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Brasil reduzirá importação de energia da usina de Itaipu devido o aumento da demanda pelo Paraguai

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Escrito por Paulo Nogueira Publicado em 15/05/2019 às 13:11 Atualizado em 15/05/2019 às 18:03

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O aumento da demanda por energia do Paraguai vai reduzir os montantes que o Brasil poderá importar da produção da usina de Itaipu.

De acordo com a previsão do Plano Decenal de Energia (PDE), a partir de 2023, a demanda paraguaia por energia deve crescer a uma taxa de 5% ao ano, mas o sistema elétrico brasileiro consegue absorver essa redução na oferta com tranquilidade, segundo informações do EPE nesta terça-feira, 14 de maio, no primeiro encontro da série Diálogos da Transição para o Desenvolvimento Sustentável (Cebds), no Rio de Janeiro, que contou com a participação do presidente da EPE, Thiago Barral.

“Estamos olhando cuidadosamente essa questão de Itaipu. O Paraguai tem preferência pela sua parcela de energia e o Brasil tem preferência em comprar aquilo que o Paraguai na consome. A medida que os consumo paraguaio cresce, a parcela disponível para importação reduz”.

“Na nossa avaliação, isso dá para absorver tranquilamente. Dada a dimensão do mercado brasileiro e os cenários de maior ou menor crescimento na demanda no Paraguai, essa diferença é facilmente absorvida nos leilões de energia”, disse, Thiago Barral.

A batalha da renegociação de Itaipu

Os presidentes do Brasil, Jair Bolsonaro, e o do Paraguai, Mario Abdo Benítez colocaram em 10 de maio, a pedra fundamental da nova ponte que ligará os dois países sobre o rio Paraná. O ato, realizado na cidade fronteiriça de Foz do Iguaçu, foi uma nova demonstração da boa harmonia entre os dois.

A nova ponte será a segunda binacional e cruzará as águas que alimentam a represa. A obra busca o desenvolvimento da Tríplice Fronteira, como é chamado o ponto que une os dois países e a Argentina. O projeto tem mais de trinta anos. Bolsonaro e Abdo prometeram nesta sexta-feira que será concluído antes de 2022. A nova passagem binacional se somará à Ponte da Amizade e custará cerca de 300 milhões de reais. O dinheiro virá, de Itaipu.

Ambos os presidentes têm, um duro desafio: a negociação sobre a distribuição de energia de Itaipu, a gigantesca hidrelétrica compartilhada pelos dois países. Segundo o texto, ainda em vigor, o menor país, o Paraguai, transfere os excedentes de energia ao preço de custo para o maior, o Brasil. Esse acordo, que o Paraguai considera injusto, expira em 2023, e o período de negociações coincide com as presidências de Abdo Benítez e Bolsonaro.

No início deste ano, o governo federal montou um grupo de trabalho que será responsável pela proposta brasileira na negociação com do chamado Anexo C do Tratado de Itaipu que levou a construção da usina, há 46 anos. Estão previstas a renegociação de condições comerciais, que levarão em consideração também o fim da amortização dos investimentos e a redução no preço da energia produzida pela usina bilateral.

O Anexo C prevê o início da vigência dos novos termos a partir de 2023. O prazo atual para conclusão dos trabalhos é a próxima sexta, 17. Em abril, o governo prorrogou o grupo por mais 30 dias.

A Itaipu Binacional tem 14 GW de potência instalada e, em 2018, forneceu 15% de toda a energia consumida no Brasil e 90%, no Paraguai. Em 2018, produziu 96,6 milhões de MWh. O Paraguai tem direito a metade da energia gerada, mas por falta de demanda, consome cerca de 15% da sua cota. O restante é importado para o Brasil.

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Paulo Nogueira

Técnico em Elétrica desde 2008, formado pelo Instituto Federal Fluminense (IFF), antigo CEFET, uma das mais tradicionais instituições de ensino técnico do Brasil. Atuou por diversos anos nas áreas de petróleo e gás offshore, energia e construção, experiência que hoje aplica na produção de conteúdo especializado sobre o setor energético. Com mais de 8 mil publicações em revistas e portais online, dedica-se à cobertura do mercado de trabalho, petróleo e gás, energia, economia, renováveis e empreendedorismo. Para dúvidas, sugestões ou correções, entre em contato pelo e-mail paulohsnogueira@gmail.com. Este canal não recebe currículos.

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