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Brasil perde espaço no mundo: investimento estrangeiro cai para US$ 33,8 bilhões em 2025 – pior nível em quatro anos e país já fica atrás de México e Índia

Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 29/08/2025 às 06:07
Atualizado em 28/08/2025 às 09:14
Brasil perde espaço no mundo: investimento estrangeiro cai para US$ 33,8 bilhões em 2025 – pior nível em quatro anos e país já fica atrás de México e Índia
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Investimento estrangeiro direto no Brasil despenca em 2025 para US$ 33,8 bi. País perde espaço e já fica atrás de México e Índia na corrida global por capital.

O relatório mais recente do Banco Central e dados consolidados pela UNCTAD (Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento) confirmam uma notícia que caiu como bomba no mercado financeiro: o Investimento Estrangeiro Direto (IED) no Brasil despencou em 2025, acumulando apenas US$ 33,8 bilhões no primeiro semestre, queda de 10,7% em relação ao mesmo período de 2024.

Com esse resultado, o Brasil não apenas perdeu dinamismo, mas também ficou atrás de México e Índia na corrida global por capital internacional, acendendo um sinal vermelho sobre a atratividade da economia nacional.

O que são os investimentos estrangeiros diretos

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O IED é considerado o “dinheiro de longo prazo”, aquele que realmente transforma a economia. Diferente dos fluxos especulativos que entram e saem com rapidez, o investimento estrangeiro direto financia fábricas, infraestrutura, tecnologia, agronegócio e serviços. É o capital que gera empregos, renda e transferência de conhecimento.

Quando esse fluxo recua, significa que as empresas multinacionais estão repensando seus planos de expansão no país, preferindo aplicar recursos em outros destinos considerados mais seguros ou rentáveis.

A queda que preocupa

O Brasil vinha de um período de relativa estabilidade nesse indicador, atraindo entre US$ 60 e 70 bilhões anuais nos últimos anos. Mas em 2025, o ritmo caiu para patamares não vistos desde 2021, em plena pandemia.

Enquanto isso, concorrentes diretos avançaram:

  • O México atraiu mais de US$ 36 bilhões no mesmo período, impulsionado pelo nearshoring, tendência de empresas americanas transferirem suas cadeias produtivas da Ásia para países próximos.
  • A Índia bateu recordes ao receber mais de US$ 70 bilhões em 2025, consolidando-se como destino preferencial para tecnologia, energia limpa e manufatura.

O contraste é doloroso para o Brasil: enquanto vizinhos e competidores globais avançam, o país perde espaço em um mercado cada vez mais disputado.

As razões da fuga de capital produtivo

Especialistas apontam uma combinação de fatores que explica a perda de atratividade:

  • Cenário fiscal incerto: com dívida pública projetada para 84% do PIB até 2028, investidores temem aumento de impostos e instabilidade.
  • Burocracia e insegurança jurídica: processos lentos e mudanças regulatórias constantes desestimulam projetos de longo prazo.
  • Concorrência global mais agressiva: países como México e Índia oferecem pacotes de incentivos fiscais e infraestrutura logística superior.
  • Câmbio e volatilidade política: a instabilidade institucional e as crises recorrentes minam a confiança.

Na prática, o recado dos investidores é claro: há opções mais seguras e lucrativas fora do Brasil.

O impacto na economia brasileira

A queda no IED afeta diretamente o potencial de crescimento. Menos fábricas, menos investimentos em energia, menos empregos qualificados.

O risco é que o país entre em uma espiral de baixo crescimento, incapaz de competir globalmente em setores estratégicos como tecnologia e indústria verde.

Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a cada US$ 1 bilhão em investimento estrangeiro direto, o Brasil gera entre 25 mil e 40 mil empregos formais. Ao perder US$ 10 bilhões em relação ao ano anterior, o país pode estar deixando de criar até 400 mil vagas de trabalho.

O contraste com México e Índia

O México surfou a onda do nearshoring, transformando sua proximidade com os Estados Unidos em vantagem estratégica.

Investidores que antes apostavam na China agora preferem abrir fábricas mexicanas, aproveitando menores custos de transporte e acordos comerciais robustos.

Já a Índia se tornou o novo destino favorito para empresas de tecnologia, semicondutores e energias renováveis. Com mão de obra jovem, políticas agressivas de incentivo e mercado interno gigante, o país consolidou sua posição como “nova China”.

O Brasil, por sua vez, segue sem um plano estruturado para atrair capital. As incertezas fiscais, a falta de infraestrutura competitiva e a instabilidade política empurram investidores para fora.

Risco de perder relevância global e o que precisa ser feito

O alerta de 2025 não é apenas conjuntural: ele aponta para um risco estrutural. Se o Brasil não se movimentar, pode consolidar a imagem de economia secundária no tabuleiro global.

Estudos da OCDE indicam que, até 2030, mais de 60% do fluxo global de IED será direcionado a países da Ásia. Sem reformas e um ambiente de negócios mais previsível, o Brasil corre o risco de assistir à maior parte do capital produtivo escapar para concorrentes.

Analistas e empresários defendem algumas medidas urgentes:

  • Reforma tributária completa, simplificando impostos e dando segurança jurídica.
  • Pacote agressivo de concessões e privatizações para modernizar portos, rodovias e ferrovias.
  • Agenda verde estratégica, aproveitando a liderança em energias renováveis para atrair indústrias sustentáveis.
  • Estabilidade institucional, com redução de ruídos políticos que desorientam investidores.

O Brasil tem vantagens comparativas únicas — recursos naturais, matriz energética limpa, mercado consumidor robusto. Mas, sem organização, essas riquezas não se traduzem em investimentos concretos.

O Brasil no retrovisor da corrida global

O relatório de 2025 é um choque de realidade. O Brasil, que já foi o destino preferido de investidores na América Latina, agora assiste ao México assumir a dianteira e à Índia consolidar-se como gigante emergente.

A perda de US$ 10 bilhões em investimentos em apenas um semestre é mais que estatística: é um recado direto de que a confiança está em xeque.

Se nada mudar, o país pode consolidar sua imagem de economia de alto risco, incapaz de reter capital e gerar empregos de qualidade. A encruzilhada está posta: ou o Brasil reage com reformas e estabilidade, ou seguirá sendo espectador de um mundo que avança sem esperar.

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Silvia Maria Bellato Nogueira
Silvia Maria Bellato Nogueira
29/08/2025 07:03

ISSO é só o começo do fim obrigada Deus

Christiano Sunderhus Filho
Christiano Sunderhus Filho
29/08/2025 07:02

Com estes desastrados que tomam conta da economia, vamos ficar cada vez mais para trás e cair para a segunda divisão da economia mundial!! É só enxotar estes parasitas, cupinchas e INCOMPETENTES do Planalto!!

Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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