Andi Vercellino e William Mapes compraram 16 hectares de terra bruta, venderam a casa, passaram a morar no terreno e agora preparam uma residência de 102 metros quadrados com madeira da própria propriedade na Califórnia
Um casal da Califórnia comprou 16 hectares de terra bruta em 2022 e decidiu construir uma vida autossuficiente no local. Entre vegetação fechada, riacho, risco de incêndios e anos de trabalho aos fins de semana, o terreno ganhou energia solar, água filtrada e estruturas de moradia.
Andi Vercellino e William Mapes não planejavam comprar terras quando aceitaram o convite de um vizinho para conhecer uma casa disponível na pequena comunidade montanhosa onde já viviam havia dois anos.
Depois da visita, porém, foram levados ao outro lado da rua. Ali encontraram dezenas de hectares densamente arborizados, atravessados apenas por uma trilha discreta e por um riacho de águas cristalinas.
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Vercellino, de 32 anos, contou à PEOPLE que a caminhada pela propriedade fez o casal imaginar imediatamente outro futuro.
Eles chegaram sem intenção de comprar qualquer coisa e saíram determinados a tentar construir uma vida naquele terreno.
A negociação ainda levou meses. Segundo o relato, os vendedores chegaram a reduzir o preço pedido e deram mais tempo para que Vercellino e Mapes conseguissem concluir a compra, formalizada em setembro de 2022.

Vida autossuficiente começou com trabalho apenas nos fins de semana
A assinatura dos documentos foi apenas o começo. O casal tinha uma filha de 1 ano, dois empregos de tempo integral e uma casa que também precisava de reparos.
Além disso, era necessário cuidar da vegetação para prevenção contra incêndios florestais e cortar lenha para aquecer a residência.
Com tantas tarefas, o desenvolvimento dos 16 hectares praticamente ficava restrito aos fins de semana.
Nos dois primeiros anos, boa parte do esforço foi direcionada à limpeza da vegetação densa. O próprio acesso ao terreno representava um obstáculo.
O riacho dividia a propriedade e dificultava chegar ao outro lado. Para continuar explorando a área, o casal precisou improvisar uma ponte utilizando um tronco de árvore caído.
Mesmo depois disso, os arbustos de amora-preta continuavam formando uma barreira. Segundo Vercellino, foi necessário mais um ano de limpeza até que conseguissem chegar a um poço escondido usado para nadar.

Casal vendeu a casa e passou a morar no próprio terreno
Durante os dois primeiros anos, a família continuou vivendo na casa localizada ao lado da propriedade. Há pouco mais de um ano, porém, vendeu o imóvel e transferiu sua rotina definitivamente para os 40 acres.
Inicialmente, eles ficaram em uma barraca enquanto organizavam a estrutura temporária que chamam de “terraço com dois quartos”.
A rotina ainda inclui atividades comuns, como tomar café, passear com os cachorros, levar a filha para a aula de natação, preparar o jantar e assistir televisão antes de dormir.
A diferença está na forma como a natureza interfere no cotidiano. Nos períodos de calor, segundo Vercellino, a família chega a nadar duas ou três vezes por dia.
A louça é levada para uma pia separada da área principal para evitar atrair ursos. À noite, uma fogueira ajuda a afastar insetos da “sala de estar”, enquanto a iluminação natural da lua auxilia no caminho até o banheiro.

Quatro painéis solares deram início à transformação do terreno do casal
A estrutura instalada na propriedade cresceu gradualmente. No começo, havia uma barraca, quatro painéis solares e uma cozinha improvisada ao ar livre.
Com o passar dos anos, o espaço passou a contar com água filtrada, sistema de irrigação, lavanderia, televisão e acesso a chuveiro quente.
Um ônibus escolar adaptado também integra a estrutura atual e possui ar-condicionado, ampliando as condições de moradia enquanto a residência definitiva ainda não está pronta.
Para Vercellino, esse processo também mudou a compreensão da família sobre o significado de autossuficiência.
Ela afirmou que viver diretamente ligado à terra tornou mais perceptíveis os efeitos das próprias necessidades sobre o ambiente.
Casa permanente terá 102 metros quadrados e madeira do terreno
A próxima etapa já está definida. Após receberem recentemente a licença de construção, Vercellino e Mapes se preparam para erguer uma casa simples de 102 metros quadrados, equivalente aos 1.100 pés quadrados informados no relato.
A construção utilizará madeira serrada diretamente na propriedade e toras doadas por vizinhos, que também tiveram participação no desenvolvimento do projeto ao longo dos anos.
Vercellino afirma que a experiência ensinou a família a tentar atender suas necessidades enquanto reduz os impactos sobre o ambiente ao redor. Para ela, essa relação construída com a terra fez os desafios enfrentados compensarem.
Esta matéria foi elaborada com base em informações da PEOPLE e nos relatos de Andi Vercellino apresentados no material fornecido, com dados, números e declarações preservados conforme o conteúdo consultado.
