enfrenta um obstáculo crescente: a seca. Em 2024, 34% do Texas sofria com estiagem severa, o que reduziu a colheita para 28,3 milhões de bushels, queda de 56 milhões em relação ao ano anterior. Em resposta, fazendeiros texanos passaram a investir no sorgo, cultura menos exigente em água e facilmente colhida por máquinas especializadas.

O sorgo, além de tolerante à seca, possui alto valor energético e pode ser usado na alimentação animal ou na produção de biocombustíveis. A tecnologia de colheita com processamento automático a bordo otimiza o tempo e reduz perdas, sendo uma das apostas do setor para manter a competitividade frente às mudanças climáticas.

Algodão, hortaliças e frutas cítricas no sul do estado

O Texas é o maior produtor de algodão dos EUA. Em 2024, a área cultivada aumentou em mais de 400 mil acres, com projeção de 1,42 milhão de fardos colhidos. A cultura segue um ciclo de 165 dias e exige apenas duas irrigações semanais. A mecanização permite ganho de escala, mesmo em pequenas fazendas.

No setor de hortaliças, o estado se destaca com o cultivo de cebola, batata e espinafre, principalmente no Vale do Rio Grande e nas High Plains, gerando juntos mais de US$ 200 milhões em receita anual. Já no setor de frutas, o mesmo vale é conhecido pela produção de toranjas (grapefruits) e outros cítricos.

Entretanto, a colheita de frutas ainda depende quase totalmente de trabalho manual, com imigrantes – muitos deles sem documentação – recebendo salários baixos, como US$ 47 por mil barris de laranja colhidos. A escassez de mão de obra no campo é um problema crescente, agravado por políticas migratórias mais restritivas.

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Jefferson Augusto

Profissional com experiência militar no Exército, Inteligência Setorial e Gestão do Conhecimento no Sebrae-RJ e no Mercado Financeiro por meio de um escritório da XP Investimentos. Trago um olhar único sobre a indústria energética, conectando inovação, defesa e geopolítica. Transformo cenários complexos em conteúdo relevante sobre o futuro do setor de petróleo, gás e energia. Envie uma sugestão de pauta para: jasgolfxp@gmail.com

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