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Caçador de tesouros passa 17 anos procurando galeão espanhol afundado em 1622 perto de Key West, perde o filho, a nora e um tripulante quando barco de salvamento naufraga durante a busca e, em 1985, finalmente encontra a “pilha principal” com ouro, prata e esmeraldas avaliados entre US$ 400 milhões e US$ 450 milhões

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Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges Publicado em 15/09/2026 às 20:19
Assista o vídeoMel Fisher procurou por 17 anos o galeão Atocha, perdeu o filho num naufrágio em 1975 e, em 1985, achou tesouro estimado entre US$ 400 e US$ 450 milhões.
Mel Fisher procurou por 17 anos o galeão Atocha, perdeu o filho num naufrágio em 1975 e, em 1985, achou tesouro estimado entre US$ 400 e US$ 450 milhões.
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Mel Fisher procurou por 17 anos o galeão espanhol Nuestra Señora de Atocha, afundado em 1622 perto de Key West. Em 1975, perdeu o filho Dirk, a nora Angel e um tripulante num naufrágio. Em 20 de julho de 1985, sua equipe achou tesouro estimado em até US$ 450 milhões.

O caçador de tesouros Mel Fisher passou 17 anos procurando os destroços do galeão espanhol Nuestra Señora de Atocha, que afundou durante um furacão em 1622 carregando centenas de milhões de dólares em ouro e prata. Em 1975, durante as buscas a cerca de 56 quilômetros de Key West, na Flórida, um dos barcos de resgate da equipe afundou e matou o filho, a nora e um tripulante. Em 20 de julho de 1985, a equipe finalmente encontrou a “pilha principal” do tesouro, com valor estimado entre US$ 400 milhões e US$ 450 milhões.

As informações foram publicadas pela revista PEOPLE em 11 de setembro de 2026, em reportagem de Virginia Chamlee, que relembra entrevistas e matérias feitas pela própria revista em 1985. Segundo a publicação, Fisher enfrentou falta de dinheiro, disputas na Justiça e tragédias pessoais até se tornar um dos caçadores de tesouros mais famosos da história.

Mel Fisher começou a procurar o Atocha em 1968, depois de ler sobre o naufrágio

Mel Fisher.
Crédito:CBS via Getty
Mel Fisher.Crédito:
CBS via Getty

Aos 64 anos, em entrevista à PEOPLE em 1985, Fisher contou que começou a procurar o navio em 1968, depois de ler sobre o naufrágio e ficar curioso sobre a embarcação de 550 toneladas. Segundo relatos, o navio levava 250 mil moedas de prata, 1.200 lingotes de prata e 161 peças de ouro quando afundou.

Fisher achava que o navio estava inteiro, a 15 ou 18 metros de profundidade

Fisher imaginava que seria uma busca simples: “Li sobre o Atocha e gostei. O naufrágio estava a 15 ou 18 metros de profundidade, então era improvável que alguém sofresse descompressão. Parecia estar inteiro, então imaginei que seria um trabalho rápido e fácil”.

Na verdade, o Atocha tinha se partido em vários pedaços, espalhados por cerca de 16 quilômetros do fundo do mar, segundo a PEOPLE.

Investidores bancaram a busca com US$ 1 milhão por ano

Fisher, um explorador marítimo experiente, convenceu um grupo de investidores a financiar a busca com US$ 1 milhão por ano. A promessa era encontrar pilhas de prata no fundo do mar perto de Key West, algo que parecia bom demais para ser verdade, segundo a reportagem.

Os mergulhos eram feitos a 56 quilômetros da costa de Key West e, por anos, não encontraram nada. Enquanto isso, críticos atacavam Fisher, que implorava para a equipe não desistir.

Sonar, 20 mergulhadores e arqueólogos: balas de mosquete e um jarro de 1622 deram as primeiras pistas

Mel Fisher.
Foto AP/Jeffrey Cardenas
Mel Fisher.
Foto AP/Jeffrey Cardenas

A busca usou sonar e uma equipe de 20 mergulhadores e arqueólogos. Dois anos depois do início, o grupo encontrou o que pareciam ser duas balas de mosquete e sentiu que estava no caminho certo, segundo a PEOPLE.

O próprio Fisher mergulhou e encontrou o gargalo de um jarro de azeite. “Era por volta de 1622, e foi aí que tive certeza”, contou à revista.

Na década seguinte, equipe achou três barras de prata de 76 libras, âncoras e corrente de ouro

Mel Fisher procurou por 17 anos o galeão Atocha, perdeu o filho num naufrágio em 1975 e, em 1985, achou tesouro estimado entre US$ 400 e US$ 450 milhões.
Mel Fisher procurou por 17 anos o galeão Atocha, perdeu o filho num naufrágio em 1975 e, em 1985, achou tesouro estimado entre US$ 400 e US$ 450 milhões.

Nos dez anos seguintes, a equipe encontrou mais restos do Atocha: três barras de prata de 76 libras cada (cerca de 34,5 quilos), duas âncoras, pedaços de corrente de ouro e mais balas de mosquete, segundo a PEOPLE.

Barco Northwind afundou em 1975 e matou o filho, a nora e um tripulante de Fisher

Em 1975, um dos barcos de resgate de Fisher, o Northwind, afundou depois de uma falha na bomba. Morreram no naufrágio o filho de Fisher, Dirk, a mulher de Dirk, Angel, e o tripulante Rick Gag.

“Meu filho teria querido que eu terminasse a busca”, disse Fisher

Em 1985, Fisher contou à PEOPLE que pensou em desistir depois da tragédia. “Depois que o Northwind afundou e meu filho se afogou, fiquei desanimado. Pensei: ‘Talvez não valha a pena’. Mas meu filho teria querido que eu terminasse a busca, então eu disse: ‘Tudo bem, vou continuar até encontrá-la'”, lembrou.

A equipe continuou procurando mesmo depois das mortes, porque Fisher tinha certeza de que o Atocha ainda estava escondido no fundo do mar.

Mergulhadores chegaram a ficar 24 semanas sem salário

Segundo uma reportagem da PEOPLE de agosto de 1985, às vezes Fisher não conseguia pagar os salários, mas mesmo assim pedia que a equipe continuasse. “Esperem só até verem a pilha principal. Haverá pilhas de barras de prata enfileiradas como uma parede de tijolos no fundo do oceano. Haverá barras de ouro e baús de tesouro cheios de moedas de ouro e prata. Está tudo lá, acreditem em mim”, prometia.

O mergulhador Pat Clyne, que trabalhou com Fisher por 12 anos, contou à revista que a amizade e o objetivo em comum pesavam tanto quanto o dinheiro. “Às vezes, ficávamos até 24 semanas sem receber. Se você pedisse dinheiro ao Mel, ele te dava uma moeda de ouro. Mas que se dane, não dava para comprar comida com aquilo. O Mel dizia: ‘Pessoal, não sei o que vou fazer. Não tem dinheiro. Vou ter que dispensar vocês.’ Nove em cada dez caras continuavam”, disse.

“Acertamos a pilha principal!”: filho Kane anunciou a descoberta em 20 de julho de 1985

Em 20 de julho de 1985, Fisher finalmente teve a prova de que estava certo. Seu filho Kane avisou pelo rádio que a equipe tinha encontrado o tesouro: “Guardem os mapas! Barras de prata! Acertamos a pilha principal!”

Tesouro de US$ 400 milhões a US$ 450 milhões era a fortuna de um rei espanhol

A pilha principal era a fortuna de um rei espanhol, saqueada de minas do México, da Colômbia e do Peru mais de três séculos antes, segundo a PEOPLE. O valor foi estimado entre US$ 400 milhões e US$ 450 milhões em ouro, moedas de prata e esmeraldas.

Em 29 de maio de 1986, Fisher, dono da empresa Treasure Salvors Inc., foi fotografado pela agência AP examinando cerca de 2.300 esmeraldas tiradas dos destroços do Atocha.

“As pessoas chamavam Mel de farsante”, lembrou o mergulhador Pat Clyne

Clyne também falou das críticas em entrevista à PEOPLE na época. “As pessoas chamavam Mel de farsante. Diziam que ele estava atraindo investidores com alegações ridículas, mas ele estava certo. Era sobre isso que Robert Louis Stevenson queria escrever. Agora, as crianças vão crescer lendo as histórias de Mel Fisher”, afirmou.

Flórida exigiu 25% dos artefatos, mas Suprema Corte dos EUA deu vitória a Fisher

Depois que a Treasure Salvors, Inc., empresa de Fisher, encontrou o galeão, o estado da Flórida disse que era dono dos destroços e exigiu 25% dos objetos recuperados. Fisher foi à Justiça contra a cobrança.

A Suprema Corte dos Estados Unidos deu razão a Fisher. O tribunal decidiu que o estado não tinha direito aos destroços porque eles estavam fora das águas controladas pela Flórida e eram considerados abandonados, segundo a PEOPLE.

Fisher ficou com 5% do tesouro, funcionários antigos viraram milionários e a história virou filme

Fisher ficou com 5% do tesouro e disse à PEOPLE, na época, que não pretendia vender sua parte. A maioria dos mergulhadores recebeu 0,1% do lucro, e alguns funcionários mais antigos ficaram com 1%, o que os transformou em “milionários instantâneos”, segundo a revista.

A história de Mel Fisher também chegou à televisão com o filme “Sonhos de Ouro: A História de Mel Fisher”, da CBS, exibido pela primeira vez em 15 de novembro de 1986.

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Para você, Mel Fisher fez certo em continuar procurando o tesouro por mais dez anos depois de perder o filho, a nora e um tripulante, ou valeu pouco diante do risco? Deixe sua opinião nos comentários.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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