Cientistas do MIT desenvolvem nova célula de combustível de sódio que pode ser a saída para a aviação elétrica. Confira abaixo as novidades sobre a célula de combustível à base de sódio que promete absorver CO2 da atmosfera.
Pesquisadores do renomado Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) anunciaram recentemente o desenvolvimento de uma célula de combustível à base de sódio que pode revolucionar o setor da aviação elétrica. Considerada por muitos como uma das maiores promessas tecnológicas da década, essa inovação une densidade energética excepcional com benefícios ambientais inéditos. A célula de combustível de sódio é vista como uma possível “bateria de tanque cheio” para aviões elétricos, tornando economicamente e tecnicamente viável o transporte aéreo movido a eletricidade.
Neste artigo, vamos explorar em profundidade como essa tecnologia funciona, quais os benefícios em comparação com as soluções atuais, o papel que pode desempenhar no futuro da aviação elétrica e os desafios ainda presentes em sua escalabilidade.
O que é a célula de combustível à base de sódio?
A célula de combustível de sódio é um tipo de célula eletroquímica que converte energia química diretamente em energia elétrica.
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No novo modelo desenvolvido pelos cientistas do MIT, o sistema utiliza sódio metálico como ânodo (polo negativo) e oxigênio do ar como cátodo (polo positivo), com um eletrólito sólido no meio. A reação entre o sódio e o oxigênio gera eletricidade de forma contínua enquanto houver combustível disponível — no caso, o sódio.
Ao contrário das baterias de íon-lítio convencionais, que precisam ser recarregadas após cada ciclo, essa célula pode ser rapidamente “reabastecida” trocando o material consumido. Isso proporciona um desempenho equivalente ao abastecimento rápido de um tanque de combustível fóssil, o que é fundamental para aplicações como a aviação.
Por que o sódio é uma escolha promissora?
O sódio, além de ser um elemento muito mais abundante e barato do que o lítio, apresenta propriedades eletroquímicas interessantes. A disponibilidade do sódio em grandes quantidades — sendo o sexto elemento mais abundante da crosta terrestre — reduz a dependência de cadeias de suprimento restritas, como as do lítio, cobalto e níquel, que são frequentemente associados a impactos ambientais e questões geopolíticas.
Além disso, a célula de combustível à base de sódio desenvolvida no MIT utiliza uma estrutura porosa e leve de óxido de alumínio para suportar o sódio metálico, o que melhora significativamente a densidade energética e a segurança do sistema.
Densidade energética superior: o grande diferencial
A característica mais impressionante da célula de combustível de sódio é sua densidade energética. Em testes iniciais, os cientistas obtiveram valores próximos a 1.700 Wh/kg em laboratório — cinco vezes mais do que as melhores baterias de íon-lítio atuais, que operam entre 300 Wh/kg.
Para efeito de comparação, a densidade energética da gasolina é de aproximadamente 12.000 Wh/kg, mas isso inclui perdas térmicas, o que faz com que a eficiência real seja menor que a de uma célula de combustível.
Estudos indicam que, mesmo em uma versão prática com perdas, a nova célula poderia entregar 1.000 Wh/kg, patamar suficiente para alimentar aeronaves regionais elétricas com autonomia de voo viável — algo que ainda está além do alcance das baterias atuais.
Célula de combustível de sódio captura CO₂ do ar
Um dos aspectos mais inovadores da tecnologia é sua capacidade de capturar dióxido de carbono (CO₂) durante o funcionamento. Isso ocorre porque, ao final do processo de liberação de energia, o sódio reage com a umidade do ar formando hidróxido de sódio (NaOH). Esse composto, por sua vez, absorve CO₂ do ambiente e o transforma em bicarbonato de sódio (NaHCO₃).
Esse comportamento significa que a célula não apenas é neutra em emissões de carbono, mas também pode contribuir com a remoção ativa de CO₂ da atmosfera, transformando aeronaves equipadas com esse sistema em veículos de “limpeza ambiental” enquanto voam.
Implicações para a aviação elétrica
A aviação elétrica é um dos maiores desafios tecnológicos da atualidade. Embora existam iniciativas como a da ZeroAvia e da Airbus, que já estão desenvolvendo aeronaves híbridas e elétricas, os principais obstáculos continuam sendo a densidade energética limitada das baterias e o tempo de recarga.
Com a célula de combustível à base de sódio, a realidade muda de forma substancial:
- Abastecimento rápido: como o sistema opera por substituição do combustível, não há necessidade de longos tempos de recarga.
- Menor peso: a maior densidade energética reduz a massa necessária de sistemas de propulsão elétrica.
- Menor impacto ambiental: eliminação do uso de metais raros e possibilidade de captura de carbono durante o voo.
Desafios técnicos e logísticos
Embora promissora, a tecnologia ainda precisa superar alguns desafios antes de sua comercialização:
- Escalabilidade da produção: a manufatura em larga escala requer o desenvolvimento de processos industriais estáveis e econômicos.
- Infraestrutura de reabastecimento: aeroportos precisarão adaptar suas operações para lidar com o sódio metálico e os resíduos do processo.
- Normas de segurança: o uso de sódio metálico, altamente reativo com água, exige padrões rígidos de segurança em todas as etapas.
- Ciclo de vida: estudos de durabilidade e desempenho a longo prazo ainda estão em andamento.
Para acelerar a transição para a produção comercial, os cientistas fundaram a startup Propel Aero, que busca desenvolver protótipos em escala real, inicialmente para drones de grande porte e, futuramente, aeronaves comerciais.
Comparação com outras tecnologias emergentes
Além das células de combustível de sódio, outras tecnologias estão sendo estudadas para a aviação elétrica, como:
- Hidrogênio verde: apresenta alta densidade energética por massa, mas é difícil de armazenar em forma líquida a bordo.
- Baterias de estado sólido: prometem maior segurança e densidade energética, mas ainda estão em fase experimental.
- Motores híbridos: combinam eletricidade e combustíveis fósseis ou sustentáveis, mas não eliminam completamente as emissões.
A célula de combustível de sódio se destaca por oferecer uma solução intermediária que une alta eficiência, densidade energética competitiva e sustentabilidade ambiental.
Um marco rumo à descarbonização da aviação
A criação da célula de combustível à base de sódio por cientistas do MIT representa um dos avanços mais empolgantes na engenharia energética dos últimos anos. Seu potencial de transformar a aviação elétrica é significativo, tanto do ponto de vista tecnológico quanto ambiental.
A tecnologia se mostra extremamente promissora ao combinar:
- Elevada densidade energética;
- Operação segura e contínua;
- Baixo impacto ambiental e potencial de captura de CO₂;
- Uso de materiais abundantes e de baixo custo.
Embora desafios ainda precisem ser superados, os benefícios apontam para uma revolução possível no setor de transportes aéreos, com impacto direto sobre a emissão global de poluentes e a viabilidade de aeronaves elétricas comerciais.
A célula de combustível de sódio pode, de fato, ser a chave que faltava para liberar todo o potencial da aviação elétrica — e os próximos anos dirão se este futuro está mais próximo do que imaginamos.