A China declara que seus drones furtivos voam três vezes mais e consomem 50% menos energia do que os modelos dos EUA, reforçando sua posição na corrida tecnológica militar
Um novo estudo aponta que os drones furtivos de última geração da China são mais eficientes que os modelos em desenvolvimento nos Estados Unidos. De acordo com um artigo publicado recentemente, essas aeronaves utilizam metade da energia e têm três vezes mais durabilidade em comparação com os protótipos dos EUA.
A reportagem do South China Morning Post (SCMP) revela que a China está avançada no desenvolvimento de jatos furtivos sintéticos duplos.
Essas aeronaves eliminam superfícies de controle tradicionais, como flaps e aletas de cauda, para reduzir reflexos de radar e assinaturas térmicas. Os testes dessas aeronaves já foram realizados em condições reais. Enquanto isso, os Estados Unidos continuam na fase conceitual do projeto.
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Tecnologia de controle fluídico
Os drones furtivos da China substituem controles convencionais por sistemas fluídicos. Em vez de superfícies mecânicas, utilizam pulsos de ar precisos para controlar a direção do voo. Essa abordagem aumenta a discrição contra radares e melhora a eficiência do consumo de combustível.
O SCMP destaca que o Pentágono identificou a necessidade dessa tecnologia desde cedo. No entanto, a DARPA (Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa dos EUA) só aprovou oficialmente seu programa X-65 para desenvolver e validar esses sistemas em 2023.
A DARPA tem histórico de liderança em inovações de defesa, como jatos furtivos e GPS. No entanto, o estudo aponta que a China avançou mais rápido na área de sistemas fluídicos, também conhecidos como CRANE (Controle de Aeronaves Revolucionárias com Novos Efetores).
Avanço chinês na pesquisa
O artigo do professor Luo Zhenbing, da Universidade Nacional de Tecnologia de Defesa da China (NUDT), afirma que os sistemas chineses estão anos à frente dos projetos de jatos e drones furtivos americanos.
Segundo a publicação no periódico Acta Aeronautica et Astronautica Sinica, a China já testava uma aeronave CRANE em 2021. Enquanto isso, os EUA ainda estavam no estágio conceitual.
O estudo detalha que os sistemas da China utilizam tecnologia DSJ (jato sintético duplo), que gera pulsos de ar através da vibração de placas de cerâmica em compartimentos nas asas.
As unidades DSJ funcionam com duas câmaras pulsando alternadamente. Esse método reduz o estresse dos componentes e previne falhas. Em contraste, os projetos da DARPA utilizam câmaras de ar únicas, os quais são mais propensas a falhas estruturais.
Drones furtivos chineses: durabilidade e possível uso subaquático
O design de câmara dupla também protege os drones contra danos por pressão durante manobras bruscas. Segundo a NUDT, esse sistema pode permitir o uso subaquático. Com essa tecnologia, um drone poderia operar debaixo d’água e emergir repentinamente para voar.
O artigo também destaca que a tecnologia chinesa oferece mais aplicações do que o X-65 da DARPA. Além de serem mais eficientes em termos energéticos, os drones chineses devem ter uma vida útil operacional três vezes maior.
Comparativo com projetos americanos
A pesquisa liderada por Luo aponta que os drones chineses DSJ consomem somente metade da energia utilizada pelos equivalentes americanos. Contudo, a tecnologia da DARPA continua em fase inicial. Isso significa que as comparações atuais podem não refletir os modelos finais desenvolvidos pelos EUA.
Os primeiros drones furtivos chineses controlados por DSJ, modelos de asa fixa, realizaram voos de teste em 2021. Em 2023, engenheiros da NUDT começaram a testar versões de asa voadora. Enquanto isso, o programa X-65 da DARPA ainda não realizou testes de voo conhecidos publicamente.
Nos EUA, o drone “Big Tail” (Cauda Grande) foi projetado para validar os controles fluídicos e integrar a tecnologia ao futuro caça NGAD (Next-Generation Air Dominance) da Força Aérea. O primeiro voo desse drone está previsto para este ano.
Com informações de Interesting Engineering.